Todos têm um propósito, e eu me vejo na angústia de encontrar o meu.

Uns nascem com o dom de cozinhar. Doces caseiros, salgados, salgadinhos, biscoitos. Outros, com o de revender ou criar. Bordados, bijus, artesanatos, brechó. Um outro grupo consegue achar um curso técnico que lhe sirva sem gastar muito dinheiro em material, coisa que não se encaixa para uma maquiadora, por exemplo. Escolas técnicas abrigam os mais diversos cursos para os alunos… de exatas.

Que curso técnico faria uma menina/mulher que só sabe escrever? Estradas? Elétrica? Mecânica? De jeito nenhum me sujeitaria a, voluntariamente, estudar mais uma das matérias cheias de números e coisas tão certas – e tão difíceis de serem encontradas.

O que venderia uma menina cujas únicas clientes quando vendia bijuterias eram sua avó e sua tia? O que venderia uma menina que sofre das incertezas de que seu negócio de trufas caseiras ou de bolos de pote renderiam algum dinheiro em troca?

O que faria uma menina cujo único e pouco aproveitado talento é pôr palavras e sentimentos em um papel? Ou, modernizando, um celular?

Seria eu obrigada a viver à espera da faculdade, do emprego? Ou a minha imaginação me daria um desconto finalmente e deixaria que meu tão sonhado livro fosse às livrarias?

Poderia eu sentir seu cheiro, folhear suas páginas e chorar de felicidade por cada minuto que dediquei àquilo?

Isso só o futuro poderá me dizer. Por ora, sigo com meus devaneios, com meus dedos cansados e as pernas esticadas sobre a cama.


Nosso texto de hoje é de Amanda Paiva, uma convidada mais que especial.

Amanda tem 15 anos e escrever sempre foi a sua paixão. Natural do Rio de Janeiro e apaixonada por romances, desenvolveu crônicas com a intenção de fazer o seu leitor refletir o que acontece na sociedade, além de poemas que surgiram de seus devaneios depois de escutar Shawn Mendes ou Ed Sheeran.