Eram 4:05,

Eu não conseguira dormir.

Não assisti TV, nem mexi no celular, como nos é dito pra fazer em caso de dificuldade para dormir.  Acontece que isso se fazia impossível. Pensava na enrascada que era minha vida. Beque após beque, os problemas se tornando cada vez mais claros em mim. Encostei minha cabeça em uma almofada e fechei os olhos.

Comecei a cair.

Fui muito além do chão que pisamos.

Queda

l

  i

   v

  r

e

e sem final.

Abri os olhos. Vi que meu corpo estava no mesmo lugar, mas de alguma forma minha mente carregada de mazelas havia me levado para o profundo do que há abaixo do concreto.

Tentei ir para outro lugar.

I was blue.

Minha mente eu tentava guiar. Às vezes me controlava, às vezes eu a controlava. Quando nós duas brigávamos pelo controle, não ficava preto e branco; a explosão era azul. Das cores tristes da minha alma.

Eu queria que alguém me alcançasse lá no fundo. E, mesmo querendo, eu me sabotava e me tirava dali. Estava bem perto da minha saída.

Vamos as atividades do dia?

Supostamente acordo. Tomo banho, me visto com uma roupa social e vou ao trabalho. Dentro do ônibus, eu olho através da janela e me pergunto se isso pode ser real. Meu julgamento estava sob prejuízo após constantes noites de insônia. Atravessada por pensamentos fracassados e desilusões de todo tipo. Cheguei no trabalho e juro que não posso relatar como foi minha vinda até aqui. Como foi minha vida? Nunca lembro de uma resposta positiva. É possível ser tão triste? Ou seria isso pura confusão mental fruto de uma mente com danos causados pela insônia, mudando de realidade sem que você perceba? E sempre se pergunta se é real ou não. Essa tristeza pode ser fruto da minha imaginação. Tenho amigos. Como eu poderia cativá-los sem, pelo menos, um sorriso? Talvez esteja eu me sabotando novamente. Somos programados pra nos sabotar como punição de erros cometidos no passado e não conseguimos nos perdoar?

Ou talvez,

Perdoar alguém.

Perdoar e perdoar-se.

Para seguir em frente .

Para colocar a cabeça no travesseiro e dormir.

Por Letycia Miranda