Assim como o primeiro episódio, “The Secret of Spoon” começa com mais um capítulo narrado por Ibis. Neste agora, os recém-chegados não vieram por conta própria, pois se tratam de escravos dentro de um navio negreiro.
Um deles, em desespero, pede ajuda a Anansi, o Deus Aranha – figura mitológica originária de Gana, e presente nas lendas da áfrica Ocidental e do Caribe. Anansi (Orlando Jones) então revela, numa sequência assustadora e magnifica, o que o futuro reserva para aqueles homens e seus descentes.Ao fim de sua fala, incita os prisioneiros a botarem fogo no navio, mesmo que aquilo significasse sua própria morte.
O detalhe curioso é que Anansi não é um personagem original do livro “American Gods”, mas de outro romance de Gaiman, “Filhos de Anansi”. A escolha por inserir o personagem na série é exatamente acertada, por expandir o panteão mitológico com um dos personagens mais interessantes da mitologia mundial, como também por permitir momentos tão impactantes como este.
De volta ao presente, Shadow revela o encontro com Techinical Boy para Wednesday. Quando pensa que o chefe não se importa, Shadow se enfurece. O contratador, porém, faz questão de anunciar que não ficou nem um pouco feliz com o ocorrido.
No dia seguinte, Shafow retorna a sua casa com Laura para arrumar seus pertences. Ao mexer no celular da falecida, encontra um sexting enviado por Robbie. Isso parece ser o impulso que faltava para que ele caísse na estrada com Wednesday.
No carro, o chefe explica que precisa encontrar “pessoas importantes”. Começarão por Chicago. Antes, Wednesday tem um encontro enquanto Shadow faz compras para o chefe. Na loja, Shadow tem outro encontro divino: Media (Gillian Anderson), na forma da dona de casa de “I Love Lucy”, conversa com ele pela televisão. Ela tenta convencer Shadow a passar para o seu lado – o mesmo de Techinical Boy. “Nós somos o agora e o amanhã, ele não é nem o ontem” diz, se referindo a Wednesday. Shadow não cede, e ela desaparece.
O ex-detento reencontra o chefe e narra o ocorrido. Shadow questiona sua própria sanidade. Wednesday diz que ou ele ou o mundo e está louco, e fala que existem coisas muito maiores que a própria sanidade a serem sacrificadas por uma causa.
Em Chicago, a dupla para na casa das irmãs Zoria. Wednesday as presenteia e a mais velha, já uma senhora, o convida para ficar para jantar. Pela conversa, sabemos que são três: a mais velha (Cloris Leachman), uma que parece ter cerca de 40 anos (Martha Kelly), e uma terceira, que dorme num quarto fechado no apartamento.
Percebemos que são deuses, mas ao contrário de Media e Techinical Boy, são divindades antigas como Wednesday. As irmãs ganham a vida lendo o futuro na borra de café. A Zoria mais velha faz uma leitura para Shadow, e embora ela não revele o que viu, a previsão não parece das melhores.
Não demora para que chegue Czernobog (Peter Stormare), o quarto morador da casa. Ao ver Wednesday, e descobrir que este quer levá-lo em sua missão, Czernobog tenta expulsá-lo, mas o deixa ficar ao saber que Wednesday e Shadow foram convidados para jantar. Durante a refeição, o deus fala de seu trabalho no matadouro de vacas, e desafia Shadow para uma partida de damas.
Os dois jogam. No meio da partida, Czernobog exibe para Shadow o martelo que usava para matar as vacas – antes do surgimento de pistolas automáticas. O martelo sangra em suas mãos – mais um momento de espanto para Shadow. O Deus sugere uma posta. Se ganhar, o homem acompanha os dois. Se perder, Czernobog pode acertar Shadow na cabeça com o martelo. O ex-detento aceita, sem ser pressionado por Wednesday.
Os dois jogam. Shadow perde.
Como não tem a mesma função introdutória do primeiro capítulo,o segundo tem uma narrativa mais fluida, com o mesmo nível de qualidade do primeiro. Embora conte com talentos, o time de novos deuses fica em desvantagem em relação ao dos antigos, em termos e atuação. As irmãs Zoria e Czernobog deixam sua marca na tela, apenas nas sutilezas e no modo como os atores constroem os personagens. Na verdade, toda a composição da sequência – a paleta de cores, o cenário e os objetos de cena, a trilha de fundo – a torna em uma das mais caprichadas – embora relativamente simples – cenas exibidas até agora.
A já citada sequência com Anansi, assim como a dos Vikings, não soa apenas como um prelúdio ou um easter egg. “American Gods” é uma história sobre os homens e mulheres que fundaram os Estados Unidos que temos hoje, e os deuses que trouxeram consigo. As cenas narradas são tão importantes para a composição da narrativa e sua premissa quanto a jornada de Shadow.
É interessante reparar que, assim como no anterior, é possível estabelecer uma relação entre os recém-chegados a América e Shadow. Se no primeiro episódio, ambos lidavam com uma promessa de futuro que se lhes é tomada pelo acaso, no segundo, lhes é prometido um destino cruel. O discurso de Media sobre o mundo de múltiplas telas, a viagem na estrada, as cenas a lá Americana – a promessa do American Dream – entra em confronto direto com a sequência de Anansi e o destino de Shadow. Essa ideia é reforçada pela canção – que dá nome ao episódio – cantada por Czernobog durante a partida com Shadow.
Embora menos catártico, o capítulo dessa semana é tão impactante quanto o primeiro.
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