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Literatura

Resenha: A décima segunda noite. A tragicomédia de Luis Fernando Veríssimo

“João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.”
(Carlos Drummond de Andrade)

E com esse clima de poema, iniciamos o Bookland dessa quarta-feira. Mas não, não vamos falar de Drummond. Quer dizer… não vamos falar somente de Drummond. Vamos falar também de Shakespeare, Flaubert e Luis Fernando Veríssimo. Aliás, este último, foi o gênio que proporcionou esse encontro ímpar franco-inglês-abrasileirado.

“A décima segunda noite” faz parte da Coleção Devorando Shakespeare. Um projeto genial feito pela Editora Objetiva, no qual autores brasileiros escrevem suas obras baseadas nos melhores livros do poeta. Luis Fernando Veríssimo foi o convidado da vez. E a peça Shakespeariana foi “Noite de Reis”.

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Como personagem principal, temos Henri. Henri não é um ser…digamos…comum. Brasileiro de nascimento, e francês de coração; Henri – e que a repetição do nome seja proposital – Henri… Henri é um papagaio. E é ele quem é o narrador dessa tragicomédia surreal.

A história tem muitos personagens. Se passa na França, mas são (quase) todos brasileiros. Nosso papagaio é o protagonista da história. Narrador em primeira pessoa, ele fala (e como fala) para estudantes de jornalismo que estão muito interessados na história do santo que virou santa (?).

Voltemos, pois, na história dos santos mais tarde. Porque é tanta informação que esse bichinho nos dá, que antes, precisamos organizar uma linha do tempo em nossas cabeças. E olha… são muitas informações.

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Como plano de fundo, temos o reconto de Negra. Uma mulher (ou homem) [ela/e mesma/o não sabe definir] {e não faz questão, porque isso não interessa}. Bom, Negra… Negra veio para França com outros brasileiros exilados por causa da ditadura.

Ela(e) acabou virando chefe de uma “máfia” do bem. Que ajudava as pessoas, mesmo que isso, quiçá, lhe custasse usar de medidas mais sombrias. Junto a Negra, temos Orcino. Francês fanático pelo Brasil, que resolveu abrir um salão de cabeleireiro à moda da casa. E para que tudo ficasse mais parecido possível com as terras tupiniquins, Orcino resolveu colocar um papagaio (de verdade) como alegoria decorativa. E é aí que Henri entra na história.

Henri não é um papagaio comum. Para começo de conversa, ele nem verde e amarelo era. De cor meio acinzentada, para passar batido como seus irmãos dos trópicos, o coitado tinha que passar por sessões de pintura. O problema é que as camadas de tintas não eram retiradas, e isso acabou fazendo com que ele parasse de voar, tamanho o peso da crosta que ia se formando.

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Orcino era apaixonado por Olivia. Uma viúva que comprara o luto para si e não abria as portas do coração para ninguém. Ah! Não era só o dono do salão que era caidinho por ela. O mordomo de Olivia nutria uma paixonite aguda pela patroa, mas sabia que nunca teria chances com a mulher.

Somado a isso, entra Violeta na história. Saiu do Brasil com o irmão gêmeo (Antônio) e foi para a França encontrar a Negra. O problema é que no aeroporto houve uma confusão e Antônio acabou sumindo. Desesperada com o acontecimento, ela parte n’uma busca incessante sobre seu paradeiro.

Precisando trabalhar para se manter na França até encontrar o irmão, Violeta  – a mandos de Negra – passa a trabalhar no salão de Orcino. Só que o homem não contrata mulheres. Então Violeta se traveste e vira César. E quem é que acaba se apaixonando pelo guri?! Olívia… a tal viúva que até bem pouco tampo atrás não daria chances a ninguém.

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Ufa! Muita informação, não é mesmo? Agora imagina isso tudo sendo contado por um papagaio prolixo. Sério… juramos a você… fica dez vezes pior.

Ainda temos nessa história o Festinha. Que sabia da paixão do mordomo pela patroa e quis brincar com os sentimentos do moço, armando uma “brincadeira” de muito mal gosto. Na décima segunda noite, a contar o tempo no dia de Reis, Olívia cederia as paixões de Malviolo. Pelo menos foi nisso que Festinha fez o rapaz acreditar.

E o santo que virou santa?! Bem, o irmão de Violeta – que agora era César – foi pego em uma emboscada no aeroporto. A polícia francesa estava desconfiada do tráfico de pedras preciosas vindas do Brasil dentro de Santos barrocos. O fato, é que a história era verídica. E todos estavam atrás de um São José, que foi revestido com uma saia e acabou virando Santa Maria.

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achando confuso?! Agora imagina como acabou essa história? A Woo! Magazine vai deixar no ar, porque o melhor não se conta, né não?! Mas se você quiser saber mesmo qual foi o final de tudo isso, é só dar uma chance a leitura de A Décima Segunda Noite”.

“O amor, festeja Festinha, leva às calhordices mais sublimes. Segundo Festinha, só se conhece o verdadeiro caráter de uma pessoa pelo que a põe de joelhos. Seja orar, se humilhar ou ir de boca na genitália de outra. O que ela faz pela salvação e pelo desejo.” [p.116]

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Érica nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro, mas deveria ter nascido nesses lugares onde se conversa com plantas, energiza-se cristais e incenso não é só pra dar cheirinho na casa. Letrista na alma, e essa bem... é grande demais por corpinho de 1,55 que a abriga. Pisciana com ascendente E lua em câncer. Chora quando está feliz, triste, com raiva e até mesmo com dúvida. Ah! É uma nefelibata sem cura.

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