NEXZ surpreendeu logo cedo, Hwasa dominou o palco, Alok levou 1.500 drones ao céu e Stray Kids fechou uma sexta-feira em que até a plateia fazia parte do espetáculo
Rock in Rio 2026 voltou à ativa na sexta-feira, 11 de setembro, depois de três dias sem programação o público encontrou uma Cidade do Rock bastante diferente daquela que havia se despedido de Elton John na segunda. Quem chegou ainda pela manhã enfrentou chuva e alerta da Defesa Civil, mas o tempo melhorou ao longo do dia e trouxe um alívio enorme depois do primeiro fim de semana marcado por roupas encharcadas, capas plásticas e longas horas debaixo d’água. Desta vez, o elemento visual predominante seria outro: bastões luminosos, pelúcias, photocards, roupas inspiradas nos artistas e uma quantidade enorme de pequenos presentes produzidos e trocados pelos próprios fãs.
A sexta também reuniu um público visivelmente mais jovem, com muitas crianças e adolescentes acompanhados pelos pais. O comportamento já mudava na entrada: grupos procuravam outros fãs, distribuíam freebies, exibiam SKZOO e comparavam acessórios antes mesmo de pensar em ativações ou brinquedos. Pela primeira vez em 41 anos, o K-pop ganhava espaço suficiente para dominar três dos quatro horários do Palco Mundo, com NEXZ às 16h40, Hwasa às 19h e Stray Kids fechando a noite à 0h05, separados apenas por Alok às 21h20.
Milhares de lightsticks acesos diante do Palco Mundo mudaram completamente a paisagem da Cidade do Rock. Os bastões luminosos se espalhavam pelo gramado e acompanhavam as apresentações como uma extensão da iluminação do próprio palco, criando uma imagem que ainda não havia aparecido nos quatro primeiros dias. A força daquela cena estava justamente na participação coletiva: mesmo quem estava distante conseguia perceber que os fãs conheciam as músicas, os momentos de resposta e a maneira de acompanhar cada artista.
A chegada desse público também fez o Rock in Rio lidar com hábitos pouco presentes em outras datas da edição. Os lightsticks ganharam regras próprias de entrada, a passarela do Palco Mundo foi explorada para aproximar os artistas das primeiras fileiras e os fanchants deram outro ritmo à relação entre palco e gramado. Mais do que inserir três atrações de K-pop na programação, a sexta-feira mostrou como uma comunidade com formas próprias de acompanhar seus ídolos consegue alterar a experiência de um festival desse tamanho.
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NEXZ pegou o horário mais ingrato e saiu muito maior dele

Abrir o Palco Mundo às 16h40 nunca é simples. O NEXZ ainda carregava uma dificuldade extra: boa parte das pessoas diante deles estava guardando posição para Stray Kids, grupo da mesma JYP Entertainment e headliner que só apareceria mais de sete horas depois. A maneira de resolver essa situação foi atacar o espaço fisicamente. Os sete integrantes começaram com saltos, mortais e street dance, ocuparam bastante a passarela e trataram aquele enorme palco como lugar para movimento desde os primeiros minutos.
O visual também brincava com o festival. Camisetas de bandas como Black Sabbath e Ramones apareciam combinadas a jeans largos e botas, enquanto o grupo levava ao repertório faixas como “Beat-Boxer” e a recente “SAUCIN’”. O esforço de comunicação em português foi outro acerto. “Rock in Rio, e aí, estão prontos para curtir?” pode parecer uma frase simples, mas ganha outro peso quando parte de artistas jovens fazendo sua estreia no Brasil e tentando reduzir rapidamente a distância cultural até um público gigantesco.
O ponto fraco estava no próprio tamanho da carreira. NEXZ estreou em 2024 e ainda não possui repertório suficiente para sustentar um horário longo sem recorrer a repetições. Algumas músicas reapareceram durante o show, algo que em outra circunstância poderia gerar desgaste. A energia da performance compensou boa parte dessa limitação e deixou uma impressão curiosa: a banda parecia pequena na discografia e grande na forma como já sabe usar um palco de festival.
Foi um dos melhores começos de Mundo desta edição porque evitou depender apenas da ansiedade pelo artista seguinte. Quem chegou cedo para garantir lugar para Stray Kids acabou recebendo outra atração que sabia exatamente como lidar com uma plateia inicialmente “emprestada”. Para muita gente, NEXZ provavelmente deixou de ser apenas o primeiro nome do cronograma naquele fim de tarde.
Hwasa transformou segurança em parte da conversa da noite
Antes de Hwasa entrar, a concentração próxima à grade atingiu um nível que exigiu intervenção da produção. Durante cerca de 15 a 20 minutos, os telões e o sistema de som pediram que as pessoas dessem passos para trás, principalmente numa região do lado esquerdo do Mundo. O show só poderia começar depois que a pressão sobre as primeiras fileiras diminuísse. A situação mostrava a força daquele público, mas também lembrava que devoção de fã precisa conviver com limites físicos bastante concretos.
Quando Hwasa finalmente apareceu, a diferença em relação ao NEXZ foi imediata. O grupo anterior trabalha a precisão coletiva e a coreografia como linguagem principal; ela ocupa o palco como uma cantora solo que sabe usar silêncio, voz, postura e sensualidade sem precisar preencher cada segundo com movimento. “Chili”, “Twit”, “Maria” e “I Love My Body” encontraram uma banda ao vivo que dava corpo às músicas e permitia que a voz aparecesse de maneira bastante clara.
Hwasa também trabalhou muito bem a proximidade. Arriscou português, agradeceu o carinho e chegou a descer para a região da grade, aproximando-se dos fãs depois de um início que havia exigido justamente recuo por segurança. Na despedida, apareceu emocionada com uma bandeira brasileira. Há algo muito forte nesse contraste: minutos antes, uma multidão precisava ser afastada para que o show pudesse acontecer; durante a apresentação, a cantora procurava encurtar essa mesma distância de forma controlada.
Sua presença também ajudou a mostrar que “K-pop” já descreve um território grande demais para caber numa única estética. NEXZ apresentou juventude, acrobacia e formação coletiva; Hwasa trouxe uma linguagem muito mais próxima da diva pop clássica, com banda, voz, sexualidade e uma carreira que já passou pelo MAMAMOO antes de ganhar identidade solo. Colocar os dois consecutivamente foi uma escolha bem mais rica do que montar uma tarde inteira de grupos semelhantes.
O Sunset teve música demais para o tamanho de algumas plateias

Enquanto o Mundo permanecia cercado por fãs guardando posição durante horas, o Palco Sunset oferecia uma programação que merecia maior circulação. Jota.pê abriu o espaço com Luedji Luna e Zaynara, unindo MPB contemporânea, música negra brasileira e o pop paraense. “Uns Cafuné a Domicílio” iniciou o set, enquanto “Crônicas de um Sonhador” recuperou imagens da trajetória do cantor e preparou um encontro em que as vozes convidadas funcionavam dentro da proposta em vez de surgirem apenas para preencher uma faixa.
Depois, Os Garotin trouxe um baile black completo, com banda de dez músicos, metais, percussão, roupas de alfaiataria brilhante e uma escadaria coberta de glitter. O início teve algum desequilíbrio entre os vocais e o instrumental, mas o trio encontrou rapidamente seu lugar. “Nossa Resenha” e “Zero a Cem” foram recebidas com facilidade, enquanto Duquesa entrou em “Voo 1360” e aumentou a agressividade vocal de um show que sabia misturar soul, funk e rap.
O caso mais injusto do Sunset foi PJ Morton. O vencedor de seis Grammys subiu às 20h10 com a turnê “Saturday Night Sunday Morning” e encontrou uma plateia modesta, especialmente quando comparada ao movimento contínuo diante do Mundo. A ironia é que Morton voltaria ao Palco Mundo menos de 24 horas depois como tecladista do Maroon 5, mas naquela sexta estava ali como cantor, compositor e pianista, conduzindo um trabalho próprio de R&B, gospel e soul.
Pouca gente, porém, não significou gente desatenta. Quem escolheu Morton estava de fato assistindo, cantando e respondendo à performance. Esse tipo de situação vem aparecendo bastante na edição de 2026: o tamanho da plateia nem sempre acompanha o nível musical do show. Morton teve o azar de cair no horário de uma programação em que milhares de fãs simplesmente não queriam abandonar sua posição no Mundo.
O encerramento com Jamiroquai encontrou um público maior e muito curioso. Jay Kay voltou ao festival 15 anos depois e recuperou aquele baixo inquieto, a bateria precisa e os teclados que transformaram acid jazz em música pop para multidões durante os anos 1990. “Virtual Insanity” segue inevitável, mas o show não dependia dela para funcionar. O Sunset ganhou uma plateia formada por fãs mais velhos, alguns filhos e muitos pais que haviam acompanhado adolescentes até o dia de K-pop e encontraram ali uma recompensa particular.
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Alok fez o maior espetáculo visual da sexta
No meio de uma programação marcada pelo K-pop, Alok poderia parecer o elemento deslocado. Resolveu a questão produzindo um show grande demais para funcionar como intervalo entre Hwasa e Stray Kids. O projeto “Keep Art Human”, apresentado anteriormente no Coachella, utilizou tecnologia justamente para discutir até onde a criação humana permanece no centro de um espetáculo cada vez mais automatizado. A ideia ganhou outra escala no novo Palco Mundo.
Foram 1.500 drones, chegando a cerca de 300 metros de altura e ocupando até 400 metros de largura no céu. Eles formaram rostos, objetos, uma nave e uma cabeça futurista capaz de “falar” com o público. Embaixo, 45 integrantes do grupo italiano Urban Theory executavam coreografias sincronizadas enquanto lasers, pirotecnia e os gigantescos painéis do palco criavam camadas diferentes do mesmo desenho.
Desta vez, Alok utilizou o tamanho do Mundo de maneira muito mais completa do que vários artistas que passaram por ali no primeiro fim de semana. Havia momentos em que os LEDs davam a sensação de ampliar a arquitetura do palco, enquanto o céu se tornava parte da cenografia. A estimativa publicada para a produção gira em torno de R$ 1 milhão, valor não divulgado oficialmente pela equipe e calculado a partir de apresentações anteriores de escala semelhante.
A parte humana do conceito ganhou força com Zeeba. Dez anos depois de “Hear Me Now” mudar a carreira dos dois, ele apareceu ao piano, cantou “Ocean”, passou por “Never Let Me Go” e apresentou a nova parceria “Monday”. Ravi e Raika, filhos de Alok, também surgiram no palco e nos telões ao lado do pai, quebrando por alguns minutos a dimensão gigantesca da produção.
Alok ainda sabia em que noite estava. Tocou músicas ligadas a BlackPink e Katseye e apresentou “Inhibition”, colaboração com Mesto e Twice, colocando outro grande nome do pop coreano dentro do primeiro dia do gênero no festival. Um medley de funk carioca também ajudou a impedir que o espetáculo se tornasse somente demonstração tecnológica.
Foi provavelmente o momento em que o novo Palco Mundo mostrou melhor por que recebeu tantos metros quadrados de LED em 2026. Alok utilizou palco, céu, dança, fogo e música como partes do mesmo projeto. Os 1.500 drones chamam atenção nas fotografias, mas a escala impressiona justamente porque havia uma apresentação estruturada para conduzi-los, em vez de apenas um show interrompido por um número de drones.
Stray Kids encontrou uma cidade que já estava esperando havia horas

À 0h05, a apresentação que explicava grande parte do comportamento daquele dia finalmente começou. Stray Kids não apareceu simplesmente no palco. Uma câmera acompanhou os oito integrantes desde os bastidores enquanto eles caminhavam próximos à grade até chegarem à apresentação propriamente dita, iniciada com “Topline”. Depois de horas com fãs ocupando posições diante do Mundo, a entrada transformou espera em participação imediatamente.
O grupo carregava uma vantagem rara: a plateia conhecia os comandos. Fanchants surgiam sem orientação longa, coreografias eram reproduzidas do gramado e os lightsticks criavam um desenho visual que se estendia muito além das primeiras fileiras. Segundo a produção do festival, aquela concentração formou o maior lightstick ocean já registrado na América Latina. O público aparecia como parte constante das telas e dava ao show uma dimensão que cenografia alguma conseguiria produzir sozinha.
Musicalmente, o Stray Kids foi além do modelo de performance apoiada majoritariamente em bases. Uma banda ao vivo deu peso extra às versões, principalmente nas músicas mais agressivas, enquanto a estrutura preservava coreografias e momentos individuais para os oito integrantes. “Chk Chk Boom” ganhou arranjo diferente, e faixas como “LALALALA”, “Domino” e “Walkin on Water” encontraram um palco enorme sem parecer ampliadas artificialmente.
Os 2.400 m² de LED finalmente pareciam completamente integrados ao show. Câmeras, animações e gráficos acompanhavam os integrantes sem transformar o painel em mero telão de transmissão. Era uma produção pensada para uma geração acostumada a consumir música, dança, moda e imagem ao mesmo tempo, mas havia bastante canto ao vivo para impedir que o espetáculo se resumisse à precisão visual.
Bang Chan e os demais integrantes também perceberam rapidamente o tamanho da plateia. Comentaram que não conseguiam enxergar seu fim, agradeceram em português e utilizaram a tradução simultânea para prolongar as conversas. Em um momento importante, pediram que os fãs bebessem água, evitassem empurrões e ajudassem as pessoas próximas – uma recomendação pertinente depois do aperto registrado horas antes da entrada de Hwasa.
O Brasil ainda apareceu de maneira menos previsível quando Bang Chan puxou um trecho de “Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló. O grupo já havia brincado com a música em sua passagem anterior pelo país, e repeti-la no Rock in Rio transformou uma piada interna entre artista e fandom em refrão de dezenas de milhares de pessoas. O set seguiu até “Hall of Fame” depois de cerca de 1h45 de apresentação.
O principal mérito do Stray Kids foi mostrar que ocupar a posição de headliner não depende de décadas de carreira. A banda dominou o palco pela soma de repertório, performance, banda ao vivo e um público que entende seu próprio papel dentro do show. A relação entre artista e fã ali é menos passiva do que aquela vista em vários outros dias: existe uma coreografia coletiva construída muito antes da abertura dos portões.
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O Espaço Favela mostrou que a sexta ia muito além do Mundo

Distante do mar de lightsticks, o Espaço Favela apresentou outra juventude musical brasileira. Caio Luccas abriu o espaço exaltando Belford Roxo e lembrando a época em que gravava freestyles escondido na escola. O trap romântico e o R&B melódico encontraram uma plateia jovem desde cedo, mostrando que nem todos os fãs do dia pretendiam permanecer congelados diante do Mundo por dez horas.
Depois, Puterrier encontrou um público inesperadamente receptivo num dia dominado pelo K-pop. A internet já havia criado uma aproximação curiosa entre o funkeiro e essa comunidade de fãs, e o show soube brincar com ela. Ele trocou de figurino, apareceu de terno para homenagear os avós, recebeu os dois no palco durante “Delírios de Amores” e distribuiu flores para quem estava na grade.
A participação de MC Carol mudou novamente a temperatura. “Meu Namorado É Otário”, “Minha Vó Tá Maluca” e outros títulos conhecidos levaram o funk para um público que horas depois cantaria em coreano diante do Mundo. A mistura é uma boa fotografia de como gerações mais jovens consomem música hoje: playlists pessoais não precisam respeitar as divisões que programadores de festivais utilizaram durante décadas.
MC Cabelinho, acompanhado por TZ da Coronel, fechou o espaço com uma multidão jovem e um show que ganhou força depois de um começo mais contido. Banda ao vivo, autotune e músicas como “Carta Aberta”, “Fogo e Gasolina”, “Eu Sou o Trem” e “Essência de Cria” levaram o rap e o trap carioca para outra ponta da Cidade do Rock enquanto milhares de pessoas aguardavam Alok no Mundo.
A Eletrônica continuou depois que o mundo apagou

Alok ocupou o maior palco, mas a programação eletrônica da sexta estava longe de depender dele. O New Dance Order começou com ANNA às 21h05, passou por Departamento e OMIKI e terminou com o encontro entre Neelix e Vegas a partir de 1h. Para quem saiu do Stray Kids ainda disposto a permanecer na Cidade do Rock, o NDO oferecia uma mudança completa de público e linguagem.
Essa simultaneidade é uma das características mais curiosas de 2026. Enquanto uma parte enorme do festival viveu a sexta como “dia de K-pop”, outra podia caminhar poucas centenas de metros e encontrar psytrance, techno, funk, soul, rap e música brasileira acontecendo normalmente. A identidade do 11 de setembro foi muito forte, porém nunca absoluta.
O Supernova também acompanhou o perfil jovem daquele público com Muse Maya, Isa Buzzi, Ananda e NandaTsunami, enquanto o Global Village passou por Lambateria com Félix Robatto, Rio Bronx e Soulidified. São palcos que naturalmente receberam menos atenção numa sexta muito concentrada no Mundo, mas continuam importantes para impedir que o festival se transforme em quatro apresentações gigantes cercadas por corredores de alimentação.
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A Heineken transformou match musical em brinde social
Entre as ativações, uma das ideias mais alinhadas com o comportamento daquele público veio da Heineken. O The Clinker utiliza uma pulseira inteligente vinculada ao Spotify, ou a preferências preenchidas manualmente, para comparar artistas e estilos entre duas pessoas. Quando participantes brindam com copos equipados com a tecnologia, o sistema calcula a afinidade musical e acende verde quando encontra um match. Acima de 90% de semelhança, entra o chamado Super Clinker.
A experiência chegou ao Brasil depois de passar pelo Coachella e outros eventos internacionais, fazendo do Rock in Rio sua primeira aplicação na América Latina. Os matches ainda influenciam músicas selecionadas pelo DJ dentro do espaço da marca, e cada interação foi planejada para durar entre 12 e 15 minutos.
A ideia funcionava especialmente bem num dia como sexta-feira. O público já estava trocando freebies, conversando sobre integrantes favoritos, comparando lightsticks e reconhecendo desconhecidos através de camisetas e acessórios. A pulseira apenas transformava em tecnologia uma coisa que fãs já fazem naturalmente em festival: começar conversa porque alguém gosta da mesma banda.
É uma ativação que também foge um pouco da obsessão por “entrar, tirar foto, pegar brinde e sair”. O objetivo exige que duas pessoas permaneçam ali por algum tempo e descubram afinidades. Em uma Cidade do Rock com filas cada vez mais orientadas por recompensas físicas, fazer o produto final ser uma interação entre pessoas tem um mérito próprio.
O ponto alto da Sexta foi o público e isso também criou o principal ponto de atenção

A estreia do K-pop funcionou porque o Rock in Rio encontrou uma comunidade que já sabia o que fazer quando chegasse. NEXZ recebeu resposta mesmo sendo pouco conhecido no Brasil. Hwasa entrou diante de uma grade tão cheia que o festival precisou pedir recuo. Stray Kids encontrou fãs capazes de cantar, dançar, iluminar o Mundo e esperar horas pela apresentação. O gênero chegou ao festival com hábitos próprios e obrigou a produção a absorvê-los.
Essa concentração também foi o principal ponto frágil do dia. A vontade de permanecer perto do Mundo reduziu a circulação para outras atrações e deixou artistas como PJ Morton diante de públicos muito menores do que a qualidade do show justificaria. Jamiroquai conseguiu quebrar parcialmente essa lógica graças ao próprio peso histórico, enquanto Jota.pê e Os Garotin precisaram conquistar quem decidiu sair da espera pelo headliner.
O quinto dia, dessa forma, apresentou duas experiências simultâneas. Em uma delas, milhares de pessoas construíram desde a abertura dos portões um longo caminho até Stray Kids. Na outra, quem circulou encontrou soul brasileiro, PJ Morton no piano, Jamiroquai em grande forma, funk no Favela, artistas jovens no Supernova e música eletrônica madrugada adentro.
Alok ficou exatamente no meio dessas duas histórias. Era o único artista do Mundo que não vinha do K-pop, mas entregou um espetáculo tão grande que deixou de parecer intervalo e passou a disputar com o próprio headliner algumas das imagens mais fortes da sexta.
O Rock in Rio passou décadas tentando ensinar diferentes públicos a dividir a Cidade do Rock. No quinto dia, foi a vez de o festival aprender como uma nova geração gosta de ocupá-la.
Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @Anendfor)


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