Em entrevista à Woo! Magazine, Rodrigo Teaser fala sobre o filme Michael, a volta da “Michael Mania” e o compromisso de preservar a obra do Rei do Pop
Ao longo dos anos, Rodrigo Teaser se consolidou como um dos maiores intérpretes de Michael Jackson na América Latina, levando aos palcos performances marcadas pela fidelidade artística, bem como uma forte conexão emocional com os fãs do Rei do Pop.
Com produções grandiosas, reconhecimento internacional e uma trajetória construída através da paixão pela música e pelo legado de Michael, Rodrigo transformou o amor de fã em um espetáculo que emociona diferentes gerações.
Com o lançamento do filme biográfico “Michael” movimentando fãs ao redor do mundo, Teaser conversou com a Woo! Magazine sobre sua relação com o artista, o impacto da chamada “Michael Mania”, a responsabilidade de representar esse legado nos palcos e como os fãs continuam mantendo viva a magia e a emoção em torno de Michael Jackson mesmo décadas depois.
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Rodrigo Teaser e a responsabilidade de representar Michael Jackson
Jéssica Meireles.: Você se apresenta como Michael Jackson há muitos anos. Em algum momento imaginou que veríamos a história dele ganhando um filme tão grandioso nos cinemas?
Rodrigo Teaser.: Desde que ele se foi, eu imaginei que algo assim seria apenas uma questão de tempo.
Com o crescimento do streaming, achei que o formato escolhido seria uma série, talvez para conseguir encaixar melhor todos os fatos. Mas gostei da forma como o cinema absorveu a biografia dele e de como tantas pessoas passaram a enxergá-lo da maneira que ele merece: de forma positiva.

O filme Michael e a volta da Michael Mania
J.M.: Como fã e artista, qual foi a sua primeira reação quando começaram a surgir as primeiras imagens e informações sobre o filme Michael?
R.T.: Minha única relação e reação com o filme é como fã. Agora, vendo que a “Michael Mania” é real, eu até consigo perceber que, como artista, isso me coloca em um lugar onde mais pessoas sabem que eu existo. Mas, para mim, desde o início é um lance para viver como fã.
Acompanhar como fã mesmo, viver a ansiedade de um lançamento, esperar ser surpreendido… Essas coisas que a gente tem quando o artista está presente e que a gente perde quando ele se vai.
No entanto, eu tentei manter minha expectativa baixa para não me frustrar (hahahaha).

Respeito à obra acima de qualquer oportunidade
J.M.: Ao longo da sua trajetória fazendo tributos ao Michael no Brasil e fora dele, qual foi o ensinamento mais marcante que você carrega do artista para a sua vida pessoal e profissional?
R.T.: Respeitar a obra. Não importa como você se enxerga ou como pensa que as pessoas enxergam você. É preciso ter noção e lidar de forma honesta com o fato de que nada daquilo te pertence.
A única coisa minha ali é o meu talento e a minha dedicação. De resto, nada é meu. E, ainda assim, eu tenho que “defender” aquilo como se fosse.
Respeitar a obra é respeitar o show, os elementos artísticos, cada ideia que ele colocou em prática e também respeitar o público.
Porque o mesmo amor que me fez querer fazer o show é o que faz o fã dele querer me assistir. É um exercício diário ser enaltecido e compreender que nem tudo é para mim, porque, no fim das contas, não se trata de mim. Se trata dele.
J.M.: Você sente que o carinho e a conexão dos fãs com o Michael mudaram ao longo dos anos ou continuam tão fortes quanto antes? Como enxerga isso hoje?
R.T.: Uma coisa que eu digo desde o início é que não importa a idade, classe social ou nacionalidade… fã do MJ é quase sempre igual. A música realmente conecta as pessoas de uma forma muito inexplicável.
Mesmo em um país como o Brasil, tão gigantesco, onde cada canto tem sua própria personalidade, todos se rendem da mesma forma.
O mesmo acontece quando se faz show lá fora. Seja na Europa, no Oriente Médio, na África. Seja em um país como os EUA ou como a China, as reações são parecidas, as emoções são parecidas.
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J.M.: O Michael sempre emocionou pessoas de diferentes gerações. Na sua opinião, o que faz o legado dele continuar tão atual e poderoso até hoje?
R.T.: Acho que é impossível ter uma resposta definitiva. Quem disser que sabe o segredo para isso está mentindo, caso contrário poderia “criar” o próximo fenômeno mundial (hahaha).
Mas alguns fatores podem ter ajudado: a dedicação acima da média, a mistura do antigo com o novo, onde nada fosse mais importante do que a qualidade.
Seja musicalmente, coreograficamente ou mesmo ao vivo, nos shows, tudo precisava ser feito para surpreender. E, mesmo que houvesse inspiração em algo que já existisse, tinha que ser feito de uma forma que todos se encantassem com a novidade.
“Artistas raros como MJ pagam um preço alto por serem quem são e apostarem na arte que fazem.”.
Rodrigo Teaser
J.M.: Sendo fã, artista e alguém que ajuda a manter o legado do Michael vivo através dos shows, assistir ao filme te fez refletir de uma forma diferente sobre a responsabilidade e a emoção de levar essa conexão tão forte com ele para o público?
R.T.: Na verdade, não (hahaha). Meu compromisso segue sendo o mesmo desde o início disso tudo. Nada está acima do respeito ao que ele criou. Não tem oportunidade, cachê, exposição ou adulação que esteja acima do compromisso com a obra.
Artistas raros como MJ pagam um preço alto por serem quem são e apostarem na arte que fazem. Não cabe a mim deturpar isso. Eu não conseguiria.
Imagem: Reprodução/Instagram (@RodrigoTeaser)


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