O vocalista defende que a culpa dos preços exorbitantes de Metallica e AC/DC não é apenas ganância, mas um reflexo de uma logística industrial complexa e arriscada
Os preços estratosféricos dos ingressos para os três shows do AC/DC que aconteceram em São Paulo entre fevereiro e março deste ano renderam muita discussão, principalmente pelo fato de não terem impedido que se esgotassem em pouco tempo. Mas por que os valores atuais de determinados concertos estão elevados dessa forma? Para quem assistiu ao documentário “This Is Anvil” (2008), a visão de Steve “Lips” Kudlow sobre os bastidores da música é conhecida: uma mistura de resiliência, frustração e a luta constante contra uma indústria muitas vezes predatória.
Em uma entrevista ao The Metal Voice, o frontman canadense trouxe uma reflexão necessária sobre o tema que hoje domina as rodas de conversa dos fãs: o valor astronômico dos ingressos para ver bandas como Metallica ou AC/DC.
Ao contrário do que muitos pensam, Lips não aponta o dedo apenas para os artistas. Para ele, a conta não fecha por uma série de fatores estruturais que o público raramente enxerga.
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O “lucro” nas entrelinhas do merchandising
Lips explica que o modelo de negócio da música mudou radicalmente nas últimas décadas. Se antes as gravadoras financiavam a operação, hoje o artista precisa ser autossuficiente. A receita principal migrou da venda de discos para a experiência ao vivo e o merchandising.
“Por que você acha que o Metallica cria lojas pop-up nos locais onde toca?”, questiona Lips. “É para vender produtos antes do show, porque dentro da arena o preço dobra, já que eles precisam dividir uma fatia gigante da receita com o promotor.”
O veterano utiliza o exemplo dos icônicos chifres de luz do AC/DC para ilustrar essa máquina de fazer dinheiro: um item de custo irrisório que se torna uma mina de ouro ao ser vendido para dezenas de milhares de fãs que buscam o “suvenir” da noite.

O custo de uma “cidade” em movimento
Para Lips, a complexidade logística de um show de estádio moderno é um fator ignorado pelos críticos dos preços altos. Ele pontua que, para contratar uma banda como o Metallica, um promotor desembolsa cerca de um milhão de dólares por noite – e a banda gasta outro milhão apenas para colocar a estrutura na estrada.
“Eles têm 180 roadies, dezenas de caminhões e levam 24 horas para montar o palco”, detalha. O valor do ingresso não paga apenas a performance de duas horas no palco, mas a operação quase militar de montar e desmontar uma megaestrutura em cada cidade da turnê.
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A conta do medo: O seguro e a responsabilidade civil
Talvez o ponto mais revelador do depoimento de Lips seja sobre a responsabilidade civil. O mercado de seguros hoje em dia exige apólices milionárias para cobrir qualquer incidente com o público, algo que a banda acaba assumindo como custo direto.
“As pessoas se perguntam por que um ingresso custa entre US$ 200 e US$ 300. Bem, aí está o motivo. É muita gente trabalhando e uma rede de segurança financeira gigantesca para fazer acontecer”, conclui o músico.
A análise de Lips serve como um lembrete importante: embora o custo final seja proibitivo para a maioria, a era das grandes turnês de rock não opera mais sob as mesmas regras da década de 80. É um modelo industrial de altíssimo risco, onde a sobrevivência financeira do artista depende de uma engrenagem que, para não parar, exige que os custos sejam repassados ao consumidor final.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial


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