Emissoras investem em programas com o gênero, mas garantir sucesso são outros 500
Bastante semelhante ao americano Late Show with David Letterman, agora apresentado por Stephen Colber, o Programa do Jô está em seu último ano. O humorista pretende trabalhar em outros projetos e, assim, abre caminho para novos rostos que pretendem seguir seus passos na televisão.
Com o mesmo formato desde 1988 – quando começou no SBT com o Jô Soares 11 e meia – o programa do apresentador é a prova de que o talk show é um formato imprevisível no que se diz respeito ao alcance e manutenção de audiências.
Prova disso é que, mesmo com anos de carreira, sendo o maior nome do segmento no Brasil, Jô Soares não garantia altos índices no Ibope. Compartilhando do mesmo gênero, Danilo Gentili tem conseguido mais sucesso com o The Noite (SBT), programa que estreou em 2014 quando deixou o – extinto – Agora É Tarde, na Band (que também teve como apresentador Rafinha Bastos).

E uma explicação para a provável preferência ao programa de Danilo é a renovação desse estilo. O talk show originalmente possui um formato que mistura jornalismo e entretenimento, mas perdia sua graça repetindo sempre mais do mesmo. A partir de Danilo, um modelo mais irônico e debochado chamou a atenção dos telespectadores.
E aí vieram Fábio Porchat e Marcelo Adnet. O primeiro com o Programa do Porchat, na Record; e o segundo com o Adnight, na Globo. O primeiro, com estreia que manteve a Record como líder na audiência; o segundo que começou com os 23 pontos no Ibope após Justiça e terminou perdendo para A Praça é Nossa, do SBT.
O Programa do Porchat, que vai ao ar de segunda à quinta, teve em seu lançamento uma entrevista exclusiva com Sasha Meneghel e pôde comemorar a aceitação do público. Ao que se viu até então, Porchat conquistou uma maior liberdade da emissora para levar a atração a sua maneira. Mas, os programas seguintes não foram tão felizes assim. O apresentador não conseguiu manter a audiência e só voltou a subir no Ibope na última quinta-feira, quando recebeu Sonia Abrão. Ela, que entrou na brincadeira do humorista, riu de si mesma e foi sincera ao dizer, por exemplo, que a entrevista com Sasha poderia ter sido melhor. A irreverência e autenticidade de Porchat e Sonia atraíram a atenção dos telespectadores.

Já Adnet não foi tão feliz assim. Seu programa, que mais parece um “game show”, exagerou com o excesso. Estreou com Galvão Bueno e, diante de uma série de quadros sem graça com o comentarista, não agradou aos internautas, que logo teceram críticas nas redes sociais. Ao que parece, Adnet não teve a mesma liberdade aparentemente adquirida por Porchat. Com o formato mais rígido e engessado, pouca coisa parecia vinda do humorista, ou melhor, pouca coisa parecia ser espontânea. E, mesmo com a presença de Cauã Reymond no segundo episódio, a atração não agradou ao público.

Sem dúvida alguma, os talk shows vêm obtendo um humor mais agressivo e espontâneo, sem panos quentes, acompanhados de uma audiência jovem e intensamente ligada às redes sociais. Por isso, é preciso alguns ajustes nessas duas estreias. Talvez ambos pequem pelo excesso, até mesmo excesso de edição e roteiros muito definidos, o que rouba a naturalidade que precisam ter.
Enquanto isso, o The Noite, de Danilo Gentili aparece como o melhor talk show da TV brasileira em enquete realizada pela Veja!, com 75% dos votos. O Programa do Porchat fica com 20% da preferência do público, enquanto o Adnight com apenas 5%. Onde Danilo está acertando que os outros não estão? Ficamos aqui aguardando os próximos episódios.
Por Michele Matos


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