Herdeiros de uma tradição forte na eletrônica, carismáticos e sempre inovadores, dueto de Curaçao que se apresentou nesta quinta-feira (07) no palco New Dance Order da primeira edição do The Town, Shermanology concedeu para a Woo! uma entrevista refletindo sobre novos rumos na carreira, vinda ao Brasil e inspirações do músico moderno.
De Curaçao para o mundo
Nick de Angelo: Hey! Aqui é o Nick da Woo! Magazine, muito prazer em conhecer vocês. Então, antes de tudo, gostaria de agradecer por nos conceder essa entrevista e desejar a melhor das sortes para ambos no show que vocês vão fazer daqui a pouco [no The Town].
Eu já vi essa pergunta ser feita antes, mas agora depois de tantos anos, muitos poderiam dizer que trabalhar com família pode ser um pouco estressante. Qual é a receita para manter um bom equilíbrio entre trabalho e família?
Andy Sherman: A coisa mais importante é honestidade com o outro; nós meio que temos nossas regras: precisamos comer, e precisamos dormir. [Porque] do momento que a gente não dorme ou come o bastante…
Dorothy Sherman: E também respeitar limites!
A.S.: Sim!
N.A.: Continuando em assuntos familiares: vocês sempre falaram que o contexto familiar teve um papel muito importante em influenciar a carreira e estilo de vocês, e há pouco vocês colaboraram com seu pai em um de seus últimos lançamentos — como em “Can’t Let Go“. Como esse terceiro “novo” denominador afetou a produção de sua música?
A.S.: Ah, acho que todos, até mesmo com a linha de baixo que toco de forma similar com o tipo de som que eu costumava ouvir meu pai tocando e tocando repetidamente. E é engraçado, porque agora que escuto às produções antigas do meu pai eu ouço tanta coisa que eu mesmo faço, como a forma que ele estrutura suas canções, sua linha de baixo, os acordes. E é quando eu ouço a elas que eu percebo: “ah, então é daí que veio”. Quando cantamos… é definitivamente de onde vem, sem nos ocorrer que estamos pegando coisas do passado.
D.S.: É com tudo que fazemos, basicamente… até seus visuais [ambos riem]. É em tudo.

N.A.: Das origens do Shermanology até hoje muito mudou na forma em como as pessoas se relacionam e se conectam com música. Como vocês se mantêm atualizados com a cena musical e o que mudou na sua relação com os fãs?
D.S.: Ah, a gente… se atualiza? [risos]. Não sei [Andy repete], porque eu me distancio completamente de tudo que está rolando e deixo minha vida seguir por ela mesma [risos]. Sim, pra mim é isso… mas é claro que a gente escuta as canções que bombam e vemos se podemos encontrar algo que gostamos e… encontrar nossa própria versão.
A.S.: Sim, como na nova música que vamos lançar amanhã, “Hijos de la noche“, na qual como com a Dorothy vai encadeando a letra à sua forma.
D.S.: É, acho que é o perfeito exemplo de ouvir algo que nós— é, e [dizer] eu gosto disso.
A.S.: Quando ouço o que produzimos, sempre escuto essa combinação de “newschool” e “oldschool” combinados naquilo que a gente faz.
N.A.: Experimentação parece ser um bom aspecto definidor de vocês. Vocês tem alguma história dos últimos lançamentos de inspiração vindo de alguma outra fonte que não a música? Como literatura, cinema, programas de TV, filmes, etc.
D.S.: Hmmm…
A.S.: Maneiro! Boa pergunta.
D.S.: Boa pergunta! [risos] Deixe eu pensar a respeito… eu não sei. Acho que coisas como “Dreamgirls — Em busca de um sonho” me inspiraram bastante quando o assunto é grandes vocais, acho? Mas isso é o que consigo pensar de sopetão.
A.S.: Acho que a gente não lê muito. [risos]
D.S.: Não, não lemos. [risos]
A.S.: Não… a gente gosta de arte, e vemos um monte de artistas urbanos por aí mas eu não consigo dizer mesmo se isso se traduz para a música.
D.S.: É, eu não sei.
A.S.: Hmm!
D.S.: Hmm!
A.S.: Boa pergunta.
D.S.: A gente devia investigar isso mais a fundo.
A.S.: A gente devia investigar isso mais a fundo.
N.A.: No seus tempos livres, que tipo de produções — e falo de arte de maneira ampla — seus fãs não imaginam que vocês gostam? Sem travas para mencionar “guilty pleasures” [risos].
D.S.: Okay, hmm… Escuto bastante afro, vibes afro, mas também… gosto bastante de escutar R&B, então esses são os dois gêneros que mais curto.
A.S.: Hmm… Escuto bastante Newschool Jazz, como esse cara que escuto bastante chamado Robert Glasper; ouço bastante ele. Minhas playlists favoritas têm Newschool Jazz, e é isso que eu recebo no meu resumo anual do Spotify, das coisas que escuto, é este tipo de Jazz de cabo a rabo.
N.A.: Então não grandes surpresas, imagino, huh?
D.S.: Yeah, acho que não! [risos]
N.A.: Para acabar, como vocês passeiam por muitos gêneros — para mencionar na minha favorita pessoal “Tell you what it is” — que tipo de novos desafios vocês ainda gostariam de tentar e o que podemos esperar do som de vocês nos próximos meses?
D.S.: Novos desafios, huh?
A.S.: Acho que pra gente os nossos últimos anos eu diria que tem sido sobre “produções rápidas”, entende? Meio que fazemos uma faixa em alguns dias, trabalhamos nela, lançamos, e então acho que agora é hora de ir mais fundo e procurar projetos maiores, como colaborar com outros músicos, grandes coros, e ver quão longe a gente consegue combinando música eletrônica com o que for que nos inspire, sim? Nós vamos ficar aqui por alguns dias no Brasil e vamos trabalhar em estúdios, e não sabemos bem ainda o tipo de coisa que vamos fazer nesse meio tempo. Então se vocês conhecem algum artista que podem dizer “ei, tem esse cara que vocês deveriam colaborar”, esse é o tipo de coisa que procuramos, colaborar com gente daqui e ver o que sai!
N.A.: Sim, totalmente, vejo super vocês colaborando com algo daqui do tipo funk, black music, funk carioca, sabe?
A.S.: Veja bem! (risos) Se você me der um nome de artista disposto, vamos fazer! Manda ver.
N.A.: Com certeza! Muito obrigado mais uma vez pela entrevista, por reservar seu tempo, foi um prazer ter tido essa oportunidade, galera. Obrigado.


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