Programação gratuita reúne três curtas-metragens que refletem sobre os campos de futebol, a relação com os territórios e as memórias construídas pela comunidade
Existe um tipo de futebol que raramente aparece nos grandes estádios, nas transmissões esportivas ou nas manchetes dos jornais. Ele acontece em campos de terra, gramados improvisados, bairros afastados e espaços que muitas vezes sobrevivem entre o abandono e a ameaça de desaparecer.
É esse futebol que estará no centro de uma sessão especial de cinema em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no dia 25 de julho de 2026.
A programação reúne três curtas-metragens que se aproximam de temas como futebol, memória, identidade, território e pertencimento: “Várzea“, “Entre Linhas: do Futebol e da Geografia” e “Barcelona Meu Amor“.
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A sessão acontece das 18h às 20h, no Cine Escola Duque de Caxias, antigo Cinema da Unigranrio, e reunirá moradores da região, equipes dos filmes, convidados e pessoas envolvidas nos projetos.
Mais do que uma exibição, a proposta é criar um encontro entre cinema e comunidade a partir de histórias que passam pelos campos, pelas ruas e pelas memórias de quem vive o futebol amador.
Quando um campo de futebol também guarda a memória de um bairro

Entre os filmes da programação está “Várzea“, curta-metragem documental escrito e dirigido por D’Andrade, com produção da Wallaroo Corp..
A obra acompanha a realidade dos campos de futebol de várzea de um bairro de Duque de Caxias a partir do olhar do próprio diretor, que também é jogador e o único atleta assumidamente gay de um time local.
O filme parte de uma transformação que pode ser percebida em diferentes regiões: o desaparecimento dos campos de várzea.
Com o avanço da urbanização, o abandono e a mudança na ocupação dos espaços, áreas que durante décadas serviram como locais de lazer e convivência deixam de existir. Mas, quando um campo desaparece, não é apenas um espaço esportivo que some.
Também desaparecem histórias. Amizades. Rivalidades. Domingos inteiros. Memórias de infância.
Para muitas comunidades, o campo de futebol foi durante muito tempo uma das poucas áreas de lazer disponíveis. Um espaço onde diferentes gerações se encontravam e onde o futebol funcionava como uma forma de convivência e expressão.
Por isso, “Várzea” olha para o futebol muito além do resultado de uma partida.
O futebol periférico como memória e expressão

A partir de imagens de arquivo, entrevistas e registros do cotidiano, o documentário acompanha a relação entre os jogadores e os espaços onde suas histórias foram construídas.
O futebol de várzea aparece como uma expressão cultural profundamente ligada ao lugar.
Não se trata apenas de quem joga ou de quem vence. Trata-se também de quem assiste, de quem organiza, de quem cuida do campo e de quem cresceu naquele espaço.
Nesse contexto, a presença de D’Andrade também amplia a discussão do filme. Ao acompanhar a experiência de um jogador gay dentro do futebol amador, a obra observa como identidade, pertencimento e convivência se cruzam dentro de um ambiente historicamente marcado por padrões de masculinidade.
O campo, nesse caso, deixa de ser apenas cenário. Ele se torna personagem.
Três filmes, diferentes formas de olhar para o futebol


A sessão também contará com a exibição de” Entre Linhas: do Futebol e da Geografia“, dirigido por Guilherme Leopoldo e Lucas Bussi.
Com 15 minutos de duração, o filme propõe uma reflexão sobre a relação entre o futebol e os espaços onde ele acontece. A obra amplia o olhar para a forma como o esporte se relaciona com o território e com as diferentes maneiras de ocupação social.
Já “Barcelona Meu Amor“, dirigido por Arthur Gustavo e Thales Feliphe, completa a programação com uma nova perspectiva sobre futebol, paixão e pertencimento.
Juntos, os três curtas constroem uma sessão que apresenta diferentes maneiras de olhar para o esporte mais popular do país.
O futebol como memória. O futebol como espaço. O futebol como identidade. O futebol como paixão.
Cinema e comunidade se encontram em Duque de Caxias
A realização da sessão em Duque de Caxias também tem um significado especial.
Ao levar os filmes para um espaço próximo dos territórios e das experiências que inspiram parte dessas narrativas, a programação fortalece a relação entre produção audiovisual e memória local.
O cinema, nesse caso, não é só uma janela para observar outras histórias. Ele também funciona como uma forma de registrar e compartilhar experiências que já fazem parte da vida de uma comunidade.
É uma maneira de olhar para aquilo que muitas vezes passa despercebido. Um campo que está prestes a desaparecer. Uma história que sobrevive na memória de um jogador. Uma comunidade reunida em torno de uma partida. Uma paixão que atravessa gerações.
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Confira a programação
A sessão especial reúne três curtas-metragens:
- Várzea – D’Andrade | 18min25s
- Entre Linhas: do Futebol e da Geografia – Guilherme Leopoldo e Lucas Bussi | 15 min
- Barcelona Meu Amor – Arthur Gustavo e Thales Feliphe | 16 min
Serviço
Data: 25 de julho de 2026
Horário: das 18h às 20h
Local: Cine Escola Duque de Caxias, antigo Cinema da Unigranrio
Endereço: Rua Professor José de Souza Herdy, 1216 | Jardim Vinte e Cinco de Agosto, Duque de Caxias | RJ, 25071-202
Cidade: Duque de Caxias, RJ
Imagem Destacada: Divulgação/Wallaroo Corp. (Crédito: Vio Anchieta)


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