9 de dezembro de 2019

Há tempos a Broadway e os 43 teatros que fazem parte de seu extenso circuito encantam o público norte-americano, e visitantes de toda parte do mundo, com suas superproduções de musicais que chegam a ficar meses e/ou até anos em cartaz. Existem relatos de pessoas, alguns brasileiros inclusive, que viajaram para os Estados Unidos somente para conhecerem de perto a magia que ronda o local e poderem prestigiar suas montagens preferidas. – O mesmo acontece em West End, em Londres – Inglaterra, que traz um mundo de elegância através de diferentes atrações turísticas, entre elas os célebres teatros que arrebatam o público apresentações grandiosas de tirar o fôlego.

É certo que as duas áreas citadas são grandes potências em relação ao resto do mundo, mas também seria honesto dizer que vários outros países não ficam muito longe no quesito qualidade e talento, e por isso veem investindo cada vez mais em suas produções. Se fizessem uma pesquisa, seguido de uma lista, o Brasil teria lugar de destaque nessa. Diferente do que muitos possam imaginar, o teatro musical mantém uma relação antiga com o país tendo sua primeira apresentação há mais de 150 anos, precisamente em 1859, com o espetáculo de “As surpresas do senhor José da Piedade”, escrito por Figueiredo Novaes. Depois tivemos espetáculos que envolveram o nome da notória Chiquinha Gonzaga, os humorísticos trabalhos de Artur Azevedo, bem como Pascoal Segreto e Luiz Carlos Peixoto de Castro. Décadas depois, o um grande destaque para o gênero surgiu de apresentações das maravilhosas Marília Pêra e Bibi Ferreira, e, em seguida através dos textos Roda Viva, Gota d’Água, Ópera do Malandro, entre outros escritos por Chico Buarque e/ou demais artistas como forma de protestar contra ditadura.

Foto: Leo Aversa
Foto: Leo Aversa

De lá pra cá o teatro musical foi criando suas raízes, até que em 2001 uma revolução foi tomada e as produções começaram a ser produzidas ao melhor estilo Broadway e West End. “Os miseráveis”, “Chicago”, “O Fantasma da Ópera”, “Evita”, “O Rei Leão”, “Mudança de Hábito” e Vários outros passaram a ser apresentados para o público brasileiro, adaptados para nosso idioma, sem perder o alto nível técnico e artístico que já existia.

Com o passar dos anos mais versões chegaram em solo brasileiro, umas excelentes e outras que ficaram a desejar. Enquanto algumas mereciam aplausos em pé, outras nem valiam o custo do ingresso. Em meio a tudo isso, projetos originais e uma enxurrada de biografias foram sendo desenvolvidos colocando de vez o musical no gosto popular. Entre os textos biográficos, os voltados para artistas da música foram os mais produzidos devido a facilidade de repertório, uma vez que esses já estava criado. “Cássia Eller”, “Elis Regina”, “Tim Maia”, “Cazuza” e, em breve, “Renato Russo” (remontagem da peça de 2006), são só alguns dos nomes que já foram homenageados.

Hoje, São Paulo tornou-se um verdadeiro polo de musicais e a cidade do Rio de Janeiro vem caminhando rapidamente na mesma direção. Seja produtos importados, originais, biografias ou até adaptações de filmes e novelas de sucesso, se depender dos brasileiros estaremos cada vez mais próximos dos maiores produtores de teatro musical do mundo. Afinal, talento temos de sobra. E, com o andar da carruagem, isso não está muito longe de acontecer não.

Atualmente, alguns sucessos estão divertindo e sensibilizando Brasil em diversas cidades. Confira abaixo uma pequena lista de alguns:

São Paulo
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Divulgação: Wicked

 Wicked

Muito antes de Dorothy chegar (e do próprio ponto que conhecemos), duas outras garotas se conheceram na Terra de Oz. Elphaba, nascida com a pele de cor verde-esmeralda, é esperta, ardente e incompreendida. Glinda é belíssima, ambiciosa e muito popular. Essa megaprodução, que faz rir e chorar, traz à tona os segredos que levam Elphaba a se tornar uma bruxa “má” e Glinda a ganhar a simpatia dos habitantes da Cidade das Esmeraldas. Wicked, então, por meio de números e performances surpreendentes, mostra que toda história tem diversos pontos de vista e que ser diferente faz de você alguém único e extraordinário.

Os Dez Mandamentos

Depois do sucesso na televisão e no cinema, Os Dez Mandamentos ganha novo formato e chega ao teatro com um musical para toda família. Intitulada Os Dez Mandamentos – O Musical, a peça, que tem direção e coreografia Fernanda Chamma.

Cartola – O Mundo é um moinho

Com direção e encenação de Roberto Lage, dramaturgia de Artur Xexéo e Direção Musical de Rildo Hora, vai contar a trajetória de um dos maiores nomes do samba e semanalmente serão convidados cantores de renome nacional para participações especiais. Cartola, responsável pelo Bloco dos Arengueiros, cujo núcleo fundou a Estação Primeira de Mangueira em 1928, foi cantor e compositor até o fim de sua vida, em 1980. Confira aqui a nossa crítica.

Ghost – O Outro lado da vida

Ghost conta a atemporal e forte história do jovem casal, Sam Wheat e Molly Jensen, muito apaixonados, que é interrompida por um assalto que resulta na morte de Sam. Preso neste plano, o espírito de Sam descobre a verdade por trás de seu assassinato e conclui que Molly está em perigo. Enquanto ele busca mais pistas e tenta proteger Molly, ele encontra a falsa vidente Oda Mae Brown. Embora ela tenha sido uma fraude por muitos anos, Sam descobre que ela realmente pode ouvi-lo e pede ajuda para que possa se comunicar com Molly através dela e, assim, alertá-la sobre os riscos que corre.

Hoje é dia de Maria

A história da menina pobre do sertão paulista que resolve sair em busca das franjas do mar agora ganha os palcos. Adaptada por Francisca Braga do roteiro original de Carlos Alberto Soffredini, a obra aborda a cultura popular nacional contrapondo bem e mal, medo e esperança, força e tristeza. Os números de balé e as acrobacias contribuem para dar um clima lúdico à montagem, cujo repertório traz composições de Caetano Veloso, Gonzaguinha, Vinicius de Moraes, Renato Teixeira e Marisa Monte.

Rio de Janeiro
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Divulgação Love Story

SamBRA – 100 Anos de Samba

Com duas horas e meia de duração dividida em dois atos, a produção é composta de prólogo, abertura e mais 14 quadros que envolvem cerca de 70 músicas cantadas e 25 outras que ligam as canções em formato de texto. A narrativa é feita de forma quase cronológica e conta desde o registro de “Pelo telefone”, canção conhecida por ser o primeiro samba registrado do país, até a chegada do samba na Avenida, com os desfiles de carnaval.

Love Story – O Musical

Uma adaptação musical do filme de imenso sucesso da década de 70, Love Story acompanha a bela história de amor dos jovens Oliver, de família rica, tradicional e influente, e Jennifer, filha de um padeiro e estudante de música que sonha conhecer Paris e que transborda alegria e bom humor.

Meu amigo, Charlie Brown

Uma superprodução para todas as idades, ideal para as famílias. Bom para as crianças e melhor ainda para os adultos que acompanham estes personagens desde os anos 50. Uma história que celebra a amizade e traz personagens humanos, repletos de dilemas atuais que culminam em situações muito engraçadas, mas que mostram de maneira genuína que a felicidade está presente nas pequenas coisas, nos pequenos gestos. – Baseada na célebre história em quadrinhos criada pelo desenhista Charles M. Schulz em 1950 e até hoje publicada em milhares de jornais de todo o mundo.

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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