A genialidade em contraste com a simplicidade
 
Hoje nossa coluna vem com uma história de vida bem diferente. Mesmo que já tenha falecido no dia 12 de abril de 2011, o fotógrafo “mendigo”, Miroslav Tichý, passou por poucas e boas para fazer sua arte. Mesmo sendo exclusivamente para ele, suas fotografias ganharam o mundo e prêmio.
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Tichy nasceu em 20 de novembro de 1926, no território que hoje é a República Tcheca. Ele estudou pintura na Academia de Arte em Praga até o controle comunista em abril de 1945. Considerado estranho e subversivo, passou muitos anos preso e teve sua liberdade verdadeiramente concedida apenas em 1970. Em idas e vindas das prisões, vagando por sua pequena cidade em trapos, passou a coletar latas, lentes de óculos e outras coisas do lixo para montar modelos diferentes de câmera.
 
A partir daí ele começou a fotografar a forma feminina, através de janelas, grades, em piscinas e nas ruas onde se deparava algumas vezes com problemas com a polícia local. Com suas primitivas máquinas e seu censo de observação, que muitos atribuem ao voyeurismo, Tichý captou a graciosidade da mulher da época com vislumbres líricos e singulares.
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 Produzindo um trabalho pessoal, sem intenção alguma de vender e/ou expor, ele voltava todos os dias para sua casa e fazia somente uma cópia do negativo escolhido utilizando métodos de revelações tão “recicláveis” quanto sua própria câmera. O segredo de seu trabalho foi mantido por anos, até que o sobrinho de um antigo amigo de Tichý tomou conhecimento que ele ainda estava vivo e passou a visita-lo e até mesmo “salvar” as obras do temperamento singular de seu criador.
 
Desde 1981, Roman Buxbaun passou a fornecer ao “gênio” cuidados básicos para sua saúde e alimentação, além de auxilia-lo na curadoria do trabalho. Hoje, 35 anos depois, a família Buxbaun tem o maior acervo de fotografia, artes e objetos de Miroslav, mesmo que ele tenha dado inúmeras peças à desconhecidos e curiosos visitantes.
 
Roman aproveitou a convivência e gravou um documentário, “Tarzan na Aposentadoria” (tradução livre de “Tarzan in Retirement”), que foi exibido pela primeira vez durante a primeira exposição na Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Sevilla, na Espanha, e que você pode assisti-lo aqui, com legendas em inglês.
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Dois distintos modelos de câmera criado por Tichý utilizando o que encontrava pelas ruas de sua cidade.
Com o sucesso da primeira exposição, em 2005 as fotografias foram expostas em Arles, na Franca, lhe rendendo o “Prêmio Nova Descoberta” (Prix de la découverte – Discovery Award) aos 79 anos. Depois disso as obras de Miroslav começaram a rodar o mundo, sendo expostas nos Estados Unidos, Alemanha, Canadá, China, Japão, Áustria, Inglaterra, França e muitos outros países.
 
Vale citar que ainda que fotógrafo, Tichý era um artista visual tendo a pintura e a ilustração como ocupação diária. Em muitas de suas fotos ele acrescentou toque finais usando lápis, modificando-as e direcionando-as à um status de desenho.
 
O “mendigo” foi tema de seis monografias, teve sua história e obras publicadas em 13 livros, ganhou um novo filme intitulado “Miroslav Tichý: Superstar”, dirigido por Natascha Von Kopp, em 2006, e alguns de seus trabalhos podem ser vistos em 10 museus diferentes, espalhados pelo mundo. Se quiser saber mais sobre o astista/fotógrafo, você pode acessar a FanPage no Facbook, ou o site Tichyocean.com.
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Enquanto alguns fotógrafos gastam muito dinheiro na compra de seus equipamentos para tirar uma foto extraordinária, o tcheco senhor usou a simplicidade e os restos de alguém para presentear a si com retratos marcados pela sensualidade, solidão e lucidez vistas sobre a ótica de quem vagou pelas ruas observando a vida que lhe rodeava.


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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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