O mundo gira. Isso é um fato! Não fui eu quem disse. Foi Galileu Galilei. E é claro… no cara todo mundo acredita né?! O mundo gira e não há nada que você possa fazer para evitar. Daí cê tá lá sentado no sofá, de boas… e o mundo, mermão… o mundo tá fazendo um esforço enorme pra tirar esse seu corpinho molenga da frente da TV.

Eu, como não sou dessas de dar trabalho, tento me movimentar. Sigo o fluxo. E bem… tem dias que o bonde me leva pra um lugar legalzão… mas há dias… [leia aqui uma onomatopeia de suspiros]. Não sei o que acontece. Deve ser coisa de signo… peixes. [Não me recrimine!] Há dias que tende a nadar pra cima. Há dias que habita a zona abissal.

Pois é… aí tava eu nessa de “pra onde vou”, “quem eu sou”, “que que eu vou fazer da minha vida”; quando de repente o mundo olhou pra mim e disse: “É você, moça. É você que eu vou virar de cabeça pra baixo dessa vez.” E como promessa é dívida, cá estou eu. Cabeça no chão e pés nas nuvens.

O sofá é um lugar atrativo. Você senta e acha que vai ficar só cinco minutinhos. Então, vai ficando… ficando… e quando percebe, os cinco minutos magicamente se transformaram em duas, três horas. Ele é um lugar de apoio também. Quem aqui, quando criança, nunca saiu da cama e deitou no sofá pelo simples prazer de ver desenhos? E vinha lá arrastando travesseiro, lençol – edredom nos dias frios – o sofá era o lugar mais legal do universo.

Então… dia desses eu estava aproveitado os cinco-minutos-que-virariam-duas-horas, quando chegou uma mensagem no meu celular. Precisei de um tempo para ligar o nome à pessoa. E depois “o queeee?!”. Sabe aquelas pessoas que nem em um milhão de anos te mandariam mensagem?! Ela era desse tipo. Respirei fundo, contei até dez e fui cordial. Não ia ser grossa, mas nem casos normais sou simpática. Imagina agora…

Papo vai, papo vem, papo vai, papo vem…papo… foi muita informação jogada na tela do celular. Sobre gente que nem vale a pena, na verdade. Mas as denúncias eram graves. Muito! E só um café e um suco de laranja para digerir a coisa toda. E onde eu fui pensar? No sofá, óbvio!

E foi nele também que recebi outra notícia. Amigos de infância… você tem? Eu achei que tivesse. E não que alguém tenha morrido, mas viver no erro, às vezes, é pior do que enfrentar o mais fúnebre funeral. E daí um dia você percebe que: alguns amigos de infância, tem que ficar na infância. Que inimigos viram amigos e amigos tornam-se estranhos. Que segredo só é segredo quando só uma pessoa sabe – você! -; dívidas não só são feitas de dinheiro e que pessoas mentem. Pessoas próximas a ti mentem mais ainda.

Você entende que crescer dói. Que decepção vira mágoa e que mágoa silencia. E que o silêncio dos atentos pode ser ensurdecedor. Você faz a Katia cega, a egípcia. Mas sabemos o que você fez no verão passado. E agora eu sei que meu amigo de infância me vende fácil. E por quê? Por nada… não valho um tostão furado. Sem contar que traição desse tipo dói mais que de namorado.

E o mundo continuou a pegar pesado, porque não?!  Sofá e movimento de rotação são péssimos quando andam juntos. Isso porque eu não bebo. Imagina se gostasse de uns porres de vez em quando?! Aí que tudo tinha desandado mesmo.

Daí dei um basta! Comigo não, violão! Eu sei! [leia aqui a expressão de olhos semicerrados.] E agora todos sabem! Estamos de olho, meu bem. O mundo gira… foi Galileu quem disse. Ele que nos ameaça desde os tempos de outrora.  O mundo gira… gira… e como gira. E eu, bem… eu tô vendendo o meu sofá.