“Estão à procura de algo? Abram-me. Tenho certeza de que tudo aquilo que procuram está dentro de mim.”

É um trecho maravilhoso para se começar uma leitura. Poderia se tratar de qualquer livro, já que essa frase se encaixa muito bem em inúmeras situações, no entanto, está no meio das páginas de “A Misteriosa Sociedade Benedict e A Jornada Periculosa”. Um título grande que combina perfeitamente com o tamanho da aventura vivida pelos protagonistas dessa história.

São quatro crianças que se reúnem após um ano sem ver uns aos outros (há um primeiro volume onde as crianças se conhecem e vivem uma aventura juntas pela primeira vez), para matar a saudade e participar de um desafio até então desconhecido, dessa vez apenas por diversão. No entanto, isso muda quando o Sr. Benedict, o homem que reuniu os quatro amigos desaparece e, para resgatá-lo, as crianças precisam decifrar as pistar que foram deixadas para a brincadeira, agora transformada em perigo real.

Se o leitor não conhece o primeiro livro, não precisa se preocupar. O autor nos apresenta novamente às crianças, pois a habilidade e a personalidade de cada uma delas é fundamental para o desenvolvimento da história e isso não é feito de modo repetitivo. Ficamos sabendo então que as crianças são: Reynie (especialista em resolução de problemas, deduções lógicas e leitura de pessoas), Kate (atlética e habilidosa, carrega um balde com itens de emergência quase todos fabricados por ela), Constance (uma criança teimosa, mas com grande talento para criar e decifrar charadas, além de uma percepção incrível) e Sticky (possui uma super memória e lembra tudo o que lê, lembra muito o Klaus, de “Desventuras em Série“).

Quem ama a literatura infanto-juvenil irá com certeza gostar desse livro. Além de aventura na medida certa, está repleto de charadas que é impossível não ficar tentado a resolver junto com os personagens (ou até antes deles).

“ATALHO AGASALHO ATALHO AZUL ATALHO FAZER ATALHO BARULHO ATALHO VOCÊS ATALHO MOLHO ATALHO TOTAL.”

Além de crianças talentosas, somos apresentados a personagens extremamente carismáticos (alguns bem engraçados) e a alguns vilões que, apesar de um pouco caricatos (não que seja um defeito para o tipo de história), cumprem bem o seu papel de deixar o leitor aflito e são bem interessantes. Contamos também com diversos cenários que nos dão vontade de fazer as malas e viajar imediatamente para cada canto mostrado do livro (em circunstâncias diferentes das dos personagens, é claro).

Outra coisa maravilhosa desse livro são os títulos dos capítulos. A maioria é tão grande quanto o título do livro, e são sensacionais, de modo a te deixar curioso quanto ao que te espera nas próximas páginas, veja alguns: “cartas de suco de limão e decepções fundamentais”; “Sapos-boi, piratas e dificuldades técnicas”; “A velha megera, o presente suspeito e a perplexidade no castelo”; “O telefonema, o dinheiro e o envelope fatídico”.

É ou não é maravilhoso e instigante? O autor soube trabalhar cada elemento desse livro. E mesmo que algumas pistas pareçam fáceis, nem tudo é o que parece. É isso que faz com que o leitor continue interessado, esquecendo-se até de piscar por estar preso em uma leitura interessante.

Sobre as crianças, algo muito bom sobre como cada personagem foi trabalhado é que, apesar de serem dotadas de grandes habilidades e de se envolverem em situações incomuns para a sua idade, o autor não nos deixa esquecer de que são crianças, e nos faz conhecer seus medos e limitações.

Talvez esse livro te entregue alguns spoilers do primeiro se você não o leu, mas nada que tire sua curiosidade de conhecer onde e como tudo começou.

Resenha: A Misteriosa Sociedade Benedict e a Jornada Periculosa, de Trenton Lee Steward
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