10 de dezembro de 2019

Encontrar games com gráficos de tirar o fôlego não é difícil hoje em dia. A tecnologia dos consoles da atual geração, como PlayStation 4 e Xbox One nos proporcionam jogos com paisagens e personagens cada vez mais realistas. Basta pegar em títulos como “Rise of the Tomb Raider”, “Horizon: Zero Dawn”, “Forza Motorsport 7” para saber do que estamos falando. É fato: os grandes títulos de grandes desenvolvedoras prometem impressionar cada vez mais, mas nem só de gráficos ultrarrealistas é que se faz a beleza nos games.

Há jogos que conseguem, de forma muito mais minimalista, causar tanto impacto estético quanto um “Assassin’s Creed: Origins” –  seja por uma direção de arte diferenciada, por uma trilha sonora impactante… Em outras palavras: pelo bom uso de outras artes para provar o quanto jogos também os são.

Listamos alguns jogos que fogem dos padrões estéticos “triple A” (os jogos de “padrão top”, ultrarrealistas e próximos de experiências Hollywoodianas), com direito até a um futuro lançamento brasileiro que nos chamou a atenção, até outros já considerados clássicos que vocês talvez conheçam.

Okami (2006)

Desenvolvido por Clover Studio e distribuído pela CAPCOM
Plataformas: PlayStation 2, 3 e Wii; em breve para PC, PlayStation 4 e Xbox One

Sim, “Okami” não é um dos títulos mais recentes aqui, mas ainda é lembrado, onze anos depois, por sua beleza única. E se, mesmo assim, ainda há pessoas que não conhecem esta obra de arte, isto não será um problema. Um novo remaster em HD do game, lançado originalmente no PlayStation 2, será lançado em dezembro deste ano, no PlayStation 4, Xbox One e PC.

O game de aventura é completamente baseado no folclore japonês, como já se percebe visualmente, e também não deixa a dever em suas mecânicas e jogabilidade. Um clássico imperdível, e o presente de Natal para o gamer de bom gosto, neste ano.

Journey (2012)

Desenvolvido por Thatgamecompany e distribuído por Sony Computer Entertaiment
Plataformas: PlayStation 3 e 4

O belo exclusivo do PlayStation é o que o título promete. Com uma jogabilidade simples e direta, em “Journey” você explora um vasto deserto, interagindo com belas paisagens e uma trilha sonora que ajuda (bastante) a tirar o fôlego do jogador. Um bom título para viajar em outro mundo e uma prova de que nos games, às vezes menos é bem mais.

Ori and the Blind Forest (2015)

Desenvolvido por Moon Studios e distribuído pela Microsoft Games
Plataformas: Windows-PC, Xbox One

Sim, uma escolha tão óbvia quanto justa. Não tem como não falar de jogos que se destacam pela beleza sem pensar imediatamente em “Ori”. O jogo é o que chamamos de metroidvania – jogos de plataforma, com movimentação lateral, uso de diferentes armas e exploração de um mapa repleto de segredos, além de uma jogabilidade desafiante, como nos clássicos “Metroid” e “Castlevania”, de onde veio o nome deste subgênero.

Vale lembrar que na última E3 foi anunciada a sequência: “Ori and the Will of the Whisps”, com um trailer impressionante, que chamou nossa atenção.

Child of Light (2014)

Desenvolvido por Ubisoft Montreal e distribuído pela Ubisoft
Plataformas: Windows-PC, PlayStation 3 e 4, PS Vita, Xbox 360 e One

Vocês disseram “conto de fadas”? “Child of Light” tem de sobra! E não é nada maçante que nem algo da Disney, fiquem tranquilos! O game, sobre o qual já falamos no passado (não deixem de conferir), é marcante pelo visual de cenários e personagens, belamente pintados em aquarela, narrativa fantástica e uma imersiva e grandiosa trilha sonora, composta pela franco-canadense Cœur de Pirate.

Unravel (2016)

Desenvolvido por Coldwood Interactive e distribuído por Electronic Arts
Plataformas: Windows-PC, PlayStation 4 e Xbox One

O adorável plataforma e puzzle, estrelado pelo igualmente adorável Yarny, um bonequinho de lã que viaja por cenários domésticos e ao ar livre. E ele não é feito de lã só para efeitos de fofura: é aí que toda mecânica do jogo é centralizada: ele pode estender seu corpo e dar nós para alcançar plataformas e superar obstáculos. Isto também o limita, pois se seu “fio acaba”, ele precisa imediatamente achar mais lã para “dar corda” e continuar se mexendo.

Não é um jogo, no entanto, para quem não curte ter que parar para pensar “como passo disto?” Será necessário cada vez mais, conforme se avança nas fases, que o jogador pare e tente entender como usar a brilhante física de Unravel a seu favor.

Transistor (2014)

Desenvolvido e distribuído por Supergiant Games 
Plataformas: Windows-PC, Linux, OS X, iOS e PlayStation 4

Um RPG de ação, com visão isométrica e um brilhante sistema de combate: Transistor é estratégia, estética cyber-punk e uma trilha sonora incrível. O tipo de jogo cuja direção de arte nos faz pensar em Blade Runner, e ao mesmo tempo em animes da década de 1990 e 1980.

O game veio das mesmas mentes que trouxeram ao mundo o igualmente brilhante Bastion, de 2011, que também poderia tranquilamente estar dentro desta lista.

Cuphead (2017)

Desenvolvido e distribuído por StudioMDHR Entertainment
Plataformas: Windows-PC e Xbox One

Outro sobre o qual já falamos aqui na Woo!Magazine. “Cuphead” é o plataformer que faz tributo à animação dos anos 1930 e àqueles jogos de plataforma sádicos, que fazem qualquer gamer mais novo chorar, como “MegaMan”. A diferença é que “Cuphead” soube ser difícil apenas o bastante para causar um grande desafio: falhar nele não é frustrante, é motivador. E finalmente derrotar aquela fase e aquele chefe é extremamente recompensador. A trilha sonora é um jazz de frenético, feito de forma que pode cativar até os estranhos ao gênero musical.

To The Moon (2011)

Desenvolvido e distribuído por Freebird Games
Plataformas: Windows-PC, OS X, Linux, Android e iOS.

Lenços. Fones. Prontos? “To The Moon” é um jogo desta lista que não tem gráficos necessariamente deslumbrantes. Pelo contrário, ele é basicamente um tributo a era 16-bit. Não que o jogo seja feio, muito pelo contrário! Mas sua beleza é algo maior do que vemos. É sua narrativa e a imbatível trilha sonora, comandada pelo piano e pelas emoções despertadas por memórias do passado exploradas ao longo da jornada.

Neste jogo, acompanhamos dois cientistas que entram na mente de um “paciente” (sim, algo meio “Matrix”), para refazerem seu passado e completarem seu sonho… de chegar à Lua. Para contrapor a melancolia da história, o jogo é colorido, além da dupla de cientistas que controlamos nos renderem vários momentos engraçados. É um jogo majoritariamente de exploração e observação, quase um “filme interativo”. Não há combates nem nada do gênero, o que não o torna menos imperdível.

Limbo (2010)

Desenvolvido e distribuído por Playdead 
Plataformas: Windows-PC, OS X, Linux, Android, iOS, SteamOS, Play Station 3, PS Vita, Xbox 360 e Xbox One

Com gráficos relativamente minimalistas e muito contraste entre luz e sombra, para desenhar um mundo assustador, talvez “Limbo” seja o jogo mais “pesado” nesta lista. Outro jogo misto entre plataforma e quebra-cabeça, no qual um protagonista indefeso (uma criança) encara ambientes hostis e criaturas noturnas, que prometem uma morte grotesca, caso te alcancem. Não é para os fracos de coração, nem para os fracos de joystick.

Never Alone (2014)

Desenvolvido por Upper One Games e distribuído por E-Line Media
Plataformas: Windows-PC, OS X, Linux, PlayStation 3 e 4, Wii U, Xbox One, iOS e Android

“Never Alone” é mais um plataforma-puzzle, baseado no folclore Iñupiaq – uma tribo esquimó, nativa do Alasca. Além de toda a jornada, da protagonista Nuna e sua raposa, o jogo também nos presenteia, conforme avançamos, com excelentes trechos de um documentário, feito exclusivamente para o jogo, que explica melhor a vida dos Iñupiaq que inspiraram o jogo. Um game com valor antropológico, jogabilidade inteligente e simples, que ainda nos põe para refletir sobre o impacto do homem no meio ambiente, e nossos valores de vida, como adeptos da “cultura de massa” ocidental.

Extra: White Lie (previsto para 2019)

Desenvolvido por Ambize Studio

Para encerrar esta listona, um jogo extra: “White Lie”.  Trata-se de um game brasileiro, ainda em desenvolvimento, que precisará da nossa ajuda para ser lançado. E o jogo não está aqui só por ser material nacional, mas porque eles definitivamente querem fazer jus ao que chamamos de game-arte! Tem gráficos diferenciados, tem trilha sonora e histórias comoventes, sim!

A história é centrada em Greg, um coelho de pelúcia que entra numa jornada para reencontrar sua dona, explorando memórias no que parece lembrar bastante o hit indie, “To The Moon”, que também foi listado acima.

Vocês poderão conhecer melhor “White Lie” e contribuir com o crowdfunding AQUI.

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Cesar Rezende

Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

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20 thoughts on “10 Games que se destacam pela Arte

  1. Eu já assisti a um breve gameplay de “Limbo” e foi o suficiente pra me deixar com vontade de jogar, por ser tão dark e interessante. Já joguei “Badland” no Android, que é bem parecido e muito legal. Esses dias tive a oportunidade de jogar “Horizon: Zero Dawn” e percebi como é MARAVILHOSO um game que tenha esse tipo de beleza. Desses da lista em interessei por Ori and the Blind Forest, tenho muita vontade de jogar Unravel e Journey também. O Cuphead queria demais!!! Never Alone me parece profundo, talvez seja por causa da imagem, amei a raposa olhando pra personagem ♥

    Queria conseguir apoiar o White Lie, vi esses dias lá no Catarse e até coloquei nos favoritos.

    1. Bem sério, Yuri, muito feliz que vc viu tanta coisa que te interssou na lista!
      E o mais legal desses jogos serem feitos geralmente por estúdios menores (ou divisões de grandes estúdios) é que sempre são mais baratos!

  2. Já joguei Child Of Light, Ori, Limbo, Never Alone e Journey, e sem sobras de dúvidas, Child Of Light é um dos mais bonitos, na minha opinião, tanto em questão de gráficos quando em questão de enredo. A forma que o jogo se desenvolve em formato de poema, o fato dele ser todo “pintado a mão”. É íncrivel.

    Acho válido fazer uma menção honrosa a Life Is Strange, por mais que não tenha um dos gráficos mais impressionantes, a fotografia, a direção de arte e a trilha sonora do jogo impressionam muito, as cores são bem trabalhadas, o posicionamento de câmera é extremamente calculado, tudo para dar a melhor experiência ao jogador, trazer ao jogador os sentimentos que as personagens estão passando. E as músicas… ah, as músicas… É a melhor trilha sonora de game que já joguei.

    1. Max, Life is Strange só não entrou na lista por “falta” de espaço, mas certamente foi um dos mais cogitados! O jogo é quase um filme interativo, e embora só tenha parado pra jogar esta semana, terminei o primeiro capítulo e estou pasmo com tudo que vc mencionou. Quando tocou “Crosses” dentro do jogo eu quase caí da cadeira (história verídica, porque sou desses que se empolga demais).

  3. Wowww Que gráficos lindos!
    Eu não sou de jogar, meu boy que ama, mas realmente, fiquei com vontade de ficar assistinfo alguem jogar esses ai só pra ficar admirando hahahaha
    Outro dia meu boy me mostrou um com o gráfico super legal, mas eu não lembro o nome… kkk
    Vou mostrar esse post pra ele 😀

    1. Vou ficar muito feliz, de verdade se você o mostrar o post! O mais legal dos jogos nessa lista é que justamente podem chamar a atenção até dos “não-gamers”, porque muita coisa aí parece simplesmente uma pintura interativa! Mas não se intimide de experimentar um desses ou outros jogos um dia! Alguns na lista estão disponíveis até para celulares!

  4. Dentre esses citados, acredito que Never Alone seja o meu amorzinho! Lembro de jogar e ficar encantada com o game, tanto por causa da história e dos personagens como também por causa da arte que é incrível. É um jogo lindo em todos os sentidos, né? Comecei o Limbo, mas, ainda não tive a oportunidade de terminá-lo. Mas, chega a ser quase impossível não se apaixonar pela temática dark e simples do game, isso tudo faz com que você se sinta ainda mais imerso na história, criando uma experiência sensacional.
    Vi nos comentários acima que citaram Life Is Strange, um dos meus favoritos, e concordo. A fotografia, as cores, as músicas, tudo se conectam de uma maneira impressionante com a história. Também vi que você está jogando, aconselho a ficar com lencinhos a cada episódio explorado. Fiquei em prantos no final e em várias partes do game (em uma específica até me deu crise de choro). Espero que você adore ainda mais a Max e Chloe. ♥

    1. Life is Strange tá muito promissor! E adorei que você conhece vários da lista! Eu conversei com muita gente que curte jogos pra montar algo que fugisse só do que eu gostava, então ver outras pessoas reconhecendo alguns títulos é gratificante demais, obrigado.

  5. Cesar, eu confesso que já não sou dos games há um bom tempo. Mas a sua lista me deixou com aquela vontade de conferir todos. Tanta coisa interessante que fica difícil dizer qual tem a arte mais bela. E isso só pelas imagens dos post. Fico imaginando como será jogar. Da lista, Unravel, Never Alone e Journey foram os que mais me chamaram atenção.

    1. Uma boa dica é catar vídeos de gameplay de cada jogo que te interessar mais! (Embora isso seja uma preferência pessoal que tenho, te dou a dica de pegar gameplays SEM COMENTÁRIOS/NARRAÇÃO porque elas interferem muito para que você compreenda a experiência que cada título quer propor, ainda mais nos 11 games desta lista que pretendem todos serem imersivos.)

  6. Limbo e Journey tem estéticas que considero além de linda muito filosófica. Gosto do estilo anos 30 de Cuphead, assim como do Bendy and the Ink Machine. Outro que gosto de olhar é o Neverending Nightmares. Não jogo nada, mas adoro um gameplay, kkkk.

    1. Eu honestamente fico muito feliz que você se interessou pelos títulos, Nilda! Creio que Journey é um ótimo começo, que vale a pena ser conferido! Se você quer algo mais como uma história interativa, fique com Life is Strange, que muita gente nos comentários acima sugeriu pra lista (e que por pouco não entrou, quando fiz a seleção dos títulos).

  7. Amei as artes dos games que você apresentou aqui. Essa do Cupheads é muito linda, curto essa pegada dos anos 30 que eles usaram para fazer o game. Um game visualmente bonito dá até mais vontade de jogar, né?
    Beijos
    Mari

    1. Grande abraço, Mari! Cuphead é bem difícil, mas a pegada da estética nos anos 30, inclusive desenhando e animando os personagens como antigamente, é simplesmente inovadora!

  8. Oi, tudo bem? Gente os gráficos são realmente incríveis. Confesso que não conhecia nenhum deles mas fiquei curiosa pra jogar Limbo. Esse contraste entre as cores me fez lembrar muito da fotografia. Nos últimos tempos devido ao TCC tenho jogado apenas Xadrez então não há gráfico para analisar (risos). Mas já joguei Need for speed, Super Mario, Pac man, CS, preciso voltar a praticar. Beijos, Érika =^.^=

    1. Eu tô me preparando psicologicamente pra sacrificar meus games quando chegar minha fase de TCC. Inclusive, pretendo abordar o universo gamer! Muita sorte aí no teu, Erika! E ficam as dicas pra quando você voltar aos jogos!

    1. A maioria dos títulos aí são para PC, Bia, e geralmente são bem mais baratos que suas versões nos consoles! Embora “Cuphead” seja difícil, e eu não costume recomendá-los para iniciantes, eu até me pego pensando que lá na minha infância, anos 90, eu jogava coisas nesse nível de boa, então, quem sabe vc não curte?

      Abração!

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