As novelas brasileiras são uma tradição entre o telespectadores, e muitas delas se tornaram atemporais
Reunimos 10 novelas brasileiras que provaram que o Brasil quando se trata de teledramaturgia dá uma verdadeira aula. Produções que marcaram a memória do público, se tornaram atemporais e apresentaram personagens que viraram verdadeiros ícones da televisão brasileira.
1. Roque Santeiro e a “viúva Porcina”(TV Globo) –1985

A novela “Roque Santeiro” chegou com uma proposta considerada bem polêmica entre os meados de 1985 e 1986. Baseada na peça teatral “O Berço do Herói”, escrita em 1965 por Dias Gomes, também autor da trama, a novela foi desenvolvida em parceria com Aguinaldo Silva.
Dez anos antes , em 1975 Roque Santeiro quase estreou na TV Globo mas foi censurada pela ditadura militar no próprio dia da estréia A emissora recebeu um ofício do DOPS proibindo a exibição da novela após uma escuta telefônica envolvendo o autor Dias Gomes. Na conversa, ele afirmava que a trama era uma adaptação disfarçada da peça “O Berço do Herói”, obra já proibida pelos militares. Na mesma noite, durante o Jornal Nacional, Cid Moreira anunciou ao vivo que a estreia da novela havia sido cancelada.
Em 1985 ela veio com o enredo reformulado, a história se passa na cidade ficticia Asa Branca.
Dezessete anos antes, antes dos acontecimentos principais da trama, o coroinha Luís Roque Duarte intepretado por José Wilker e conhecido como “Roque Santeiro” — por esculpir imagens sacras — teria morrido ao defender a população dos capangas de Navalhada, personagem interpretado por Oswaldo Loureiro, que havia invadido a cidade.
“Roque Santeiro” foi santificado pelo povo local, que atribuia milagres á sua imagem,enquanto outros moradores buscavam até mesmo a sua canonização.

O personagem acabou se tornando uma verdadeira lenda popular e fazendo a cidade fictícia Asa Branca prosperar através de sua história de heroísmo e devoção. Porém, toda essa fama despertou o interesse de pessoas que passaram a se aproveitar financeiramente da situação. Mas, para o desespero de muitos, Roque estava vivo e retornaria à cidade decidido a colocar o fim no mito que atribuíram a sua própria imagem.
Os representantes das forças políticas, religiosas e econômicas de Asa Branca se dividem entre os que defendem que a verdade deve ser revelada e os que querem manter a farsa porque lucram com ela.
E é justamente nesse ponto que a novela já inicia sua forte crítica social, abordando temas como manipulação da fé, interesses políticos, corrupção e a exploração da população em benefício próprio.
A novela se destacava também por seu forte apelo sensual, através da personagem de Regina Duarte, a viúva Porcina , suposta viúva de “Roque Santeiro”, casada com o fazendeiro Sinhozinho Malta ou Chico Malta, interpretado por Lima Durte, Porcina se tornou uma das figuras mais marcantes da teledramaturgia brasileira e que até hoje é lembrada com carinho pelos fãs da novela por ter roubado a cena em muitos momentos. Uma personagem que apesar de ter forte apelo sensual era uma mulher persuasiva e inteligente, que se apresenta como a viúva de Roque. Ela é uma personagem central que manipula a situação em Asa Branca para seu benefício, aproveitando-se da lenda de Roque para ganhar fama na cidade e poder .
Segundo dados do Wikipédia, a audiência de “Roque Santeiro” na média geral chegou a 74 pontos, e no seu último capítulo histórico foi a novela de maior audiência da TV Globo, chegando a marcar 96 pontos com picos de 100.
Na primeira reprise, em 1991, a audiência correspondeu de forma bem satisfatória, marcando 36 pontos. A novela “Roque Santeiro” é atemporal e lembrada diariamente pelos fãs seja através das reprises na televisão ou pelo streaming no Globoplay.
2. Vale Tudo e a vilã icônica Odete Roitman (TV Globo) – 1988

Com 204 capítulos exibidos em 1988 na faixa das 20h, a versão original de “Vale tudo” chegou prometendo ser uma daquelas novelas capazes de prender o público na frente da televisão e realmente conseguiu. A trama marcou a história da teledramaturgia brasileira com personagens que ficaram eternamente na memória afetiva dos telespectadores, como Raquel, Maria de Fátima, Heleninha Roitman, Solange Duprat e tantos outros nomes que se tornaram grandes destaques da novela.
“Vale Tudo” foi uma novela criada e escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, teve direção de Dennis Carvalho, também diretor geral, e Ricardo Waddington.
Com uma crítica social que é atemporal sobre desigualdade social, corrupção e a falta de ética no final dos anos de 1980 no Brasil, Vale tudo mostrou o quanto esses problemas estavam enraizados na sociedade brasileira através dos desenvolvimentos de seus personagens e conflitos.
A história gira em torno da humilde e trabalhadora Raquel, interpretada por Regina Duarte, que, após depois ser abandonada pelo seu marido Rubinho, vivido por Daniel Filho, vai morar com o seu pai, Salvador, interpretado por Sebastião Vasconcelos, em Foz do Iguaçu junto com sua ambiciosa filha Maria de Fátima, personagem de Glória Pires.
Maria de Fátima sempre teve horror a pobreza, chegando a falar palavras dura para a própria mãe. Ambiciosa e determinada, estava disposta a fazer qualquer coisa para conquistar seus objetivos e alcançar a riqueza.
Sua família possuía apenas um único bem: a casa onde viviam, que estava localizada em um bom bairro. Para protegê-la, seu avô colocou o imóvel no nome de Maria de Fátima, acreditando que ela cuidaria e preservaria o patrimônio. Porém, a ambição de Maria de Fátima foi maior que o amor pela familia: após a morte de seu avô, Maria de Fátima vendeu a casa onde viviam sem comunicar a sua mãe e foi para o Rio de Janeiro a fim de conquistar o seu objetivo e ter uma vida melhor.
No Rio de Janeiro, Maria de Fátima conhece o ex-modelo de prestígio Cesár Ribeiro, intepretado por Carlos Alberto Ricceli, que devido aos altos e baixos de sua carreira acabou se tornou garoto de programa. Ao lado de Cesár, Maria de Fátima passa a aplicar diversos golpes para subir na vida, e um dos principais planos da dupla era seduzir o milionário e poderoso Afonso Roitman, vivido por Cássio Gabus Mendes, uma estratégia, inclusive, incentivada por Cesár.
É através dele que Maria de Fátima conhece Solange Duprat, personagem interpretada por Lídia Brondi, produtora de moda da revista Tomorrow, Solange era namorada de Afonso Roitman, e uma mulher bem-sucedida profissionalmente,moderna e independente — características que geravam em Maria de Fátima uma profunda inveja, já que Solange representava exatamente tudo aquilo que ela sonhava conquistar.

Ao se fingir amiga de Solange, Maria de Fátima se torna ainda mais próxima de Afonso, o que facilita o seu plano, mas ela não contava com um detalhe — a mãe de Afonso, a poderosa e diretora da companhia aérea TCA, Odete Roitman, interpretada pela consagrada atriz Beatriz Segall.
Odete Roitman era uma mulher extremamente dificil de lidar. Arrogante, manipuladora, e controladora, costumava inteferir diretamente na vida dos próprios filhos para que tudo acontecesse conforme as suas vontades. Com fortes traços narcisistas, Odete tratava os empregados com desprezo, se considerava superior a todos ao seu redor e demonstrava um enorme desgosto pelo Brasil, fazendo críticas duras e constantes ao país.
Ao não aprovar o relacionamento de Afonso com Solange Duprat, Odete acaba se aproximando de Maria de Fátima, identificando nela a mesma frieza e ambição que admirava, passando a apoiá-la e facilitar ainda mais o relacionamento entre Maria de Fátima e Afonso, fortalecendo a aliança entre as duas ao longo da trama.
No decorrer da trama, diversas histórias paralelas também conquistaram o público com enredos fortes e grandes cargas dramáticas, como a luta contra o alcoolismo enfrentada por Heleninha Roitman, e a trajetória de Raquel no Rio de Janeiro. Após ser traída pela própria filha, Raquel recomeça a vida em uma cidade desconhecida, enfrentando desafios pessoais e profissionais enquanto constrói uma nova história com a ajuda dos amigos que conhece ao longo do caminho enfrentando também um longo desprezo da própria filha ao tentar esconder suas origens humildes para manter a imagem sofisticada que tanto desejava construir.
Mas quem realmente roubou a cena em “Vale tudo” foi Odete Roitman. A personagem marcou definitivamente a carreira de atriz Beatriz Segall, sendo lembrada constatemente pelos fãs até os dias atuais, se tornando uma das vilãs mais icônicas da TV Brasileira.
Para muitos fãs de novelas, Odete permanece insuperável quando o assunto é antagonista marcante.

Assim como Maria de Fátima, interpretada brilhantemente por Glória Pires, Odete Roitman se transformou naquele tipo de vilã que o público adorava odiar — cruel, manipuladora e ao mesmo tempo fascinante de acompanhar em cena.
A morte de Odete Roitman e a revelação de quem a matou literalmente pararam o país.
Milhões de brasileiros corriam para casa iam após o trabalho para acompanhar os capítulos finais da novela, enquanto famílias inteiras se reuniam em frente a televisão tentandos descobrir quem havia cometido o crime. Nas ruas, escolas, escritório e rodas de conversa não se falava em outra coisa além da pergunta que marcou a televisão brasileira: “Quem matou Odete Roitman?”.
O mistério mobilizou o Brasil de forma histórica, gerando bolões, concursos e até apostas no jogo do bicho, envolvendo milhões de pessoas que tentavam adivinhar o culpado. Apenas 5% dos palpites acertaram que Leila era a responsável pela morte da vilã. Após o crime, Leila e Marco Aurélio fogem do país, encerrando suas participaçõe na trama e reforçando um dos principais temas abordados em “Vale Tudo”: a impunidade e as falhas morais da sociedade brasileira.
Segundo a Wikipédia, a media geral do ibope de “Vale Tudo” alcançou a marca de 61 pontos, ocupando a 8°colocação entre as novelas de maior audiência da história da Globo .
Já o capítulo da morte da vilã Odete, exibido no dia de Natal, chegou a impressionantes 81 pontos de audiênca, consolidando o fenômeno cultural que a novela se tornou no Brasil.
“Vale tudo” ganhou um remake em 2025 na TV Globo, desenvolvido pela roterista Manuela Dias e dirigido por Paulo Silvestrini, uma adaptação que tentou manter a essência da versão original mas adaptando para a geração atual e a linguagem modernizada.
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3. Pantanal e Juma Marruá : a personagem que hipnotizou o Brasil nos anos 90 (Rede Manchete) – 1990

Elegida pela Revista Quem em 2016 como a 4° melhor novela da televisão brasileira, ficando atrás apenas de “Avenida Brasil”, “Roque Santeiro” e “Vale tudo”, “Pantanal” teve uma proposta bem ousada e trouxe um retorno financeiro enorme para extinta Rede Manchete nos anos 90 .
Exibida pela Rede Manchete em 1990 com 216 capítulos, “Pantanal” foi escrita por Benedito Ruy Barbosa, com direção de Carlos Magalhães, Roberto Naar e Marcelo de Barreto além de direção geral de Jayme Monjardim.
Com o elenco de peso como: Claúdio Marzo, Cristiana Oliveira, Marcos Winter, Jussara Freire, Marcos Palmeira, Luciene Adami, Ângela Leal, Ângelo Antônio, Giovanna Gold, Antônio Petrin e Paulo Gorgulho nos papéis principais, a novela se transformou um dos maiores fenômenos da dramaturgia brasileira.
A trama conta a história de Zé Leôncio interpretado por Paulo Gorgulho na fase jovem da novela, e posteriormente por Cláudio Marzo, na fase adulta. Filho de Joventino, Zé Leôncio chegou ao Pantanal ainda jovem, onde a família começa a construir um império rural baseado na criação de gado. Zé Leôncio e seu pai costumavam caçar marruás, um tipo de boi selvagem que viviam em liberdade pelas matas da região — aumentando, assim, o rebanho na fazenda.
Durante uma viagem de Zé Leôncio com os peões da comitiva, ele pede para que seu pai não saia sozinho para caçar marruá. Porém, Joventino decide ir mesmo assim e desaparece misteriosamente na imensidão do Pantanal. Quando Zé Leôncio voltou de viagem e ficou sabendo do ocorrido prometeu que ia trazer marruá no laço todos os dias,mantendo viva a esperança de encontrá-lo novamente.
Anos depois, Zé Leôncio já rico e dono de uma grande fazenda, viaja para o Rio de Janeiro para cobrar uma dívida e acaba conhecendo a mimada Madeleine, vivida por Ingra Liberato na primeira fase e Italla Nandi na segunda, adulta.
Madeleine vinha de uma família da alta sociedade carioca, mas vivia apenas de aparências. Seu pai, Antero, interpretado por Sérgio Britto, era viciado em jogos e, aos poucos fazia com que a familia perdessem os status e ficasse mais próxima da falência. Diante da situação financeira desesperadora, Antero aceita o casamento da filha com Zé Leôncio em troca de dinheiro para tentar resgatar tudo o que perdeu .
Após o casamento, Madeleine se muda para o Pantanal ao lado do marido e acaba engravidando. Porém, acostumada ao luxo e à vida na cidade grande,ela encontra enormes dificuldades , para se adaptar á rotina simples e isolada da fazenda.
Durante uma viagem de Zé Leôncio, Madeleine com a ajuda de seu amigo Gustavo, vivido por José de Abreu, foge para o Rio de Janeiro levando consigo seu filho recém-nascido.
Arrasado, Zé Leôncio tenta recuperar o filho, mas não consegue. Com o passar do tempo, acabada aceitando que o menino seja criado longe dele, na cidade grande.
Vinte anos depois, seu filho, Jovenito Neto, connhecido como Jove, vivido por Marcos Winter, decide ir ao Pantanal conhecer seu pai. O reencontro dos dois é marcado por conflitos culturais , pensamentos completamente diferentes e constantes discordâncias. Criado na cidade grande, Jove estranha a vida simples, bruta e isolada do Pantanal, enquanto José Leôncio não consegue compreender o jeito moderno e urbano do filho.
A vida de Jove muda completamente no Pantanal quando ele conhece a selvagem Juma Marruá, interpretada brilhantemente por Cristiana Oliveira. Juma foi criada de forma selvagem no Pantanal por sua mãe, Maria Marruá, vivida por Cássia Kiss, conhecida pela lenda de se transformar em onça quando ameaçada.
Ao ser levada por Jove para o Rio de Janeiro, Juma também enfrenta dificuldades para se adaptar à vida na cidade grande. O amor que sente por ela acaba transformando a visão de mundo de Jove, que retorna ao Pantanal disposto a se aproximar do pai e viver ao lado de Juma, tornando-se, aos poucos, um verdadeiro peão pantaneiro.
Além da trama central de Jove e Juma, a novela também contou com algumas tramas parelelas marcantes como a misteriosa figura do Velho do Rio — interpretado por Cláudio Marzo —, que surgiu como uma entidade protetora do Pantanal e carregava fortes elementos espirituais e místicos, o relacionamento de Guta e Marcelo, que causou impacto por envolver um segredo familiar revelado ao longo da história, e muitas outros outros enredos cheios de suspense,drama,vingança e conflitos familiares.
“Pantanal” foi um enorme sucesso de audiência, com Cristiana Oliveira se tornou a queridinha dos telespectadores da época graças ao seu personagem icônica Jumá Marruá. Não apenas ela, mas também o casal Jove e Juma conquistou o público brasileiro e permanece até hoje na memória afetiva nos fãs da novela. A trama marcou profundamente a carreira dos atores e ajudou a transformar os personagens os verdeiros ícones da televisão brasileira.
Graças ao enorme sucesso de “Pantanal”, a Rede Manchete chegou a ultrapassar a audiência da Globo em diversos momentos,principalmente durante a exibição da linha de shows e da novela “Araponga”. O fenômeno foi tão grande que a TV Globo precisou esticar os capítulos da novela “Rainha da Sucata”,na tentativa de segurar o público e evitar que os telespectadores mudassem de canal para assistir a trama da Manchete.
A trama atingiu a média geral de 22 pontos, um marco histórico da emissora.
Assim como “Vale Tudo”, “Pantanal” também ganhou um remake em 2022, desenvolvido por Bruno Luperi e dirigido por Rogério Gomes e Gustavo Fernandes. A nova versão foi bem recebida pelo público, que pôde reviver a nostalgia e matar a saudade de personagens icônicos que marcaram a versão original exibida nos anos 90.
4. Rei do Gado e o romance inesquecível de Bruno Mezenga e Luana – (TV Globo) 1996

Desenvolvida por Benedito Ruy Barbosa com a colaboração de suas filhas Edmara Barbosa e Edilene Barbosa, foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho, Carlos Araújo, Emilio Di Biasi e José Luiz Villamarim, o núcleo e a direção geral foram de Luiz Fernando Carvalho.
Com atuações memoravéis de Antônio Fagundes, Patricia Pillar, Raul Cortez, Glória Pires, Fábio Assunção, Silvia Pfeifer, Carlos Vereza e Stênio Garcia, “O Rei do Gado” trouxe uma trama cercada pela natureza, com vivências rurais e por uma produção grandiosa que impressionou o público da época.
A novela contou com uma enorme cidade cenográfica nos Estúdios Globo para representar a fazenda de Bruno Mezenga, personagem de Antônio Fagundes, construída com materiais reais para dar mais autenticidade às cenas. Além disso, as gravações passaram por diversas cidades do Brasil, como regiões de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, explorando paisagens naturais do Araguaia, do Cerrado e do Pantanal.
Já a primeira fase da novela, ambientada durante a Segunda Guerra Mundial, teve cenas gravadas na Itália, incluindo batalhas filmadas em preto e branco, trazendo um visual cinematográfico que marcou a produção.
A novela narra a história de rivalidade entre duas famílias: Mezenga e Berdinazzi, por disputas de terras e ódio entre gerações,mas também por grandes histórias de amor.
Tudo começa com o romance proibido entre Enrico Mezenga, interpretado por Leonardo Bricio, e Giovanna Berdinazzi vivida por Letícia Spiller, descendentes das duas famílias inimigas, que enfrentam a desaprovação dos pais para viver esse amor. Dessa união nasce Bruno Mezenga, que anos depois se torna um poderoso fazendeiro conhecido como o “Rei do Gado”.
Já adulto, Bruno vive um casamento conturbado com Léia, interpretada por Sílvia Pfeifer, enquanto sua vida muda completamente ao conhecer Luana Berdinazzi vivida por Patricia Pillar, uma trabalhadora rural de origem misteriosa .

Paralelamente, o fazendeiro Geremias Berdinazzi busca reencontrar a única herdeira de sua família para deixar sua fortuna.
Além do drama familiar e dos romances marcantes, a novela escrita por Benedito Ruy Barbosa abordou temas sociais importantes, como a reforma agrária, a luta dos trabalhadores sem terra e as desigualdades no campo. A trama também retratou diferentes momentos da história do Brasil, passando pela decadência do ciclo do café, pela Segunda Guerra Mundial e pela modernização do interior paulista.
O sucesso da novela foi um fenômeno , na sua exibição original alcançou a média geral de aproximadamente 52 pontos no Ibope da Grande São Paulo, um dos maiores índices da década no horário nobre.
A trama também alcançou picos impressionantes em capítulos decisivos. O último capítulo chegou a marcar cerca de 60 pontos de audiência, mobilizando milhões de telespectadores em todo o país.
O romance entre Bruno Mezenga e Luana foi um dos grandes responsáveis pelo envolvimento do público com a história.
Além da audiência expressiva, a novela se transformou em um marco cultural dos anos 90, sendo lembrada até hoje como uma das produções rurais de maior sucesso da história da televisão brasileira.

5. Laços de Família e as emocionantes histórias de Capitu e Camila que comoveram o país – (TV Globo) 2000

Entre os anos de 2000 a 2001 a Globo exibiu uma das suas novelas mais emocionantes de sua história que acabou se tornando um clássico da teledramaturgia brasileira: “Laços de Família”.
Ambientada no Leblon, famoso bairro carioca, a trama foi criada por Manoel Carlos e trouxe de volta uma das suas personagens mais marcantes — Helena interpretada por Vera Fisher.
Laços de Família abordou enredos fortes e emocionantes como: Leucemia, doacões de medula osséa, diferença de idade nos relacionamentos, prostituição e julgamento social, triângulo amoroso entre mãe e filha.
Além disso, muitos outros assuntos relevantes foram debatidos na novela em uma época em que existiam muitos preoconceitos, desinformações sobre determinadas questões sociais.
O enredo começa narrando o triângulo amoroso entre Helena vivida por Vera Fisher, uma mulher madura e elegante de classe média que vive no tradicional bairro do Leblon e é proprietária de um salão de estética. Sua vida muda completamente após um acidente de carro envolvendo Eduardo Alburqueque , conhecido como Edu interpretado por Reynaldo Gianecchini.
Edu era um estudante de medicina bem mais novo que ela e estava prestes a se formar. O acidente em questão acaba causando um corte no rosto de Helena, que é atendida prontamente pelo próprio Eduardo.
Essa aproximação acaba se transformando em algo maior que uma simples amizade, mas o envolvimento entre os dois não é bem visto pelas pessoas ao redor, principalmente por causa da diferença de idade.
Assim que assumem o namoro, Edu e Helena viajam para Tóquio e lá reencontram Camila Lacerda, personagem de Carolina Dieckmmann. Camila é filha de Helena e, naquele momento, namorava um rapaz oriental que conheceu no Japão.
No entanto, ao conhecer Edu, Camila acaba se apaixonando por ele e passa a viver um intenso conflito interno por estar apaixonada justamente pelo namorado de sua mãe.
Edu e Camila tinham praticamente a mesma faixa etária, o que fez com que o relacionamento entre os dois recebesse apoio da família de Edu, que até então repudiava o romance dele com Helena.
No decorrer da trama, Helena e Edu se separam mas com o amadurecimento de Helena, que aceita o fim do relacionamento e o amor que Edu sentia por Camila e vice versa. Camila e Edu acabam se casando, mas infelizmente os problemas de Camila só estavam começando.
Camila descobre que está com leucemia, iniciando um dos arcos mais emocionantes e marcantes da novela. A personagem passa a enfrentar um processo extremamente desgastante, lidando com a queda de cabelo, as constantes dores, a fraqueza causada pelo tratamento e o medo da morte.
Além da batalha contra a doença, Camila também sofre com o olhar de julgamento e preconceito de algumas pessoas ao seu redor, enquanto tenta enfrentar o temor de perder o grande amor de sua vida.

A personagem vivida por Carolina Dieckmmann conquistou o coração do público justamente por sua trajetória de superação, coragem e pela forte reflexão social trazida pela novela. A icônica cena em que Camila raspa a cabeça ao som da música “Love By Grace” entrou para a história da televisão brasileira. A emoção presente naquele momento foi real, não apenas por parte da atriz,q ue realmente raspou os cabelos em cena como parte da campanha de conscientização sobre doação de medula óssea abordada pela novela, mas também por toda a equipe presente no set durante a gravação.
A sequência se tornou um dos momentos mais marcantes da teledramaturgia brasileira e transformou a trajetória de Carolina Dieckmmann na televisão. Na época, a cena alcançou cerca de 46 pontos de audiência e, com a continuação do drama de Camila, “Laços de Família” bateu recordes, chegando a 55 pontos de média e 61 de pico, com aproximadamente 79% de participação, segundo dados divulgados pela imprensa da época.
Em contrapartida, outra personagem que marcou profundamente o público em “Laços de Família” foi Capitu vivida por Giovanna Antonelli. A jovem universitária e mãe solteira lutava diariamente para sustentar o filho Bruninho e ajudar financeiramente os pais, Paschoal, interpretado por Leonardo Villar, e Ema vivida por Walderez de Barros.

Após o fim do relacionamento conturbado com Maurinho, pai de Bruninho, interpretado por Luiz Nicolau, e envolvido com a criminalidade, Capitu passa a criar o filho sozinha enquanto tenta fugir das constantes perseguições e chantagens do ex-companheiro.
Isso porque Capitu, vivia uma vida dupla: enquanto seus pais acreditavam que ela era apenas uma estudante, na realidade se prostituia para conseguir se sustentar, cuidar do seu filho Bruninho e ainda ajudar financeiramente os pais, que já eram idosos.
Ao longo da trama, a personagem ainda passa a ser perseguida por Orlando, personagem de Henri Pagnoncelli, um homem rico e obcecado por ela que tenta impedir sua saída da prostituição, tornando sua trajetória ainda mais intensa e emocionante para o público.
Mais de duas décadas após sua exibição original, “Laços de Família” continua sendo lembrada como uma das novelas mais emocionantes e humanas da televisão brasileira. A trama de Manoel Carlos conseguiu ir além do entretenimento ao transformar temas delicados em debates sociais importantes, emocionando milhões de telespectadores com histórias marcantes, personagens inesquecíveis e cenas que ficaram na memória do público.
Com atuações memoráveis de Vera Fischer, Carolina Dieckmmann, Giovanna Antonelli e Reynaldo Gianecchini, a novela deixou seu nome marcado na história da teledramaturgia brasileira não apenas pelos altos índices de audiência, mas principalmente pela forma sensível e realista com que retratou o amor, o sofrimento, os preconceitos e os laços familiares que conectam tantas pessoas até hoje.
6. O Clone e a febre das danças e figurinos de Jade – (TV Globo) 2001

“O Clone” foi uma novela produzida entre 2001 a 2002 e teve autoria de Glória Perez, com direção de Teresa Lampreia e Marcelo Travesso. A direção geral ficou por conta de Mário Márcio Bandarra, Marcos Schechtman e Jayme Monjardim, que também atuou como diretor de núcleo.
O enredo de “O Clone” misturava ficção científica, romance e drama familiar, além de retratar aspectos da cultura muçulmana, suas tradições, conflitos e danças, despertando grande curiosidade do público brasileiro sobre os costumes marroquinos e islâmicos.
A novela quase teve sua estreia impactada pelo atentado terrorista às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, ocorrido em 11 de setembro de 2001 — apenas um mês antes da estreia da trama, tendo em vista que a novela estreou 1 de outubro de 2001. O acontecimento de 11 de setembro gerou receio entre a produção, a emissora e o elenco quanto à audiência e à recepção do público, já que a novela abordava elementos da cultura islâmica em um momento extremamente delicado no cenário mundial.
Mas, felizmente, a novela acabou se tornando um enorme sucesso por diversos fatores:
- Enredos envolventes: a trama acompanha a história de Jade, vivida por Giovanna Antonelli, uma jovem mulçumana marroquina que nasceu e cresceu no Rio De Janeiro e que, após a morte da mãe, retorna para a cidade marroquina de Fez ao lado da prima Khadija, após ser criada no Brasil. Ela passa a morar com o tio Ali, personagem de Stênio Garcia, que também é responsável pela criação da outra sobrinha, Latiffa, interpretada por Letícia Sabatella. A partir desse momento, Jade precisa se readaptar às tradições e costumes da cultura muçulmana.

Um processo extremamente difícil, que acaba gerando diversos conflitos entre Jade e seu tio Ali. Essa situação se intensifica ainda mais com a chegada de Lucas Ferraz, interpretado por Murilo Benício, por quem Jade se apaixona profundamente, dando início a um romance marcado por diferenças culturais, religiosas e familiares.
Lucas é filho de Leônidas Ferraz e irmão gêmeo idêntico de Diogo, personagem que morre em um acidente de avião logo no início da trama. A perda abala profundamente o pai, que criou os filhos sozinho após a morte da esposa, além de afetar intensamente o padrinho dos gêmeos, o geneticista Augusto Albieri.
Interpretado por Juca de Oliveira, Albieri é um homem sonhador, respeitado na medicina e obcecado pelos avanços da ciência. Devastado pela morte de Diogo, ele decide desafiar os limites éticos e até mesmo “brincar de Deus”, iniciando secretamente uma experiência de clonagem humana como forma de trazer o afilhado de volta e realizar o sonho de ser o primeiro cientista a clonar um ser humano.
Sem que ninguém saiba sobre o experimento, Albieri utiliza células de Lucas na formação do embrião e o implanta em Deusa, personagem de Adriana Lessa, uma mulher brasileira humilde que acredita estar realizando apenas um procedimento comum de inseminação artificial.
Além desses enredos, a novela abordou vários temas sociais importantes como a luta contra as drogas entre jovens bem sucedidos , choque cultural, preconceito racial .

- Cultura árabe e mulçumana explorada na TV: “O Clone” abordou com fidelidade as danças, roupas, acessórios, tradições e costumes da cultura marroquina e muçulmana, que criou tendências com os looks, bordões como “Muito ouro!”, “Inshalá!”, “Arder no mármore do inferno”. A personagem Jade criou uma tendência que se espalhou por todo o país — a famosa pulseira anel, além de lenços e maquiagens com delineados marcantes.
- Fotografia e cenários alternados entre pontos históricos do Rio de Janeiro e do Marrocos: a riqueza de detalhes nos cenários e a fotografia de O Clone chamavam atenção pelo cuidado em trazer o máximo de realismo possível para as cenas. Os desertos, mercados, construções históricas e paisagens marroquinas impressionavam o público, especialmente pela qualidade da produção e pelos recursos tecnológicos utilizados para a época.
Com gravações nos Lençóis Maranhenses, no Marrocos, em Natal, no Rio Grande do Norte, além de diversas cenas no Rio de Janeiro e nos Estúdios Globo, “O Clone” impressionou pela grandiosidade de sua produção e pela beleza de suas paisagens.
A novela ficou marcada no coração do público, sendo considerada até hoje uma das melhores obras de Glória Perez e um verdadeiro marco da televisão brasileira nos anos 2000.
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7. Chocolate com Pimenta e as confusões hilárias de Timóteo e Márcia – (TV Globo) 2003

Em 2003 a 2004 na faixa das 18:00h a Tv Globo nos entregava uma novela com um enredo emocionante e ao mesmo tempo com uma leve pegada cômica, com personagens inesqueciveis e que criaram bordões e memes que não lembrados até hoje; “Chocolate com Pimenta”.
Escrita por Walcyr Carrasco com colaboração de Thelma Guedes, teve direção de Jorge Fernando, Fabrício Mamberti e Fred Mayrink.
O elenco contou com grandes nomes da televisão brasileira, como Mariana Ximenes, Murilo Benício, Elizabeth Savalla, Priscila Fantin, Drica Moraes, Marcello Novaes, Fúlvio Stefanini e Lilia Cabral.
Dividida em duas fases, “Chocolate com Pimenta” traz um enredo clássico de Walcyr Carrasco, marcado pela trajetória da mocinha humilde que sofre humilhações, mas dá a volta por cima ao retornar rica e decidida a buscar vingança contra aqueles que a fizeram sofrer.
Mariana Ximenes interpreta Ana Francisca, uma jovem humilde de beleza considerada fora dos padrões da época que, em 1922, após perder o pai, passa a viver no sítio da família ao lado da avó Carmen, interpretada por Laura Cardoso.
Ela também convive com o tio Margarido, personagem de Osmar Prado, a prima Márcia, interpretada por Drica Moraes, o primo Timóteo, vivido por Marcello Novaes, que em secreto é apaixonado por ela, além de Dália, personagem de Carla Daniel.
Ana, Margarido, Timóteo e Dália trabalham na fábrica de chocolates Bombom, fundada por Ludovico, personagem de Ary Fontoura, que vive em Buenos Aires. A empresa é administrada por sua irmã Jezabel, interpretada por Elizabeth Savalla, que estava realizando vários desfalques financeiros sem que o irmão soubesse. Quando Ludovico descobriu os golpes da irmã, retornou ao Brasil disposto a retormar as rédeas da empresa e reorganizar os negócios da família.
Ana passa a estudar na escola da cidade, sua aparência era alvo de ataques constantemente por todos e principalmente por Olga, interpretada por Priscila Fantin, filha do delegado Terêncio, vividopor Ernani Moraes, e da dona de casa Marieta, interpretada por Tânia Bondezan.
Olga era namorada de Danilo, vivido por Murilo Benício, sobrinho do prefeito Vivaldo, intrepretado por Fúlvio Stefanini, e da primeira-dama Bárbara, personagem de Lília Cabral. Danilo conhece Ana e se apaixona instantaneamente por ela, o que causa uma repulsa entre Olga e Bárbara.

Durante o baile de formatura, Ana é cruelmente humilhada diante de toda a cidade ao ter tinta verde jogada sobre ela. Sentindo-se ridicularizada e traída, Ana descobre que está grávida de Danilo e decide terminar o relacionamento sem revelar que espera um filho dele, acreditando que o rapaz não foi capaz de defendê-la no momento em que mais precisava.
Sensibilizado com a situação de Ana, Ludovico lhe faz uma proposta de casamento baseada em amizade e proteção. Mesmo ainda apaixonada por Danilo, Ana aceita o pedido por enxergar naquela oportunidade uma forma de deixar para trás a cidade que tanto a humilhou. Assim, ela passa a criar o filho longe do pai biológico, cercada pelo conforto e pelo luxo proporcionados por Ludovico.
Algum tempo depois, Ludovico morre e deixa Ana Francisca em uma situação extremamente confortável, tornando-a herdeira de toda a sua fortuna.
Depois de sete anos e da morte de Ludovico, Ana Francisca retorna totalmente repaginada, marcando a segunda fase da novela. Agora elegante, sofisticada e com uma beleza capaz de despertar inveja em qualquer moça da cidade, ela volta para Ventura ao lado do filho, decidida a dar o troco em todos que a humilharam no passado.
“Chocolate com Pimenta” é lembrada pelo público como uma das melhores novelas de Walcyr Carrasco por trazer uma trama envolvente, cercada por vingança, romance, humor e o desejo de justiça. Porém, o grande destaque da novela não ficou apenas no protagonismo de Ana Francisca, mas também em um casal que roubou completamente a cena: Márcia, interpretada por Drica Moraes, e Timóteo, vivido por Marcello Novaes.
Vivendo uma relação típica de “cão e gato”, os dois possuíam personalidades e gostos totalmente diferentes, arrancando boas risadas do público com o jeito atrapalhado e divertido de serem. Márcia, inclusive, eternizou um dos bordões mais lembrados da novela: “Eu sou chique, bem!”.
A frase acompanhou toda a trama e acabou caindo na boca dos telespectadores, sendo lembrada com carinho até hoje pelos fãs da novela.

O enorme sucesso de “Chocolate com Pimenta” também refletiu diretamente na audiência. A novela conquistou excelentes índices do início ao fim, encerrando sua exibição com média geral de 35,2 pontos e se tornando uma das novelas das 18h de maior audiência dos anos 2000, consolidando ainda mais o sucesso de Walcyr Carrasco na teledramaturgia brasileira.
8. Senhora do Destino e o fenômeno Nazaré Tedesco que virou meme mundial – (TV Globo) 2004

“Senhora do Destino” foi uma novela de enorme impacto cultural no Brasil, principalmente por retratar com sensibilidade a realidade de uma mãe praticamente solteira, abandonada pelo marido, que desaparece sem deixar notícias. Vivendo no Nordeste brasileiro, Maria do Carmo — interpretada por Carolina Dieckmmann na primeira fase e por Susana Vieira na fase adulta , enfrenta inúmeras dificuldades para sustentar os filhos e decide partir em busca de uma vida melhor em outro estado, carregando consigo a esperança de mudar o destino da família.
Ela carrega seus filhos consigo para essa nova jornada e entre eles sua filha recém-nascida Lindalva, chegando no Rio de Janeiro inicia uma jornada marcada por luta, sofrimento e superação. Anos depois, a personagem Lindalva também passa a ser interpretada por Carolina Dieckmmann, que retorna na fase adulta, fortalecendo ainda mais a conexão emocional da trama com o público.
A trama foi criada e escrita por Aguinaldo Silva, com colaboração de Filipe Miguez, Glória Barreto, Maria Elisa Berredo e Nelson Nadotti.
A direção contou com Luciano Sabino, Marco Rodrigo, Ary Coslov e Cláudio Boeckel, enquanto a direção geral e de núcleo ficou sob responsabilidade de Wolf Maya, que também integrou o elenco da novela.
A trama se incia com a partida de Maria do Carmo com seus cinco filhos de Belém de São Francisco interior de Pernambuco para o Rio de Janeiro, chegando lá ela se depara com um confronto entre policiais e manifestantes por conta da aprovação do Ato institucional n°5 — o AI-5, o decreto mais rígido e repressivo da ditadura militar brasileira, instaurada após o golpe de 1964.
Criado em 1968 pelo governo do presidente Costa e Silva, o ato concedia poderes quase absolutos ao regime militar, permitindo o fechamento do Congresso Nacional, a cassação de mandatos políticos, a suspensão de direitos políticos, censura à imprensa, músicas, filmes e manifestações culturais, além da perseguição, prisão e repressão de opositores do governo sem garantia de defesa. O ato marcou o período mais severo da ditadura no Brasil.
Diante desse cenário, Maria do Carmo fica desesperada ao se ver sozinha na rua com seus filhos depois que um deles é atingido por uma pedra, tendo que correr e se esconder em uma casa abandonada com eles, porém ela não esperava encontrar Nazaré Tedesco, interpretada na fase jovem por Adriana Esteves e na fase adulta por Renata Sorrah.
Nazaré utiliza o nome falso de Lurdes e se disfarça de enfermeira para colocar em prática um de seus maiores golpes. Na verdade, ela era uma prostituta que vivia no bordel de Madame Berthe, famosa cafetina do Rio de Janeiro.
A aproximação de Nazaré com Maria do Carmo não foi por caso: ela estava de olho em um dos homens mais ricos da cidade chamado José Carlos Tedesco para forçar um casamento com ele. Ela finge estar grávida e aproveita um momento de distração para sequestrar Lindalva, filha recém-nascida de Maria do Carmo. Enquanto a mocinha leva um de seus filhos ao hospital para cuidar de um ferimento, Nazaré rouba a bebê dos braços de seu filho Leandro. Em seguida, apresenta a criança como sua filha, dando-lhe o nome de Isabel, e simula um parto diante de Madame Berthe e Djenane, que acabam testemunhando toda a farsa.
Isabel (Lindalva) cresce sendo criada como filha de Nazaré e José Carlos, enquanto Maria do Carmo sofre durante anos a procura de sua filha na esperança que ela ainda vai voltar.
“Senhora do Destino” também abordou o universo do jogo do bicho através de uma forte crítica social sobre os perigos, a criminalidade e as consequências desse meio. A novela ainda mergulhou na cultura do samba e das escolas de samba cariocas, aproximando a ficção da realidade de forma marcante. Um dos momentos mais emblemáticos aconteceu durante o carnaval, quando o desfile das escolas de samba acontecia de verdade no Sambódromo do Rio de Janeiro.

Aproveitando o evento real, a produção gravou cenas da escola de samba fictícia da novela desfilando junto ao clima do carnaval carioca, criando uma mistura inédita entre ficção e realidade. A homenagem à trajetória de Maria do Carmo emocionou o público justamente por ter sido exibida em meio ao desfile verdadeiro, dando ainda mais autenticidade e impacto às cenas.
A novela foi exibida entre 2004 a 2005 sendo eleita em 2020 pelo jornal espanhol 20 minutos como a 9ª melhor telenovela brasileira de todos os tempos
A audiência da época também comprova o sucesso da novela,alguns dos capítulos mais marcantes, como o reencontro de Maria do Carmo com Lindalva e as icônicas brigas entre Maria do Carmo e Nazaré Tedesco chegaram a ultrapassar os 55 pontos de audiência.

Inclusive, Nazaré Tedesco conquistou o público com seu jeito completamente insano, exagerado e sem filtros. A vilã se tornou uma personagem que o público “amava odiar”, principalmente por suas expressões marcantes, surtos, armações e pelo costume de admirar a si mesma diante do espelho após cada tramoia realizada. Sua personalidade dissimulada e ao mesmo tempo caricata transformou Nazaré em um verdadeiro fenômeno da cultura pop brasileira. Décadas depois, cenas da personagem continuam viralizando na internet através de memes, gifs e montagens que seguem sendo relembrados diariamente nas redes sociais.
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9. A Favorita e a vilã inesquecível Flora que enganou o Brasil inteiro – (TV Globo) 2008

“A Favorita” foi uma das novelas mais inovadoras da teledramaturgia brasileira. Escrita por João Emanuel Carneiro e exibida entre 2008 e 2009 pela TV Globo, a trama conquistou o público ao brincar com o mistério sobre quem era realmente a vilã da história: Flora ou Donatela.
A novela acompanhava a rivalidade entre as ex-amigas Flora, interpretada por Patrícia Pillar, e Donatela, vivida por Cláudia Raia. Durante boa parte da trama, o público não sabia qual das duas dizia a verdade, algo considerado revolucionário para as novelas da época. A grande virada aconteceu no capítulo 56, quando foi revelado que Flora era a verdadeira vilã da história, surpreendendo o Brasil inteiro.
A personagem Flora se tornou um dos nomes mais marcantes das novelas brasileiras por sua personalidade manipuladora, fria e ao mesmo tempo carismática. Patrícia Pillar recebeu inúmeros elogios pela atuação intensa, e a vilã acabou entrando para a cultura pop brasileira com frases, cenas icônicas e momentos que até hoje viralizam nas redes sociais.
Além do enorme impacto cultural, a novela também teve grande destaque na audiência. Apesar de estrear com 35 pontos no Ibope, considerada uma audiência abaixo do esperado na época a trama cresceu ao longo dos meses e alcançou números impressionantes em sua reta final. O penúltimo capítulo marcou 52 pontos, enquanto o último registrou média de 50 pontos na Grande São Paulo. A média geral da novela foi de 40 pontos. O suspense envolvente, os personagens ambíguos e a atuação memorável de Patrícia Pillar fizeram de “A Favorita” uma novela inesquecível, considerada até hoje uma das produções mais ousadas e marcantes da história da televisão brasileira.
10. Avenida Brasil e a icônica Carminha que parou o país – (TV Globo) 2012

“Avenida Brasil” foi um dos maiores fenômenos da televisão brasileira e marcou a história da dramaturgia nacional com a inesquecível vilã Carminha, interpretada por Adriana Esteves. Escrita por João Emanuel Carneiro e exibida pela TV Globo entre 2012 e 2013, a novela conquistou o público com uma mistura de drama, humor, vingança e personagens extremamente populares.
A trama acompanhava a história de Rita, interpretada por Débora Falabella na fase adulta, uma jovem que buscava vingança contra sua madrasta Carminha, após ser abandonada ainda criança em um lixão. Anos depois, já adulta e usando a identidade de Nina, ela se infiltra na mansão da família para destruir a vida da vilã aos poucos. Ao mesmo tempo, a novela mergulhava no cotidiano do bairro fictício Divino, trazendo personagens carismáticos e situações que conquistaram o Brasil.
Carminha rapidamente se tornou uma das vilãs mais icônicas da história das novelas brasileiras. Com seu jeito explosivo, manipulador e ao mesmo tempo cômico, a personagem virou meme, gerou bordões inesquecíveis e dominou as conversas nas ruas e nas redes sociais durante toda a exibição.
O sucesso também apareceu na audiência. “Avenida Brasil” estreou com 37 pontos de audiência, crescendo rapidamente ao longo dos meses. A trama bateu diversos recordes durante sua exibição, chegando a marcar 49 pontos e 70% de share em outubro de 2012.
Já o último capítulo se transformou em um verdadeiro acontecimento nacional: em São Paulo registrou 52 pontos de média com picos de 54 e 80,5% de participação, enquanto no Rio de Janeiro alcançou 57 pontos. Em Fortaleza, a novela chegou aos impressionantes 65 pontos com 92% de share, tornando-se o programa de maior audiência da televisão brasileira em 2012.
A novela também entrou para a história como um dos folhetins mais assistidos da década de 2010.Além do impacto cultural, “Avenida Brasil” continua extremamente lembrada pelo público até hoje.

“Avenida Brasil” acabou dominando completamente a televisão brasileira em 2012 e ofuscando diversas produções que estavam no ar em outras emissoras na mesma época. Enquanto o “Carrossel”, do SBT, também vivia um enorme fenômeno de audiência entre o público infantil e familiar, “Avenida Brasil” seguia sendo o principal assunto do país no horário nobre, movimentando as redes sociais, as ruas e até o comércio nos dias decisivos da trama.
Ao mesmo tempo, a segunda temporada de “Rebelde”, exibida pela Record TV, enfrentava dificuldades para repetir o impacto inicial da novela adolescente, enquanto “Avenida Brasil” crescia cada vez mais em repercussão e audiência, consolidando-se como o maior fenômeno televisivo daquele ano.
A TV Globo já trabalha nos bastidores para trazer de volta o universo de “Avenida Brasil” em 2027. A nova produção deve marcar o retorno da icônica Carminha, personagem eternizada por Adriana Esteves, agora envolvida em novos conflitos e uma nova trama no bairro do Divino.
Até o momento, poucos detalhes oficiais foram divulgados sobre a história, e ainda não há confirmação completa de quais personagens do elenco original retornarão para a sequência. No entanto, o projeto já vem gerando enorme expectativa entre os fãs da novela, considerada um dos maiores fenômenos da televisão brasileira.
Imagem Destacada: Reprodução/TV Globo (via Gshow)


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