Freida McFadden transforma insegurança, ciúme e a sombra de um relacionamento passado em um thriller que prende o leitor a cada novo capítulo
Freida McFadden sabe como fazer o leitor desconfiar de tudo — e, em “A Ex”, essa característica aparece mais uma vez com força. Publicado no Brasil pela Editora Arqueiro em 2026, o livro acompanha Cassie Donovan, uma jovem de 26 anos que administra, ao lado de uma amiga, a livraria herdada dos avós. Com o negócio enfrentando dificuldades financeiras, Cassie tem pouco tempo para pensar em relacionamentos. Até conhecer Joel Broder.
Joel parece ser o homem perfeito: gentil, bonito, romântico e completamente interessado em Cassie. Existe, porém, um detalhe que começa a incomodá-la: Francesca, sua ex-namorada.
Francesca é descrita como linda, brilhante e adorada por todos os amigos de Joel. Quanto mais Cassie ouve falar sobre ela, maior se torna a sensação de que está sendo comparada a uma mulher que parece impossível de superar. E, quando Cassie começa a perceber que alguém pode estar a perseguindo, a presença da ex deixa de ser apenas uma lembrança do passado.
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Quando o passado começa a interferir no presente
O que mais nos agradou em “A Ex” é justamente a maneira como Freida McFadden transforma uma situação aparentemente simples em algo cada vez mais desconfortável. No início, parece que estamos diante de uma história sobre uma nova namorada insegura com a ex perfeita do namorado. Mas, conforme as páginas avançam, essa percepção começa a mudar.
E é aí que o suspense realmente ganha força. A autora faz o leitor questionar constantemente o que está acontecendo. Cassie está realmente sendo perseguida? Francesca voltou para a vida de Joel? Existe algo que Joel não está contando? Quanto mais respostas procuramos, mais perguntas aparecem.
A troca de pontos de vista faz toda a diferença
Um dos elementos que mais agradaram — e em perspectiva cada vez melhor trabalhado nos livros da autora — é a troca de pontos de vista. Em A Ex, acompanhar diferentes perspectivas não serve apenas para apresentar a história por ângulos diferentes. Essa escolha é crucial para prender a atenção do leitor, porque cada ponto de vista acrescenta uma nova informação e modifica a maneira como enxergamos os acontecimentos.
Foi um dos aspectos que melhor funcionou durante a leitura. Quando estamos começando a acreditar em uma versão dos fatos, a narrativa muda de perspectiva e nos faz reconsiderar tudo. É como se Freida McFadden estivesse constantemente tirando o chão do leitor.
E, particularmente, esse recurso vem sendo cada vez melhor trabalhado pela autora. Aqui, ele faz toda a diferença para o ritmo e para a construção do suspense.
Cassie e Francesca: duas mulheres, duas versões da história
A relação entre Cassie e Francesca é o centro da tensão da narrativa. De um lado, temos Cassie, que está tentando construir um novo relacionamento enquanto lida com as dificuldades da livraria e com a sensação crescente de que alguém não quer vê-la ao lado de Joel.
Do outro, existe Francesca, a ex que parece ocupar um espaço enorme na vida de todos, mesmo depois de ter ficado para trás. O interessante é que o leitor não recebe uma resposta simples sobre nenhuma das duas.
A narrativa trabalha justamente com essa dúvida: quem está dizendo a verdade? Essa é uma das razões pelas quais os personagens funcionam tão bem dentro da proposta do livro. Conforme conhecemos suas histórias e perspectivas, fica cada vez mais difícil separar completamente vítima, culpado, verdade e mentira.
Uma livraria como cenário para o suspense
A livraria de Cassie também merece destaque.
Além de fazer parte da vida da protagonista, o estabelecimento ajuda a construir sua personalidade e seus conflitos. Cassie herdou o negócio dos avós e tenta encontrar maneiras de mantê-lo funcionando, enquanto sua vida pessoal começa a ficar cada vez mais complicada.
Este aspecto agrada em especial porque o universo dos livros não aparece apenas como um detalhe decorativo. A livraria faz parte da trajetória de Cassie e ajuda a criar uma protagonista que possui uma vida e preocupações próprias antes mesmo de Joel entrar nela.
Freida McFadden sabe quando revelar cada informação
Se tem uma coisa que “A Ex” faz muito bem é controlar as informações entregues ao leitor. A história não revela tudo de uma vez. Pelo contrário: pequenas descobertas vão mudando nossa percepção dos personagens e criando novas possibilidades para o que pode estar acontecendo.
E, quando você pensa que finalmente entendeu a situação, a autora apresenta outra peça do quebra-cabeça. Foi justamente esse jogo de informações que fez com que sua leitura se tornasse tão prazerosa. “A Ex” se tornou, para essa quem vos escreve, um favoritos da autora, porque conseguiu entregar aquela experiência que procuro em um thriller: a vontade de continuar lendo para descobrir o que realmente está acontecendo.
Um thriller sobre ciúme, insegurança e obsessão
Por trás do mistério, “A Ex” também trabalha sentimentos que podem parecer comuns em um relacionamento, como insegurança, ciúme e comparação, mas que ganham proporções cada vez mais perturbadoras. A figura da “ex perfeita” é especialmente interessante porque Francesca começa a ocupar um espaço enorme na cabeça de Cassie antes mesmo de estar efetivamente presente em sua vida.
É difícil competir com alguém que existe também na imaginação. E é justamente essa construção que faz o leitor se perguntar até que ponto aquilo que Cassie sente corresponde ao que realmente está acontecendo.
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Vale a pena ler A Ex?
A leitura de “A Ex” foi muito boa. É um dos livros de Freida McFadden que mais conseguem prender justamente pela forma como a história é estruturada.
A troca de pontos de vista é, sem dúvida, um dos grandes destaques. Cada mudança acrescenta algo à narrativa e faz com que o leitor queira continuar para entender melhor o que está acontecendo. Mais do que simplesmente alternar narradores, Freida usa essa estrutura para criar dúvidas, revelar informações aos poucos e manter a tensão. E esse é o tipo de recurso que, quando bem utilizado, faz toda a diferença.
“A Ex” é uma leitura indicada para quem gosta de thrillers psicológicos, relacionamentos cercados de segredos, personagens ambíguos e histórias que fazem o leitor criar teorias a cada capítulo. O melhor é começar sabendo o mínimo possível. Quanto menos você souber sobre o que acontece, maior será a diversão de tentar descobrir em quem confiar.
E, conhecendo Freida McFadden, talvez seja melhor desconfiar de todo mundo.
Esta resenha não contém spoilers importantes sobre as principais reviravoltas da trama.
Ficha técnica
Título: A Ex
Autora: Freida McFadden
Título original: The Ex
Editora: Arqueiro
Tradução: Roberta Clapp
Ano de publicação no Brasil: 2026
Páginas: 304
Gênero: Thriller psicológico / suspense
Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial


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