Entre infância nas pistas, carreira global, hits bilionários e dois encontros marcantes na Cidade do Rock, Alok chega ao Rock in Rio 2026 como quem leva a própria história para o palco
Alok chega ao Rock in Rio 2026 com status de grande acontecimento dentro da Cidade do Rock. No dia 11 de setembro, o DJ sobe ao Palco Mundo com “Keep Art Human”, espetáculo que promete 1.500 drones no céu e um painel humano formado por 45 bailarinos, em uma apresentação pensada para unir música, tecnologia e defesa da criatividade humana em tempos de inteligência artificial. É o tipo de show feito para ocupar o palco, dominar o céu e virar assunto antes mesmo da primeira batida.
A presença de Alok no festival também carrega uma camada pessoal. No dia seguinte, o New Dance Order recebe Alok & Family – Ekanta, Swarup, encontro que conecta o DJ às próprias origens na música eletrônica. Seus pais ajudaram a formar parte da cultura rave no Brasil, enquanto Bhaskar, seu irmão gêmeo, também aparece na programação do mesmo palco em 12 de setembro. Essa combinação coloca a trajetória de Alok em perspectiva: antes dos rankings, dos hits globais e dos shows gigantes, havia uma família vivendo a música eletrônica como rotina.
Essa é justamente a força da história. Alok chega ao Rock in Rio 2026 como um dos DJs mais relevantes do mundo, eleito o 3º nome do Top 100 DJs da DJ Mag em 2025, e como artista que ampliou sua presença para além da pista, com projetos sociais, ambientais e culturais ligados ao Instituto Alok e à sua atuação como embaixador da boa vontade da ONU Meio Ambiente. A biografia dele mistura infância em raves, carreira solo, virada global, empreendedorismo e uma ambição artística que nunca coube direito em sets comuns. Para entender o tamanho desse momento, vale voltar ao começo.
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O menino de Goiânia criado por DJs
Alok Achkar Peres Petrillo nasceu em Goiânia, em 26 de agosto de 1991, em uma família onde a música eletrônica já era quase um idioma doméstico. Seus pais, Ekanta e Swarup, são nomes ligados à história do psytrance no Brasil e criadores do festival Universo Paralello, referência para a cena alternativa nacional.
Antes de ser o DJ brasileiro com alcance global, Alok foi uma criança cercada por cabos, pickups, caixas de som e adultos tratando música como modo de vida. Parece roteiro inventado por empresário de artista, mas é só a vida real sendo mais cinematográfica do que muito release. Ele cresceu ao lado do irmão gêmeo, Bhaskar, acompanhando os pais em festas e festivais, absorvendo uma cultura que misturava liberdade, experimentação e pista de dança.

A curiosidade por trás do nome Alok
O nome Alok também ajuda a entender a aura meio fora do padrão que acompanha o artista desde cedo. Ele já contou que o nome foi indicado pelo guru indiano Osho e tem origem sânscrita, que significa “luz”. Não por acaso, sua carreira acabou se construindo em torno de grandes experiências visuais, shows de impacto e uma relação quase literal com iluminação, drones e cenografias de escala gigante.
Essa origem espiritual e familiar aparece como uma espécie de DNA público. Alok nunca se posicionou apenas como alguém que aperta play para multidões. Seu discurso, principalmente nos últimos anos, passou a cruzar música, tecnologia, causas sociais, meio ambiente e identidade brasileira. É uma mistura ambiciosa, às vezes grandiosa, mas coerente com alguém que nasceu cercado por uma família que já tratava a música como comunidade.
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Quando a brincadeira virou profissão
A entrada de Alok na música começou cedo, ao lado de Bhaskar. Os dois passaram a tocar ainda muito jovens e criaram o projeto Lógica, ligado ao trance psicodélico. O que começou como brincadeira de irmãos logo ganhou corpo profissional. A dupla passou por festas, festivais e lançamentos dentro da cena eletrônica, formando a base técnica que mais tarde sustentaria a carreira solo de Alok.
Esse período é importante porque mostra que a fama não caiu no colo dele por combustão espontânea, esse truque tão amado por quem reduz artista a algoritmo. Antes dos hits radiofônicos, houve estrada, tentativa, erro, repertório de pista e convivência direta com uma cena de nicho. O Lógica ajudou Alok a entender o público da música eletrônica por dentro, longe do glamour filtrado das redes sociais.
Bhaskar, o Lógica e os primeiros caminhos
Ao lado de Bhaskar, Alok encontrou uma das primeiras formas de transformar herança familiar em linguagem própria. O projeto Lógica aproximou os irmãos da produção musical e abriu espaço para apresentações dentro e fora do Brasil. Mesmo seguindo caminhos diferentes depois, a parceria marcou a formação dos dois.
Com o tempo, ficou claro que cada irmão buscava um tipo de som e de público. No início, Bhaskar se aproximou de uma linha mais voltada à cena underground (mais tarde abraçou vertentes mais comerciais, como o Deep House, House Melódico e Bass House), enquanto Alok passou a mirar uma comunicação mais ampla, capaz de sair dos festivais de nicho e chegar ao rádio, ao streaming e às grandes marcas. Essa diferença de direção poderia virar drama barato, mas acabou virando repertório. Em 2026, ver os dois no mesmo dia do New Dance Order tem gosto de reencontro com início, meio e pista lotada.
As dúvidas antes da virada solo
A escolha pela carreira artística veio acompanhada de incertezas. Alok chegou a cursar Relações Internacionais e já falou sobre o receio de viver de música, principalmente por ter visto os pais enfrentarem dificuldades financeiras dentro da própria cena. Em Londres, também passou por um momento duro, trabalhando em bar enquanto via DJs se apresentarem do outro lado do balcão.
Esses episódios ajudam a tirar a camada plastificada que muitas vezes cerca histórias de sucesso. Antes de virar um nome capaz de atrair multidões, Alok também precisou lidar com expectativa familiar, medo de instabilidade e a sensação desconfortável de estar perto da música, mas ainda distante do lugar onde queria chegar. Foi nesse atrito que a carreira solo começou a ganhar desenho.
A carreira solo e o estouro de Hear Me Now
Em 2010, Alok migrou para a carreira solo e passou a se aproximar de uma sonoridade mais ligada ao house e ao chamado Brazilian bass. A virada ganhou força nos anos seguintes, mas foi em 2016 que o nome dele entrou de vez no circuito internacional com “Hear Me Now”, parceria com Bruno Martini e Zeeba lançada pela Spinnin’ Records e que soma mais de 700 milhões de views no Youtube.
A faixa levou Alok a outro patamar. O hit conquistou paradas internacionais, acumulou números gigantes no streaming e ajudou a apresentar uma assinatura brasileira ao mercado global da música eletrônica. A partir dali, ele deixou de ser apenas um nome forte no Brasil e passou a disputar espaço em escala mundial. Para um país acostumado a exportar samba, bossa nova, funk e sertanejo, ver um DJ ocupar esse lugar no eletrônico teve sabor de vitória improvável.
Depois desse estouro, vieram faixas que ajudaram a ampliar seu alcance para públicos diferentes. “Fuego”, “Never Let Me Go”, “Ocean”, “Big Jet Plane” e “Hear Me Tonight” mantiveram o DJ em circulação forte nas pistas e nas plataformas, enquanto colaborações como “Don’t Say Goodbye”, com Ilkay Sencan e Tove Lo, “Don’t Cry For Me”, com Martin Jensen e Jason Derulo, “Run Into Trouble”, com Bastille, “Deep Down”, com Ella Eyre, Kenny Dope e Never Dull, “All By Myself”, com Sigala e Ellie Goulding, “Work With My Love”, com James Arthur, e “Car Keys (Ayla)”, com Ava Max, mostraram sua capacidade de conversar com diferentes cenas sem perder a assinatura pop-eletrônica.
A partir desse momento, entre playlists globais, rádios, festivais de grande escala e parcerias com artistas de alcance internacional, sua música encontrou um ponto raro: acessível o suficiente para furar a bolha do eletrônico, mas ainda conectada à energia de pista que moldou sua identidade desde o início.
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Reconhecimento, negócios e palcos gigantes
Com a expansão internacional, vieram rankings, festivais e novos negócios. Alok passou por eventos como Tomorrowland, Lollapalooza, Ultra Music Festival, Coachella e Rock in Rio, enquanto também ampliava sua atuação como empresário. Fundou selos, participou de projetos de entretenimento, virou personagem do game Free Fire e consolidou uma marca pessoal que mistura música, tecnologia e comunicação de massa.
Vale reforçar os números, porque eles sustentam o tamanho do personagem. O artista soma dezenas de milhões de ouvintes mensais no Spotify e bilhões de streams, além de colaborações com outros nomes de destaque como Kylie Minogue, Bebe Rexha, Ed Sheeran, Ava Max, John Legend, Dua Lipa, Anitta, Mick Jagger e Jess Glynne.
Outro marco na trajetória do artista foi o chamado “Show do Século”, realizado em 2023 na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Criado em comemoração aos 100 anos do Copacabana Palace, o evento gratuito levou Alok para um dos cartões-postais mais conhecidos do mundo, com palco em formato de pirâmide, drones, luzes, fogos e uma estrutura pensada para multidão. Mais do que um show de música eletrônica em larga escala, a apresentação funcionou como uma espécie de laboratório público para aquilo que se tornaria uma marca cada vez mais forte em sua carreira: transformar pista em experiência visual, ocupar espaços simbólicos e fazer da tecnologia uma extensão do espetáculo.
O reconhecimento acompanhou essa escala. Alok chegou ao 3º lugar no Top 100 DJs da DJ Mag em 2025, posição histórica para um artista latino-americano. Também passou a ser citado como um dos brasileiros mais ouvidos fora do país, reforçando sua força em um mercado que costuma ser generoso com DJs europeus e americanos, mas bem mais econômico quando o assunto é América Latina. Econômico até demais, diga-se.
O artista que levou a pista para outras causas
Nos últimos anos, Alok também ampliou sua presença fora do palco. Com o Instituto Alok, passou a apoiar projetos ligados a povos indígenas, educação, inclusão e meio ambiente. O álbum “O Futuro é Ancestral”, criado com artistas indígenas brasileiros, levou essa frente para o centro da música e rendeu indicações ao Grammy Latino.
Sua atuação ambiental também ganhou projeção internacional. Ele foi nomeado embaixador da boa vontade do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e assumiu o papel de embaixador brasileiro para a COP30. O ponto interessante é que ele não abandona a estética de espetáculo para falar desses temas. Pelo contrário: usa a escala pop, os drones, as luzes e a grandiosidade para colocar assuntos sérios diante de um público que talvez não chegasse a eles por canais tradicionais.
O que esperar de Alok no Rock in Rio 2026
No Rock in Rio 2026, Alok terá dois momentos. No dia 11 de setembro, sobe ao Palco Mundo com “Keep Art Human”, espetáculo que defende o valor da criatividade humana em um tempo marcado pela inteligência artificial. Como já mencionado, a apresentação promete 1.500 drones no céu da Cidade do Rock e um painel humano com 45 bailarinos. Tradução para quem gosta de espetáculo grande: vem coisa para assistir olhando para o palco, para o céu e para o próprio celular tentando registrar tudo ao mesmo tempo.
O detalhe não é pequeno: segundo o próprio Rock in Rio, a apresentação terá um recorde de drones em um show na América Latina. Esse dado ajuda a explicar por que o show de Alok vem sendo tratado como uma das grandes apostas visuais da edição. Em um festival que já entendeu há tempos que música ao vivo também é imagem, escala e experiência coletiva, o DJ chega disposto a criar um momento pensado para ser visto de longe, filmado de perto e comentado depois.
No dia 12 de setembro, o encontro muda de chave. No New Dance Order, ele aparece em clima de família com Ekanta, Swarup e Bhaskar, em uma apresentação que conecta passado e presente da música eletrônica brasileira. É quase um fechamento de ciclo em praça pública, só que com grave, luz e multidão.
A força dessa participação está justamente aí. Alok chega ao Rock in Rio 2026 como artista global, mas também como filho de uma cena, de uma família e de uma cultura rave que ajudou a formar sua identidade. Entre o Palco Mundo e o New Dance Order, ele leva ao festival uma história que começou muito antes dos rankings, dos streamings e dos drones. Começou com uma criança vendo os pais trabalharem com música e entendendo, talvez cedo demais, que a pista também pode ser casa.
Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Via Site oficial)


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