Quatro anos após as apresentações do aclamado “Corteo”, o sempre incrível Cirque du Soleil aterrissa e monta novamente sua lona em terras tupiniquins. Com um novo espetáculo que promete uma atmosfera ainda mais mágica e mística, o elenco composto por muitos dos melhores artistas circenses do mundo traz em “Amaluna” muito empoderamento para o picadeiro. E por aqui te contamos tudo dessa novidade, além de relembrar um pouquinho das apresentações anteriores do grupo de origem canadense no Brasil (pra começar a preparar o coração para mais uma experiência inesquecível).

O espetáculo acontece em uma ilha misteriosa que tem sua rotina baseada nos ciclos lunares e é governada por mulheres, deusas. Essa pegada empoderadora também é vista na direção que é assinada por uma mulher (Diane Paulus), e tem uma banda inteiramente formada por mulheres. E assim, a arte mais uma vez mostra seu papel político e social. O desenrolar da trama se dá quando as habitantes desta ilha comemoram a entrada na fase adulta de Miranda, filha da Rainha Próspera. Esta cerimônia que homenageia a renovação, o equilíbrio e a feminilidade gera uma grande tempestade que arrasta um barco desconhecido para ilha. Nele um grupo de jovens rapazes. Um deles se encanta por Miranda e se torna seu pretendente. Mas para viver este amor o jovem casal precisa passar por uma série de provações. Uma épica história de amor contada por artistas de mais de 50 países.

Dentre os números que compõem o espetáculo alguns chamam a atenção: Na tentativa de fugir de uma prisão um grupo de jovens desafia a gravidade em saltos precisos que utilizam como base uma gangorra. Em “Teeterboard” este grupo de rapazes beiram o impossível. A rotina da ginástica é apresentada pelas amazonas com a ajuda de rapazes capturados nas Barras Irregulares. A muitos metros a cima do palco um dispositivo circular tem tecidos e demais equipamentos aéreos presos, e em um carrossel os artistas contam a história deste romance em alta velocidade e em 360◦. E dentro de uma taça de água Miranda descobre sua sensualidade em uma demonstração de equilíbrio.

Para além das dificuldades físicas que por si só já encantam a plateia, os espetáculos desenvolvidos pelo Cirque du Soleil conseguem criar uma atmosfera envolvente. Todos os onerosos efeitos e aparelhos se somam a execução tranquila de números incríveis, sempre salteando aspectos teatrais e divertidos ao longo das apresentações. E para quem acompanha o esta trupe, vamos lembrar alguns trabalhos que já foram apresentados aqui no Brasil:

“Corteo” (2013) contava mostrava um cortejo criado a partir da imaginação de um palhaço. Em cena um universo lúdico e divertido que criava situações fantásticas e cômicas muito bem desenvolvidas por um time afinado de atores e artistas circenses. “Varekai” (2011), um espetáculo que teve sua estreia no exterior em 2002, era uma homenagem ao espírito nômade. Palavra que significa “onde quer que seja” traçava o enredo de Ícaro, que ao tentar voar rumo ao sol cai no mundo chamado Varekai. “Quidam” (2009) é um espetáculo de 1996 sobre uma jovem que deixa de ver sentido no mundo, sua fúria foi tamanha que o despedaçou, levando-a ao mundo Quidam, onde faz amigos que tentavam seduzi-la por um lado com o maravilhoso e do outro com o inquietante. “Alegria” (2007) tratava do mau uso do poder político, mostrando a necessidade de esperança e trabalho em equipe: Um reino sem rei e decadente passa a lutar por condições mais prósperas. O espetáculo de 1994 é considerado um dos mais populares. E, por fim, “Saltimbanco” (2006), um espetáculo de 1992 (o itinerante mais antigo do circo) é uma celebração. Narra a história de uma criança que parte para longe de sua família e abandona seu conforto para conhecer um mundo imaginário: Saltimbanco.

Os muitos universos encantados criados pelo Cirque du Soleil geralmente custam um preço bem “salgado” ao público, mas que se justifica por sua grande estrutura itinerante, seu elenco formado por alguns dos melhores artistas do mundo, e toda fantasia capaz de ficar na cabeça por semanas. Daqui estamos ansiosos para descobrir o que “Amaluna” e seu universo enigmático reserva!