7 de dezembro de 2019

Leandro Schepiura é um nome que você ainda pode escutar muito por aí. O trabalho que ele realiza jamais passa batido aos olhos de quem vê.

Leandro é de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Desde muito novo percebeu sua inclinação para o meio artístico, mas na região em que ele nasceu não havia perspectivas positivas em relação a carreira de artista. Negou e deixou pra depois. Ou nem tanto, sozinho ainda escrevia seus poemas.

Schepiura participou do Pagliaccio, iniciativa que prepara materiais educativos na qual os integrantes se fantasiam de palhaço e visitam crianças em orfanatos. Educação com amor!

Com 23 anos, trabalhava em uma multinacional, porém não estava nada satisfeito com o salário no fim do mês. Não por desejar dígitos a mais em seu contra-cheque, a insatisfação se deu por não identificar nesse trabalho a melhor forma de contribuir positivamente para a sociedade. Dessa forma, “lançou-se” ao desconhecido e esse desconhecido o colocou em um set de filmagens que o fez resgatar aquele amor inerente pela arte e decidir não deixá-la mais para depois. Assim, com muita determinação e suor, trabalhou em alguns comerciais conhecidos, como uma recente campanha da Itaipava, que também conta com a participação do Gabriel O Pensador. “Verão Sempre Vence”, são alguns filmes focados no humor. Inclusive, o primeiro episódio está disponível em 3D e tem as rimas do Pensador duelando com Aline Riscado.Entrou para a escola de teatro Martins Penna e participou da Oficina Libre, com Anselmo Vasconcellos. Mas você pensa que é ‘só’ isso?!

Leandro tem um projeto chamado Foto Arte, é um projeto realizado com o fotógrafo André Reinaldim. A ideia é simples, impactante, criativa e reflexiva. Leandro atrela suas poesias as fotografias artísticas feitas por André.

Apresentarei a seguir um pouco do FotoArte.

“Incrédulo Indistinto Sorrateiro

Faz do verde, maduro.

Faz ruga por ruga, trincando vagarosamente a beleza.

E a leva por fim.

Leva também suas forças, faz da rigidez flacidez.

Leva suas vontades, seus desejos, seus sonhos e até mesmo sua lucidez.

O tempo cospe na cara da futilidade.

Mostra o verdadeiro valor tatuando em linhas tortas e profundas a pele do rosto da vaidade.

Ri da liberdade, ri por continuar ali mesmo quando esquecidos.

O tempo passa ao rodar do ponteiro.

Tic Tac Nasce, Tic Tac Morre.

Tempo é hora? Ou demora?

Demora é tempo? Ou sentimento?

O tempo vai. O tempo não vem.

E com ele se vai tudo, o tempo corrói até o metal duro.

Para-se o relógio, mas não o tempo.

Então pare e viva!

Antes que não de tempo.”

Leandro Schepiura/ Foto: André Reinaldim

“Quente o sangue escorre entre meus dedos.

Sinto seu coração batendo.

Minha criatividade esta viva.

Abro-lhe o peito, arranco seu coração.

Expulso o amor de mim.

Isso é poesia.

A arte pode tocar em corações.

No mundo do faz de contas

Pelúcias sentem emoções.”

Foto: Sergio Santoian

Ao deparar com uma produção artística que transmite tanta sinceridade e talento como as do Leandro, pensamos: temos que conhecer o trabalho dessa pessoa. E por isso, realizamos uma entrevista para sabermos mais sobre o Schepiura. Confira o Exposé dessa semana.

Letycia Miranda – Como foi a decisão de se tornar artista e todo esse processo?

Leandro Schepiura – Desde muito cedo em minha vida senti uma necessidade de ir em busca de verdades e derrubar por terra as grandes hipocrisias da sociedade e minhas. Busquei por conhecimento e sabedoria. E entre tantos aprendizados que a vida me deu, compreendi, todas as pessoas têm uma missão. Mas nós não nascemos com o mapa do caminho, somente com uma bússola. Ela se chama sentimentos! Isso não ensinam na escola, não querem que você se encontre. A bússola não é difícil de usar, nem poderia, já nasceu em nós. É só prestar atenção no seu sentir, toda vez que estiver percorrendo seu caminho será tomado da mais simples e pura felicidade. Ela indica que você está no seu caminho, ela será plena, feliz pelo simples fato de estar. A tristeza é um alerta! Ela é para a alma o que a dor é para o corpo, um pedido de atenção! Se meus joelhos doem porque tenho pisado errado, de nada adianta remediar as dores, é preciso mudar a maneira de caminhar. E compreendendo isso fui encontrar minha missão. Ouvi dizer uma vez que aquilo que você procura também procura por você. O acaso me apresentou tudo o que precisava para me tornar artista comprovando a tese.

L.M – Como foi sua entrada na escola de teatro Martins Penna?

L.S – A procura de conhecimento e sem dinheiro no bolso, como a grande maioria dos artistas brasileiros, sai à procura de um curso gratuito. Eu ainda não sabia, mas isto faria toda a diferença. Me inscrevi para a Oficina Libre com Anselmo Vasconcellos sem ter a menor ideia do que iria encontrar. E me deparei com um trabalho maravilhoso de estudo do imaginário humano, realizado há décadas por Anselmo. Recebi muito conhecimento. Aprendi muito sobre a arte da atuação, como o corpo é a ferramenta do ator. A necessidade de esvaziar-se de si para tornar-se o personagem.

L.M – Sabemos que está atuando em comerciais, há interesse de expandir seu trabalho para filmes, séries ou novelas?

L.S – Sem dúvidas, para todos eles, desejo fazer arte a minha vida toda e que ela seja muito longa para que eu possa ter tempo de fazer tudo que desejo que vai desde atuar até um dia dirigir.

L.M – Como o Pagliaccio influenciou suas escolhas na carreira artística?

L.S – O universo é um espelho e ele te devolve tudo àquilo que você faz. Em 2011, criei o grupo Pagliaccio sem jamais imaginar que algum dia me tornaria ator, e em 2016 cinco anos depois, lá estava eu com minha nova profissão, mas para ser considerado ator perante a lei precisava do DRT, e para conseguir o DRT precisava comprovar experiência com arte. É ai que o bem que eu fiz voltou todo para mim e através do grupo Pagliaccio comprovei minha experiência artística.

L.M – Conte-nos mais sobre seu projeto Foto Arte.

L.S – O projeto Foto Arte é poesia pura, nasceu da necessidade de transcender as letras e fazer uma poesia visual.

L.M – O que você pode nos contar sobre futuros projetos como ator?

L.S – A vida de ator é uma vida muito inconstante e nunca se sabe ao certo qual será seu próximo trabalho, mas como projeto pessoal meu próximo passo é transformar o projeto de Fotografia Artística em Vídeo Arte.

L.M – Quais são as maiores dificuldades que você encontrou e encontra na construção da carreira artística?

L.S – São inúmeras as dificuldades de ser artista no Brasil. Alem das dificuldades pessoais no aprimoramento de sua própria arte é necessário enfrentar as dificuldades de se viver em um submundo, como os baixos salários, a criminalidade, a ignorância da população e o preconceito.

L.M – Qual artista influencia mais o seu trabalho?

L.S – Não teria um artista em específico para citar, admiro muitos! Mas uma de minhas grandes admirações é Clarice Lispector.

L.M – Sinta-se a vontade para deixar uma mensagem para o público.

L.S – Ouça seus sentimentos! Mova-se sempre na direção daquilo que lhe faz feliz. O Universo é sábio ele saberá aonde lhe levar.

Por Letycia Miranda

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