Conheça história da iniciativa que leva perspectiva através da educação
Nem toda revolução começa com grandes gestos. Às vezes, ela começa com um livro esquecido, uma estante improvisada — ou até mesmo uma janela. Foi com esse espírito de formiguinha que Maria Cristina Santana de Jesus deu início a uma iniciativa que hoje devolve sonhos e dignidade: o Livro: Liberdade Para a Alma.
Nesta entrevista exclusiva, mergulhamos na emocionante trajetória da mulher que ressignificou o ambiente corporativo ao transformar uma simples janela na DESO (Companhia de Saneamento de Sergipe) em um verdadeiro portal de alfabetização e esperança. Descubra como esse projeto de impacto social está mudando a realidade de Sergipe, unindo saneamento básico e educação para construir um futuro com mais dignidade e oportunidades através de seuprojeto de leitura.
A semente da leitura: da infância ao projeto

Para entender o impacto do projeto “Liberdade Para a Alma”, é preciso primeiro conhecer a origem de sua idealizadora. Maria Cristina cresceu em um ambiente onde a escassez era a regra, mas a vontade de aprender era a exceção que guiava seus passos. Criada em uma família numerosa com 11 irmãos e uma mãe que enfrentava todas as adversidades para manter o lar, o acesso a livros era um luxo inexistente na sua rotina doméstica.
A virada de chave aconteceu na escola. Foi através de uma professora visionária que Cristina descobriu que os livros não eram apenas objetos de papel, mas veículos para outros mundos. Essa educadora levava obras para a sala de aula e incentivava o empréstimo, pedindo que, após 30 dias, cada aluno compartilhasse o que sentiu e aprendeu.
“Eu sempre fui a mais empolgada em falar sobre a história e me encantava. Um dos livros mais marcantes foi A Ilha Perdida. Eu me senti naquele barquinho, enfrentando aquela chuva”, relembra Maria Cristina.
Essa experiência plantou uma semente que ficaria adormecida durante sua trajetória profissional, mas que germinaria com força total anos depois, dentro de uma das maiores empresas públicas de Sergipe.
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Projeto de doação e empréstimo de livros começou com 101 exemplares

A idealizadora conta que o projeto começou de maneira simples, como um sistema de empréstimo de livros dentro da DESO (Companhia de Saneamento de Sergipe), empresa onde trabalha há mais de 20 anos.
Ela pediu autorização para utilizar uma janela da empresa e colocou 101 livros disponíveis para empréstimo entre os colegas, que poderiam devolver os exemplares em até 30 dias.
“Então, (o programa) nasceu a ideia do só do empréstimo e, com o tempo, eu comecei a doar. Com cinco anos eu vi que deveria começar a doar livros. Tinha medo de doar e faltar livros para o programa.”
Mas o crescimento foi rápido: em cerca de sete meses, o acervo já contava com mais de 700 livros.
O projeto não foca apenas na educação, mas também na preservação ambiental. Maria Cristina aplica rigorosamente o conceito dos 5 Rs da sustentabilidade:
•Triagem: Livros em bom estado seguem para doação ou empréstimo.
•Reciclagem: Exemplares em estado crítico são destinados à CARE (Cooperativa de Reciclagem de Aracaju).
•Destinação: Além da sede da DESO, o projeto atua em clínicas de psicologia, institutos para neurodivergentes e grupos de mulheres vulneráveis.
“Minha preocupação é com o meio ambiente e com aplicação dos 5 Rs.”
Leitura que liberta: o trabalho em presídios

Um dos braços mais emocionantes do projeto aconteceu no sistema prisional, especificamente na ala LGBTQIA+ de um presídio masculino.
“Quando eu cheguei lá, eles me liberaram para entrar nessa aula. Eles me chamaram de professora, professora, professora. Eu quero ler tal livro. Outros não sabiam ler, mas os colegas liam na cela, segundo eles. Teve um evento lá no presídio de São João. Eu tinha levado um revistinho de Chico Bento. Um deles, ao ler a revistinha de Chico Bento, criou toda a apresentação de São João com uma historinha de Chico Bento lá. Ele falava daquela maneira como Chico Bento fala. Isso foi bem marcante. Era emocionante, apesar de triste de ver aquela situação ali.”
Maria Cristina também utilizou a escrita como ferramenta de reflexão, pedindo redações com o tema: “Onde as águas desse rio irão te levar?”.
Os relatos recebidos trouxeram histórias profundas sobre sonhos, arrependimentos e recomeços.
“Tinha uma mesma que tinha faculdade, era formada, ela era trans e foi uma paixão, um amor bandido, como dizia ela, que levou para aquele local, mas o sonho dela era sair, fazer a faculdade de estilista, alguma coisa assim que ela queria fazer, isso foi bem interessante.”
Histórias de encantamento no interior de Sergipe

Ao visitar povoados distantes, Maria Cristina presenciou o poder da imagem e do carinho com o objeto “livro”, mesmo para quem ainda não foi alfabetizado.
“Cheguei numa comunidade, apareceu uma mãe e uma filha, a filha já grandona e estava querendo livro infantil. Gostou do livro ‘O Sapinho Feio’. Nenhuma das duas era alfabetizada. Ela abraçou o livro com tanto carinho, a mãe disse: eu não estou vendo nenhum para mim, tem algum de igreja que cante música? Aí eu disse, não… mas eu vou achar um livro para vocês.”
Ao encontrar um livro sobre o Rio São Francisco com fotos de lavadeiras e cavalos, a reação da mãe foi imediata:
“Ai meu Deus, que livro maravilhoso, hoje eu ganhei o dia. Aí eu me emocionei com aquele, hoje eu ganhei o dia. Aí eu disse, quem ganhou o dia hoje foi eu. Aí ela disse, daqui eu vou tirar, vai me abrir a porta para meu desenho, porque eu desenho muito, eu tenho muitos quadros pintados.”
O Futuro e o Propósito: Como Ajudar?
Para Maria Cristina, o livro é um parceiro na mudança de rota do destino. O projeto sobrevive de voluntariado e doações, enfrentando o desafio de integrar literatura em uma empresa de saneamento e lidando com as mudanças de gestão.
O que o projeto precisa?
Mais doações: O foco são livros usados (aplicando os 5 Rs da sustentabilidade).
Público-alvo: Livros infantis e infanto-juvenis são os mais doados e os que mais precisam de reposição constante.
Planos para Crescer:
As ideias de Maria Cristina não têm limites. Ela projeta:
– Pontos de leitura em órgãos públicos e universidades.
– Bibliotecas Volantes passando mensalmente em povoados distantes.
– Pontos de troca em praças e pontos de ônibus (“Menos tela, mais leitura”).
“A leitura muda vidas”, afirma idealizadora
Para Maria Cristina, o acesso aos livros transforma completamente a vida das pessoas.
“Não tem como não mudar a vida. É uma vida antes e depois da leitura.”
Ela acredita que os livros oferecemnovas possibilidades e ajudam as pessoas a reencontrarem seus próprios caminhos.
“Todo mundo tem direito a escolher um novo rumo para a sua vida, mudar a rota do seu destino. E o livro é um grande parceiro, e oLIVRO: LIBERDADE PARA A ALMA é isso, faz bem para a alma, traz liberdade e nos levar a viajar muitas vezes sem sair de casa.”
Gostou desse trabalho? Você pode contribuir com doações de livros usados e ajudando na divulgação. Transformar o país através da leitura é uma missão coletiva. Confira a página do projeto no Instagram.
Imagem Destacada: Divulgação/@livrolpa
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