O novo longa de Cícero Filho, Babaçu Love, une humor, cultura popular e a luta das quebradeiras de coco para reafirmar a potência da produção regional
Existe algo muito simbólico em perceber que, mesmo antes de chegar oficialmente às salas de cinema, “Babaçu Love” já desperta uma curiosidade genuína. O longa, dirigido pelo cineasta Cícero Filho, ainda não possui uma data de estreia definida, mas o material divulgado recentemente já deixa claro o que o público pode esperar: uma obra banhada em humor, afeto e uma valorização profunda das raízes nordestinas.

Mais do que apresentar uma história ambientada entre o Piauí e o Maranhão, o filme assume um compromisso político e estético: mostrar um Nordeste vivo, contemporâneo e humano. Em um cenário onde as grandes produções nacionais ainda costumam concentrar seus olhares no eixo Rio-São Paulo, “Babaçu Love” surge como um lembrete necessário de que o Brasil é muito mais diverso e culturalmente rico do que aquilo que normalmente ocupa as telas comerciais.
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A trama: entre os palcos e os babaçuais
A narrativa acompanha a jornada de Diloura (Amanda Odillon), uma cantora de forró ambiciosa e levemente atrapalhada. À frente da banda que dá nome ao filme, ela percorre as estradas poeirentas da região em busca do sonho do reconhecimento nacional. Nessa trajetória, a personagem se vê dividida entre a sede pelo sucesso e a necessidade de manter o pé fincado em suas origens, em um roteiro que costura com habilidade o conflito afetivo e a crítica social.
O grande diferencial de Cícero Filho aqui é a autenticidade. O forró, os palcos improvisados e as vivências das pequenas cidades não aparecem como um “cenário folclórico” para turista ver, mas como a própria alma da história. Existe um carinho evidente na construção de cada tipo humano, permitindo que o público se identifique com aquele universo de maneira imediata.

O “pulo do gato”: nomes consagrados e a estética de revelação
Uma das apostas mais interessantes de Cícero para este lançamento é o equilíbrio do elenco. O diretor, conhecido por revelar talentos e imprimir um tom muito naturalista em suas obras, desta vez traz nomes de peso nacional como Whindersson Nunes, além das estrelas da música Solange Almeida e Mara Pavanelly.
Essa estratégia é inteligente: o filme utiliza o alcance desses ícones populares para atrair os holofotes, mas sem perder sua essência. Mesmo com rostos conhecidos, a obra preserva aquela estética de “cinema revelação”, onde os atores parecem pertencer organicamente ao ambiente. A presença das cantoras, inclusive, reforça a identidade musical que é o coração pulsante do filme, aproximando o cinema da cultura de massas do Nordeste.
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Além do riso: a luta das quebradeiras de coco
Mas não se engane: por trás do humor e das batidas do forró, “Babaçu Love” carrega uma mensagem densa. Enquanto Diloura persegue os holofotes, sua mãe, Paraibana (Gisele Vasconcelos), lidera a luta das quebradeiras de coco babaçu.
Ao inserir o protagonismo dessas mulheres e sua resistência por direitos trabalhistas e preservação ambiental, o filme amplia sua dimensão. Ele prova que é possível fazer um cinema popular, acessível e divertido, sem abrir mão de discutir as urgências do nosso tempo.
Um convite ao público brasileiro
Em um momento em que o audiovisual brasileiro ainda busca caminhos para se descentralizar, produções como “Babaçu Love” são fundamentais. Valorizar esse tipo de cinema é reconhecer que a nossa força reside justamente na pluralidade de sotaques e tradições, sem a necessidade de “adaptá-los” para que pareçam mais aceitáveis ao olhar elitizado.
Ainda que a espera pela estreia continue, o impacto do filme já começou. É um convite para que o público brasileiro olhe para si mesmo com mais curiosidade e orgulho. Afinal, quando histórias com essa força conseguem romper barreiras, não é apenas o cinema regional que celebra, é todo o audiovisual brasileiro que ganha um novo fôlego.
Imagem Destaca: Divulgação/TvM Filmes
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