Área dedicada aos jogos independentes aproxima estúdios de jogadores, imprensa e profissionais da indústria e transforma a feira em vitrine para novos projetos
Grandes empresas, lançamentos aguardados e convidados internacionais costumam concentrar parte das atenções da Brasil Game Show. Porém, longe dos maiores estandes, a feira também se tornou uma importante vitrine para desenvolvedores independentes. A BGS Indie coloca pequenos estúdios diante de jogadores, criadores de conteúdo, jornalistas e profissionais da indústria durante alguns dos dias mais movimentados do calendário gamer brasileiro.
Os números ajudam a mostrar o tamanho dessa participação. Em 2025, a BGS reuniu 124 jogos, sendo 67 produções independentes presentes na área dedicada aos indies. Mais da metade dos títulos disponíveis na edição, que recebeu 306.798 visitantes no Distrito Anhembi, fazia parte desse segmento.
Para 2026, a organização mantém novamente o espaço, permitindo que projetos autorais sejam apresentados diretamente ao público.
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Do desenvolvimento para as mãos dos jogadores
Participar da feira oferece algo particularmente importante para equipes menores: observar pessoas experimentando seus jogos.
Demos e versões ainda em desenvolvimento podem funcionar como testes em grande escala. O estúdio consegue acompanhar quais mecânicas são compreendidas rapidamente, onde surgem dificuldades e quais elementos despertam maior interesse.
Esse retorno presencial ganha importância porque pequenos desenvolvedores nem sempre possuem estrutura financeira ou acesso a grandes grupos para testes antes do lançamento. Na feira, o jogador acaba funcionando também como uma fonte imediata de feedback.
Além disso, existe o desafio da descoberta. Com milhares de títulos disputando espaço nas lojas digitais, conseguir atenção pode ser tão complicado quanto desenvolver o próprio jogo. Na BGS, um projeto independente divide o evento com marcas como Nintendo, PlayStation, Xbox e SEGA, aproveitando o público atraído pelas grandes empresas.

171 mostra o potencial da exposição
Um dos exemplos mais conhecidos dessa relação aconteceu com “171”, desenvolvido pela brasileira Betagames Group. Antes da BGS 2019, o estúdio realizou uma campanha de financiamento coletivo para preparar uma versão jogável e levar o projeto ao evento.
A arrecadação ultrapassou R$ 68 mil e permitiu a participação do jogo. Durante a feira, “171” chamou atenção dos visitantes, registrou filas e ganhou espaço em veículos especializados.
O caso ajuda a mostrar como funciona esse processo. Um projeto ainda em desenvolvimento chega ao evento, começa a ser experimentado pelo público e passa a gerar vídeos, matérias e comentários nas redes sociais. Dessa maneira, sua exposição consegue ultrapassar os limites físicos do estande.
Outro projeto brasileiro que utilizou a feira como espaço de apresentação foi “Pedro of Brazil”, da Quasares Game Studio, exibido na edição de 2023.

Imprensa e mercado ampliam as oportunidades
A presença de jornalistas e criadores também pode aumentar consideravelmente o alcance dos projetos. Durante a feira, desenvolvedores têm a possibilidade de apresentar seus trabalhos para profissionais capazes de transformar uma demonstração em entrevistas, vídeos, shorts, transmissões e matérias.
A BGS ainda oferece uma frente voltada aos negócios. Em 2026, a área B2B utiliza o sistema MeetToMatch para organizar reuniões entre profissionais e empresas. Para estúdios independentes, esse ambiente abre espaço para contatos com possíveis publishers, prestadores de serviços e parceiros comerciais.
Participar da feira, evidentemente, não significa garantir investimento, contrato ou sucesso comercial. O principal benefício está na oportunidade de acesso.
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Enquanto as grandes marcas ajudam a movimentar centenas de milhares de visitantes, pequenos desenvolvedores encontram uma chance de colocar seus projetos diante de pessoas que talvez nunca descobrissem aqueles jogos em uma loja digital.
Nesse sentido, a BGS Indie acaba exercendo duas funções simultâneas: funciona como vitrine para conquistar público e como laboratório para entender como esse mesmo público reage ao jogo. Para pequenos estúdios tentando conquistar espaço em uma indústria cada vez mais disputada, essa aproximação pode representar uma etapa importante entre desenvolver um projeto e finalmente fazê-lo ser conhecido.
Imagem Destacada: Divulgação/Brasil Game Show


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