Em “O que você faria se não tivesse medo?”, escritor espanhol discute trabalho, dinheiro e as escolhas profissionais sustentadas pela busca por segurança
Borja Vilaseca coloca uma pergunta desconfortável no centro de “O que você faria se não tivesse medo?”: quanto da vida profissional é resultado de uma escolha e quanto foi construído para evitar insegurança? Publicado no Brasil pela Principium, selo da Globo Livros, a obra discute a relação entre trabalho, dinheiro, estabilidade e realização pessoal em um mercado marcado por mudanças tecnológicas e econômicas.
Com tradução de Larissa Bontempi, a edição brasileira tem 224 páginas e chegou às livrarias em abril de 2026. Vilaseca parte das transformações ocorridas desde a Era Industrial para questionar um modelo de sucesso baseado em emprego estável, consumo e reconhecimento externo. A automação e a velocidade das mudanças profissionais entram nessa discussão como fatores que tornam antigas certezas cada vez menos seguras.
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Quando a Segurança Também Pode Limitar uma Escolha

A reinvenção profissional defendida pelo autor passa por identificar medos e crenças que interferem nas decisões sobre trabalho. Vilaseca aborda autonomia, criatividade, aprendizado e propósito como caminhos para construir outras possibilidades profissionais, além de discutir a tentativa de transformar interesses e talentos em projetos economicamente viáveis.
A discussão, porém, começou bem antes da atual corrida da inteligência artificial. A versão original, “¿Qué harías si no tuvieras miedo?”, foi publicada na Espanha em 2013. Em 2020, Vilaseca lançou uma edição ampliada e atualizada que já incluía capítulos dedicados ao desemprego tecnológico, sustentabilidade e mudanças no modelo econômico.
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Esse intervalo de mais de uma década ajuda a tornar o livro interessante em 2026. Algumas previsões sobre o enfraquecimento dos modelos tradicionais de emprego ganharam nova dimensão, enquanto a ideia de transformar paixão em profissão continua exigindo alguma cautela: renda, acesso a oportunidades e condições sociais também determinam quanto risco cada pessoa pode assumir.
Nesse ponto, a pergunta do título funciona melhor do que qualquer promessa de resposta rápida. Antes de ensinar alguém a mudar de carreira, Vilaseca propõe descobrir o que realmente está impedindo essa mudança.
Imagem: Divulgação/Globo Livros/Borja Vilaseca (Criada por inteligência artifical)


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