Painel sobre os 50 anos do tabloide fundado por Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral e Ziraldo  aconteceu no Auditório Prime, no sábado (7/12)

O jornal “O Pasquim“, ícone máximo da contracultura no país comemorou 50 anos de idade na CCXP19. O painel moderado por Francisco Ucha contou com Duayer, Ota, Ricardo Leite e Ricky Goodwin. No bate-papo, não faltaram curiosidades sobre algumas pautas do tabloide, além, é claro, de muita subversão.

Primeiramente, Ucha deixou claro que “O Pasquim” não foi criado para ser um jornal de esquerda, mas um jornal de humor. No entanto, seis meses após o lançamento, veio o AI-5 para censurar diversas manifestações artísticas. Deste ponto em diante, foi impossível não se posicionar contra a ditadura militar.

Pioneirismo, Fotos e Charges

Ricardo Leite ressaltou o pioneirismo do jornal ao abrir espaço para os cartunistas, algo incomum nos anos 1970. Enquanto exibia o projeto de sua HQ que está para ser lançada, Leite contou que insistiu muito por uma reunião com Ziraldo ainda garoto, aos 13 anos de idade. Na época não teve seus desenhos publicados, mas anos depois Ziraldo o convidou para desenhar no irreverente projeto “Revista Bundas“, umas espécie de “Revista Caras” do cotidiano.

Mas nem sé de cartuns vivia o tabloide. Fotos icônicas também estamparam as páginas do jornal. Duayer compilou e exibiu algumas de suas fotos mais populares que saíram no Pasquim, além de outras que não foram publicadas, como as de um jantar na casa do cantor Moreira da Silva, que acabou em confusão após uma briga de Moreira com seu genro. Além disso, o jornal revolucionou no uso da linguagem informal, que incluía gírias e outras palavras populares. Sobre isso, Ucha afirmou “eles eram os youtubers da época“, pela capacidade de comunicação com pessoas diversas.

Imagem: Divulgação/CCXP19

Por fim, apresentaram uma série de fotos e charges censuradas pelo Regime Militar. Os desenhos e fotos originais eram enviados para o censor e voltavam muito rasurados, de modo a inviabilizar qualquer possibilidade de publicação, obrigando os cartunistas a produzirem o dobro do material necessário, na expectativa de conseguir publicar algo. E ressaltaram que algumas dessas charges ainda valem para os dias de hoje, infelizmente. Duayer e Ucha ainda lançaram o livro “Salve-se Quem Puder! Cartuns e Fotos de Duayer” na CCXP19. Certamente um painel inesquecível!


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Amanda Moura

Bibliotecária, doutoranda em História das Ciências, e das Técnicas e Epistemologia. Apaixonada por cinema, séries e cultura em geral. Sem Os Goonies talvez não estivesse por aqui.

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