9 de dezembro de 2019

Ana Lins de Guimarães foi uma poetisa, nascida em 1889, na Cidade de Goiás, antiga capital do estado de Goiás, que ficou mais conhecida por seu nome artístico, Cora Coralina, e que deixou-se marcada em suas poesias e textos, tornando-se maior que eles.

De origem humilde, Cora não estudou em boas escolas, viveu fora de grandes centros urbanos e tinha em sua escrita um espelho da vida simples que levava. Seus contos e poemas mostravam o dia a dia da cidade do interior, seus habitantes, o passar do dia e a transformação da vida conforme as horas passavam.

“Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos.”

Meu Epitáfio, Cora Coralina.

Doceira de profissão, Cora viveu quase toda sua vida em uma casa, perto da ponte por onde passava o Rio Vermelho, famoso rio que corre pela Cidade de Goiás. Sua casa ainda está lá, como museu, com todo seu acervo e pode ser visitado. Guarda parte das lembranças, das memórias de uma mulher que viveu sua vida de forma honesta e bonita, colocando em seus poemas os mais bonitos pensamentos.

Não foi até a velhice, nos anos 80, que viu suas obras serem reconhecidas e ganharem nome por todo Brasil. Quando a Universidade Federal de Goiás (UFG) decidiu relançar um de seus primeiros livros, “Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais”, que Aninha, como era conhecida em sua cidade natal, viu-se lançada como escritora em todo Brasil, por mais que já tivesse um ou outro escrito reconhecido em grandes jornais, e seu nome fosse citado por grandes poetas, como Carlos Drummond de Andrade com quem chegou a se corresponder.

Apesar de não estar envolvida em movimentos libertários e de sua “fragilidade” ao escrever, os poemas de Cora escondiam a força de seus pensamentos, mas revelavam a coragem de seus atos, mais profundamente, revelavam a valentia que tinha por trás de sua imagem frágil. A partir do momento que assume seu pseudônimo aos 50 anos (antes ela vivia e assinava alguns trabalhos como Ana), a poetisa também liberta mais sua alma, envolvendo-se com o que imagina.

“Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.”

Aninha e suas pedras, Cora Coralina.

Ela não deixa de escrever sobre o que vê da vida, mas coloca sua essência e seu olhar sobre isso. Conforme vai envelhecendo, Cora escreve sobre seu marido, seus filhos, sua vida, e mistura isso a outras vivências, a outros olhares, a outras dores. A escrita dela é universal, por muito que seus textos estejam expressando sua alma, mas torna-se reconhecível pela grande empatia que causa, pela sensibilidade ao descrever a vida, o fim dela e o começo da morte, sem tristezas ou morbidez. A poetisa faz de seus textos um tutorial que pode ser entendido de muitas formas: talvez, como viver a vida, como ver a morte de uma forma corajosa, ou como qualquer outra boa interpretação que alguém possa ter.

Cora viveu 95 anos. Morreu em Goiânia, capital de Goiás, depois de ter vivido e visto muitos momentos. Por descrevê-los em seus poemas eternizou-os. E por se escrever se eternizou. E viverá para sempre.

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Marya Cecília Ribeiro

Marya Cecília é goiana de nascimento, mora em São Paulo há seis anos e ainda assim não consegue lidar com o clima 4 estações em um dia que rola nessa cidade.
Tem umas manias esquisitas, tipo ver um filme que gosta várias vezes, mas esta tentando lidar com isso (ou não). Falando nisso, ela não faz questão nenhuma de ser normal, então podemos apenas seguir em frente!

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2 thoughts on “Cora Coralina: a mulher que se tornou infinita

  1. TEATRO CORA CORALINA

    Um, dois, três, quatro…
    Segue a história do teatro
    Com nome de mulher doceira
    Poetisa e contista brasileira.

    A estória, aqui, não termina;
    começa a do Teatro Cora Coralina
    Aonde frequentam o menino e a menina
    Para verem a trupe que virou rotina.

    Autora de “Poemas dos Becos de Goiás
    e Estórias Mais” que não esqueço jamais.
    O nome é em homenagem a ela, aliás,
    Uma donzela da Cidade de Goiás.

    Agora no “Cora”, meu coração melhora,
    Na hora, em que chora, adora, aflora,
    Mora, demora e não quer ir se embora
    Dessa sonora aurora que não tinha outrora.

    Cora Coralina! Quão agradável esse clima
    Tal qual o teu nome que me ensina e rima
    com Umbelina, Crisolina, Lucilina,
    Opalnina, Angelina, Marculina,
    Paulina, Joselina, Carolina,
    Belina, Francelina, Natalina (…)

    És o canto cultural
    De um povo genial
    Exalador de sensibilidade,
    Ventilador da criatividade…

    Nessa terra que tem suíno, equino e bovino
    Foi o Prefeito e médico Moisés Avelino
    Quem inaugurou, em 1988, o Palácio da Cultura
    Dando aos artistas e a cidade mais estrutura.

    Nesse ambiente de estrutura e abertura
    Ganhou o artista, a urbe e a literatura.
    E a Prefeita Virgínia abriu a cortina,
    Em novembro de 2000, do Cora Coralina.

    De posse desse caderno e de minha canetas
    Anna Lins Guimarães Peixoto Bretas
    Ou Cora Coralina a quem doo esse poema
    Fugindo de problema e mostrando meu lema.

    É a te que os artistas entregam flores
    Em Paraíso, na Praça José Torres
    Aonde Alguns andam, brincam e dão grito
    Vendo o Museu Municipal João Batista de Brito.

    Grande Teatro Cora Coralina!
    Embora tenha cantina, tem na esquina
    A Academia de Letras de Paraíso
    Abraçando-te e dando o belo riso.

    Nobre Teatro Cora Coralina!
    Ainda que tenha cortina, na outra esquina
    Os “Canibais Lanches” estão a observar
    Quem, em te, vai declamar, cantar, cultivar…

    Para os artistas és o ninho
    E, ali, localizado e bem pertinho,
    Rádio FM não tem igual
    E a Praça José Torres é Cultural.

    Teatro que tanto bem trato
    E retrato meu pranto em prato
    No quarto que farto e não parto
    Meu contrato é perto de te, senão infarto…

    Teatro presente nos corações
    Pelas lindas apresentações
    De recitais, festivais e danças
    Despertando pura arte nas crianças.

    Cora Coralina que tem cor e arte,
    Tem luz e amor em qualquer parte.
    E que, nessa vida, nunca nos falte
    Espaço Cultural: nosso esmalte
    Por mais que, um dia, nos maltrate.

    Meu Teatro Cora Coralina
    Não acabou essa “gasolina”,
    Nem sumiu minha “proteína”;
    Mas és quem traz “insulina”
    Que aumenta a adrenalina
    De quem, em te, tem oficina
    Pra ascender a lamparina
    De onde se abrem a cortina…

    (Autor: ANGELLY BERNARDO, advogado e escritor do Tocantins)

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