Crítica: 13 Horas – Os soldados secretos de Benghazi

A angustia por trás da coragem

Depois de passar anos realizando projetos que seguiam a mesma linha, com adrenalina a flor da pele, muito efeitos especiais e exageros bastante explosivos, Michael Bay dessa vez investe em um projeto menor, traçando uma linha mais verossímil e sufocante, ao relatar com o máximo de fidelidade possível a história de seis soldados privados que estavam presentes em uma missão secreta em Benghazi, na Líbia, quando terroristas atacaram friamente um posto diplomático e um complexo da CIA.

“13 horas – Os soldados Secretos de Benghazi” aborda a tensão vivida por seis soldados de elite que desobedeceram uma ordem direta para tentar proteger um embaixador americano e diversos outros funcionários do governo que ficaram isolados ao serem atacados por dezenas de terroristas. Com um menor poder de munição, diante da ameaça, os poucos militares enfrentaram como verdadeiros heróis o grupo de rebeldes e o ataque mortal direcionado aos prédios.

A produção é assinada por sete profissionais, incluindo o próprio Bay.  Extremamente bem feito e realista, em todas as suas fases, graças ao acompanhamento dos soldados sobreviventes, responsáveis por supervisionar criação, o filme conta com efeitos de primeira linha que fazem grande diferença durante toda projeção, mostrando com veemência a hostilidade durante o conflito.

O roteiro escrito por Chuck Hogan (responsável pela série The Strain), é baseado no livro “13 Hours” de Mitchell Zuckoff. Embora contenha alguns clichês bastante óbvios, como a representação familiar em exagero, e o patriotismo exacerbado (marca registrada do diretor), ainda sim possui uma boa estrutura, que é costurada aos poucos, provocando devida apreensão as cenas, inclusive em momentos que tinha tudo para se tornar vazios e insípidos.

A direção de Michael Bay é firme e precisa, fugindo bastante do que está acostumado a fazer. Mesmo o que o filme contenha diferentes cenas de ação com explosões atrás de explosões, uma pulsante nova identidade cinematográfica do diretor surge através de tomadas perfeitas, contendo uma beleza significante. Os planos e ângulos escolhidos na maior parte das cenas, principalmente algumas em silêncio, provocam certa inquietude deixando-nos sem ar nos segundos seguintes. Em compensação, o diretor também peca com cortes rápidos em cenas erradas, perdendo a dramatização em momentos que mereciam planos mais longos.

O experiente Dion Beebe, responsável pelas belíssimas fotografias de Colateral e Nine, acaba sendo um destaque no filme com seu  craquelado entre tons de verde, azul e bege, revelando bem as dificuldades climáticas do local e os momentos de ação. Com competência, propõe uma determinada reflexão ao realizar alguns planos fechados, ao mesmo tempo que força o espectador a ficar mais atendo durante tomadas feitas em sequência, com uma câmera nervosa trabalhada com perfeição.

O elenco, de rostos não tão conhecidos pelo grande público, é liderado por John Krasinski na pele de Jack Silva e James Badge Dale como Rone. Krasisnki (da série The Office) não convence muito em algumas cenas dramáticas, mas consegue exercer o seu trabalho durante o tiroteio. Dale (A travessia), por sua vez, constrói melhor sua personagens e os conflitos emotivos vivido por essa. Max Martini, Pablo Schreiber, David Denman e Dominic Fumusa completam o elenco principal e realizam um trabalho de  competência. 

Direção de arte, figurino, cenografia e maquiagem, praticamente, fazem do filme algo ainda maior do que esse poderia ser. Com o apoio dos verdadeiros soldados conseguiram construir com perfeição o cenário caótico vivido por eles.

13 Horas não é um filme para grandes prêmios, como o Oscar por exemplo, a não ser que concorresse a alguns técnicos, contudo, sem sombra de dúvida, é um dos melhores e mais sinceros filmes de Michael Bay. Talvez se tivesse em destaque um nome mais conhecido faria maior sucesso, entretanto merece ser visto pela competência em retratar a vida ao invés da politicagem.