Crítica (2): Liga da Justiça

A tão aguardada “Liga da Justiça”, trouxe toda uma nova reestruturação e visão para os próximos passos dos filmes da DC Comics no cinema. Se antes os longas não agradaram como um todo, agora eles tentam encaixá-los a nova era de filmes de heróis

Na história, vemos a incansável busca de Bruce Wayne/Batman por aliados que possam ajudá-lo a combater um perigosa ameaça que se aproxima rapidamente. Ao lado de Diana Prince, eles correm contra o tempo para formar uma imbatível de liga de heróis capaz de derrotar um inimigo antes que o planeta Terra seja destruído.

O roteiro não funciona no produto final. Os dramas vividos pelos personagens não são aprofundados, devido ao tempo, mas os que já foram mostrados anteriormente também não trazem uma boa execução. O dramalhão entre Clark e Bruce não teve consistência já em “Batman vs Superman” e aqui outra vez termina sem êxito. A tensão existente entre Mulher Maravilha e Batman acaba por não se cumprir, nem no sentido de disputa pela liderança do grupo – uma vez que o Batman não tem superpoderes e é visto como o mais frágil dos super heróis – nem no sentido sexual, já que Gal Gadot e Ben Affleck não possuem química alguma para fazer com que os espectadores torçam por esse estranho casal. As outras histórias acabam por ser meio maçantes, mas necessárias, afinal, alguns desses personagens irão ganhar filmes solos nos próximos anos.

O enredo escorrega algumas vezes e cria situações frágeis para as explicações finais. O vilão não se sustenta e acaba sendo um personagem que não traz medo ou sentimento de que há algo urgente para ser resolvido. É um cara mau que não faz muita diferença dentro da história. Torcemos pela “Liga da Justiça” recém-formada, mas sem realmente criar um sentimento contrário pelo vilão. Sem falar que, apesar de ser uma história bem parecida com os quadrinhos, a duração do longa não é suficiente para que ele funcione, ou seja, o filme é curto para a história que eles tentam contar.

Ezra Miller é o melhor do filme em relação ao elenco. Engraçado, carismático e extremamente talentoso, o ator já provou seu dom histriônico em filmes como “As Vantagens de Ser Invisível” e no aclamado “Nós Precisamos Falar Sobre Kevin”, e agora mostra ter tudo em dose certa para interpretar o popular Flash. Gal Gadot não é surpresa nenhuma. Desde o primeiro momento, a atriz demonstra segurança na pele de Mulher Maravilha, conseguindo, inclusive, se sobressair em seu filme homônimo. Diana está exatamente como é esperado dela, para o deleite dos fãs. Jason Momoa já havia sido aceito desde sua escalação para Aquaman, e tem carisma e empatia o suficiente para fazer com que seu personagem tenha êxito, tanto dentro dos filmes da equipe quanto em seu projeto isolado. Ray Fisher faz um trabalho interessante como Cyborg, mas acaba sendo o herói menos memorável. Ele é importante para o desenvolvimento da produção, só que não tem um grande momento como seus colegas.

Henry Cavill volta com a mesma interpretação que já havia emprestado aos antigos filmes. É verdade que seu bigode foi retirado durante a pós-produção, mas esse é o menor de seus problemas. Superman passa de um herói deprimido, para alguém que está fazendo novos amigos. O mais surpreendente dessa equação é que ele faz piadas e brincadeirinhas. Mas, o ator não parece nada natural quando faz gracinhas junto com a Lois Lane de Amy Adams, que infelizmente não é bem aproveitada pelo longa: suas cenas são quase todas dispensáveis. Ben Affleck está apenas fazendo o mais do mesmo. Com sua inexpressividade, ele é o ator perfeito para viver o fechado Batman – que sempre se manteve longe de tudo e todos.

Há algumas melhoras sutis, como posicionamentos de câmeras, maior tenuidade em utilizar o zoom, as imagens perderam o ar triste e depressivo, as cores ainda são sóbrias, mas saiu a fotografia que escurecia o filme. Zack Snyder faz um bom trabalho, ainda que não seja dele completo. Mas, assumindo-se que boa parte da produção o é, buscar por novos termos mostrou que o diretor não está congelado – ainda que nem tudo funcione dentro do filme e que essa não seja uma das melhores obras sobre super heróis.

O filme “Liga da Justiça” estreia hoje, 16 de novembro, nos cinemas de todo país.

Crítica (2): Liga da Justiça
7Pontuação geral
Votação do leitor 0 Votos
0.0