8 de dezembro de 2019

Podemos dizer que “Liga da Justiça” é um filme que nasceu pressionado. Se por um lado o fracasso de seu antecessor “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça”, assustou a Warner Brothers, por outro há o grande sucesso angariado pela aventura solo da “Mulher Maravilha”. Dois extremos que mostram o desequilíbrio da DC em suas obras cinematográficas. Além disso, Zack Snyder deixou a produção ainda na fase de montagem, por causa da morte de sua filha. A solução foi chamar Joss Whedon para tocar o barco. Os fãs ficaram com o pé atrás quando Whedon decidiu mexer no roteiro e refilmar algumas cenas, e a bizarra história do bigode de Henry Cavill veio para completar o caos das refilmagens. Não há como negar que esses eventos deixavam um forte cheiro de bomba no ar, mas, felizmente, o cheiro se dissipa já nos primeiros momentos do longa, onde vemos a Mulher Maravilha em uma excelente sequência de ação.

Como já sabemos pelos trailers, o inicio é ocupado pela busca de Bruce Wayne (Ben Affleck) por aliados; para tentar proteger a humanidade de uma ameaça poderosa. Temos aí a introdução rápida (provavelmente por causa da interferência de Whedon) de Barry Allen (Ezra Miller), Arthur Curry (Jason Momoa) e Victor Stone (Ray Fisher), respectivamente Flash, Aquaman e Cyborg. Os três se juntam à Princesa Amazona (Gal Gadot). A interação entre o grupo também é breve, mostrando alguns conflitos que não passam de superficiais. O vilão é o Lobo da Estepe, que esta atrás das três caixas maternas escondidas com as amazonas, os atlantes e humanos.

O tempo é o maior problema de “Liga da Justiça”, já que o roteiro precisa apresentar inúmeros personagens e desenvolver a trama. O corte original de Zack Snyder possuía duas horas e cinquenta minutos, mas, depois das intervenções, foi montado com duas horas cravadas. São minutos que fazem falta em um blockbuster dessas proporções. Tudo é em grande escala e cada personagem precisa de espaço de tela suficiente para agradar os fãs, afinal, tratam-se de lendas da cultura pop. A montagem é eficiente em usar fragmentos de histórias e transformar em introduções, no entanto, não consegue mascarar a estranheza que é causada quando conflitos importantes são resolvidos em segundos.

Os efeitos visuais seguem o padrão de qualidade típica de Hollywood, só apresentando alguns problemas pontuais. Um deles é o rosto do Superman em um flashback do inicio do filme. A tentativa de retirar o bigode não foi totalmente eficiente, transfigurando o rosto do ator e ainda mostrando vestígios de pelos na face. Algumas cenas mostram claramente bonecos digitais e a artificialidade de seus movimentos. Se a montagem é bem trabalhada na introdução dos membros da Liga, o mesmo não pode ser dito da sua capacidade em ambientar o espectador durante algumas lutas e perseguições, contudo, aqui, a direção também tem sua parcela da culpa. Em vários momentos é confuso saber o que está se passando na tela; os planos fechados não ajudam na identificação do cenário e não é possível acompanhar a movimentação dos heróis e vilões; tudo fica extremamente embaralhado.

Os pontos descritos acima mostram que “Liga da Justiça” não é perfeito e segue convenções do cinema comercial, assim como seus concorrentes vindos da Marvel. Deixando os detalhes técnicos de lado, a experiência é prazerosa e empolgante, não tendo nenhum ponto que ofenda a quem assiste. O medo de mais um fracasso será esquecido após a estreia, e todas as pessoas ficarão apaixonadas e se divertirão com as piadas do Flash, a carranca do Aquaman, a beleza, nobreza e força da Mulher Maravilha; se colocarão na pele do Batman, o único sem super poderes, e sentirão saudades do Superman. Toda a força está nesses personagens, por isso, os aplausos surgirão ao final da sessão. No final mesmo! Já que há cenas importantes depois das últimas letras dos créditos.

Obs: Não perca tempo com a versão em 3D, é apenas um artifício vazio para gerar mais bilheteria.

 

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Rodrigo Chinchio

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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4 thoughts on “Crítica: Liga da Justiça

  1. Os filmes de ação são muito interessantes, eu acho que todos gostam de filmes de ação são bacanas, é muito bom assistir um filme, passar um bom tempo. Eu acho que Liga da Justiça é um excelente produto de entretenimento, têm uma história muito legal e é uma das melhores do ano passado. Eu estou feliz porque em HBO têm a programação e sem dúvida eu vou assistir novamente. Eu amo muito os filmes de açao. Na minha opinião os personagens fizeram um ótimo trabalho eu acho que eles merecem um prêmio. Os efeitos especiais são incríveis. Amei de mais

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