Crítica (2): Pantera Negra

​Na era dos super heróis, eis que surge algo diferente de tudo. Como já mencionado em diversos veículos, e de fato não seria nenhuma surpresa para os fãs desse universo, a Marvel e a DC representam o verdadeiro oposto em relação a suas criações. No caso da primeira, temos sempre um ar mais popular, vendável e cômico. No outro, vemos algo quase sempre obscuro, sério e, de certa forma, mais inteligente.

Veja bem, não estamos aqui para comparar nenhuma das duas, mas que existe uma grande diferença, com certeza já foi mais do que provado e mostrado nos filmes. EmPantera Negra, a Marvel traz o equilíbrio que precisava, pois depois “Thor: Ragnarok”, necessitávamos de algo um pouco mais centrado. E, certamente, o novo filme trouxe questões a serem discutidas de forma sadia.

A história fala sobre um príncipe, T’Challa (Chadwick Boseman), que após a morte de seu pai, o rei T’Chaka (John Kani), retorna a Wakanda para sua cerimônia de coroação. Mas nada é tão simples e bonito quanto parece. T’Challa precisa do apoio de todas as tribos para governar, porém, os Jabari não apoiam a decisão. Contudo, esse é o menor dos problemas que o novo Pantera Negra irá enfrentar.

A direção de Ryan Coogler nos remete a uma produção um pouco diferente do que estamos acostumados a ver, com a exceção de “Doutor Estranho”, que vem com a mesma proposta. Ryan tende a equilibrar o filme com uma história envolvente e planos abertos de tirar o fôlego. A comicidade é pontuada de forma correta e tende mais para o sarcasmo intelectual do que para tirar risadas bobas do espectador.

A fotografia de Rachel Morrison nos leva a uma Wakanda que mistura natureza em sua essência com a tecnologia mais avançada, mostrando que ambas podem existir juntas de forma harmônica. No meio da selva temos um ambiente mais sombrio, porém, dentro do reino e em momentos importantes vemos muitas cores como se fosse um lindo quadro pintado.

No elenco temos profissionais de altíssima qualidade, mas que não tiveram grandes destaques. Chadwick Boseman é o centro das atenções do começo ao fim. Contudo, conseguimos identificar pontos fortíssimos no lado feminino. Letitia Wright, que interpreta Shuri, a irmã de T’Challa, está ótima e é ela que vem com a função de satirizar e trazer o tal equilíbrio cômico citado acima. Danai Gurira, que faz Okoye, a general do exército de Wakanda, mais conhecida como a Michonne da série de sucesso “The Walking Dead”vem com o espírito guerreiro da mesma e até nos faz lembrar a personagem forte e destemida. Lupita Nyong’o é o par romântico de Chadwick Boseman, salvadora das causas importantes, ela não quer assumir o trono para poder cuidar de pessoas menos favorecidas. No papel, ela assume uma mulher independente que realmente sabe o que quer. E, para completar o quarteto de mulheres, Angela Bassett é a mãe de T’Challa. 

Com essas mulheres cercando o rei, podemos ver claramente que o filme passa a mensagem necessária e os diversos pontos que essas mulheres representam na vida e na formação do novo Pantera Negra. Além delas, temos a participação de Daniel Kaluuya, Winston Duke, Andy Serkis e Martin Freeman que complementam a trama. O contraponto fica a cargo de Michael B. Jordan que bate de frente com Chadwick Boseman e não deixa nada a desejar.

A trilha sonora escolhida é muito bem executada. Dividindo músicas africanas para os diversos momentos em Wakanda com o rei T’Challa (Chadwick Boseman) e mesclando com o hip hop quando vemos o garoto da cidade Erik Killmonger (Michael B. Jordan). A arte é um presente a parte. Com muitas cores e roupas típicas representando cada tribo, o filme vem com um ar “primitivo” mas ao mesmo tempo moderno.

Pantera Negra é um filme que traz representatividade e aborda em vários pontos a política atual dos Estados Unidos. Dando sempre, de forma sutil, uma alfinetada nas questões tratadas atualmente como o racismo, feminismo e o jeito que o governo americano trata os imigrantes. Não deixe de ver a cena pós crédito, é necessária e importante.

Crítica (2): Pantera Negra
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