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CríticaFilmes

Crítica (2): Thor – Ragnorok

Avatar de Daniel Gravelli
Daniel Gravelli
25 de outubro de 2017 4 Mins Read
Cores, humor, efeitos e mais humor

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Além de reflexão, cinema também é diversão. E venhamos e convenhamos, a diversão vende muito mais do que a reflexão, e a Marvel sabe muito bem disso! Não é atoa que instaurou sua própria fórmula e, com isso, vem desbancando qualquer outra produção do tipo que perturba o seu lugar nas bilheterias. O mais novo filme a entrar nessa lista é o aguardado “Thor Ragnarok”, que havia apresentado um dos melhores trailers já feitos para produções sobre super-heróis e isso acabou instigando bastante os fãs.

Com estreia marcada para a próxima quinta, dia 26 de outubro, “Thor Ragnarok” esquece completamente sua trajetória para adentrar de forma consciente no pastelão utilizado com sucesso por “Guardiões das Galáxia 1 e 2”. Uma sábia escolha, uma vez que esse ainda era o único personagem da Marvel (nos cinemas) que não sabia para qual caminho estava indo.

A trama serve para responder alguns acontecimentos que estavam em aberto e conectar personagens e situações com os dois próximos filmes sobre a iniciativa “Os Vingadores”. A história aborda a lendária profecia de Ragnarok, a qual relata a queda de Asgard – que seria totalmente consumida por catástrofes e poderia acarretar na morte de diversos deuses. Para impedir o fim de seu mundo, Thor luta contra o tempo para encontrar aliados que possam ajudá-lo a combater a poderosa e temível deusa da morte, Hela – responsável por reduzir em pedaços o indestrutível Mjolnir.  O único problema é que ele se encontra preso e escravizado em um planeta do outro lado do universo. Obrigado a entrar em uma mortal luta de gladiadores, Thor acaba se deparando com um antigo aliado.

Com um alto orçamento, a produção mergulha de vez nos efeitos visuais de ponta e concebe um dos filmes mais bem realizados em questões técnicas. Com um visual gritante, passeando por notáveis mudanças entre o trailer e o produto final, incluindo o retrato de algumas cenas, o filme se permite brincar com o universo Marvel de forma interessante.

O criativo roteiro, escrito por Eric Pearson (“Agente Carter”), Craig Kyle (“Logan”) e Christopher Yost (“Max steel”), embora respeite bastante os quadrinhos, toma para si uma liberdade necessária para engrandecer a personagem e a aventura nos cinemas. Enquanto antes Thor estava perdido em seu próprio filme – desperdiçando o seu destaque para os coadjuvantes -, aqui sentimos sua falta quando não está em cena. Com um humor ácido, oras navegando nas “terras da tosqueira”, os diálogos também fizeram grande diferença para o novo filme. E os roteiristas não economizam somente no protagonista, pelo contrário, todos tem o seu destaque sem parecer demais. Eles conseguiram colocar cada detalhe em seu devido lugar, respeitando o estilo Marvel e bebendo em outras inspirações.

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O diretor Taika Waititi (“A incrível aventura de Rick Baker”), em seu primeiro grande trabalho na meca do cinema, adota o caminho da estética a todo custo e constrói um verdadeiro filme pop – todavia, faz isso de forma grandiosa. E ele faz questão de nos lembrar isso a todo instante com seus planos grandes abertos que situam os diferentes cenários e toda suas exuberâncias, ou até mesmo a escolha por revelar de forma clara o emocional escondido por trás das piadas. É engraçado, é, mas também tem o seu lado dramático. Pela primeira vez encontramos uma identidade cinematográfica em um filme do Thor – mesmo que para isso precise roubar de outras fontes. O diretor evidencia claramente os problemas dos personagens, não com o mundo mas consigo mesmo. Temos os conflitos pessoais e os de relações familiares, evidenciados por enquadramento e ângulos precisos.

Surgindo como equilíbrio, da mesma forma usada pelo humor, temos uma explosiva estética oitentista na fotografia de Javier Aguirresarobe, bastante inspirada na obra do falecido desenhista Jack Kirby, com suas paletas exuberantes e uma pegada brega que funciona (deixando de lado o clima soturno que a história trazia nos filmes anteriores). Totalmente conceitual, o estilo adotado pelo design de produção é impecável e fornece um fôlego extra para a obra que ainda traz uma trilha sonora chiclete, capaz de empolgar o espectador na cadeira do início ao fim.

O casting também acerta bastante no time de coadjuvantes que entra para o elenco. A começar por Tessa Thompson (Valkyrie), que não está muito bem em sua primeria cena, mas depois vai mostrando sua presença na produção. Jeff Goldblum está ótimo como Grão-Mestre, caricato na medida certa, com seus trejeitos e gestos psicológicos. Tom Hidleston (Loki) e Mark Ruffalo (Hulk/Banner) se mantém bem em seus personagens, enquanto as participações de Anthony Hopkins (Odin) e Idris Elba (Heimdall) não trazem nada de novo. Já Chris Hemsworth, enfim, se encontra na personagem e nos proporciona uma atuação consistente e cativante. Todavia, a entrada de Cate Blanchett é uma das grandes jogadas do filme. Mais uma vez a atriz (que também vem arrebentando em “Manifesto”) ganha a cena e nos empolga com uma atuação que se equilibra entre o exagero e o contido, de forma convincente.

Sem dúvida alguma, “Thor Ragnarok” é um dos melhores filmes da Marvel até o momento e precisa continuar a seguir o mesmo caminho. Não sei como eles farão com o contrato de Chris Hemsworth acabando – principalmente agora que ele acertou os trilhos de sua interpretação – mas, qualquer mudança nesse sentido pode acabar prejudicando a produção. Vida longa ao novo Thor.

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é diretor e cofundador da Woo! Magazine, especialista em comunicação, storytelling e cultura. Com mais de 30 anos de experiência no mercado cultural como diretor, produtor, ator e roteirista, traz para a Woo! um olhar único sobre a arte e seu potencial de conexão humana. Escreve sobre entretenimento, comportamento e tudo que movimenta o cenário cultural brasileiro.

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