Crítica (2): Predadores Assassinos

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Com um ar de filme trash, uma produção de filme grande e uma direção que sabe imprimir tensão e toques de terror nas cenas, “Predadores Assassinos” entrega até mais do que se esperava de um longa do gênero, dirigido por Alexandre Aja, e também surpreende com um cgi muito bem feito.

A premissa do longa, assim como o roteiro, é simples. Durante um furacão, uma jovem se vê presa em um porão de uma casa com seu pai que está ferido. Enquanto a água inunda o ambiente, ambos precisam se salvar de crocodilos gigantescos que escaparam de um lago vizinho.

A primeira vista, tudo leva a crer que é realmente mais um filme trash, comum e talvez ruim. Contudo, o longa possui algo a mais, ele prende o espectador com uma tensão que é estabelecida desde os primeiros momentos. Alexandre Aja, conhecido por filmes como “Piranha 3D” (trash nem tão bem quisto pela crítica), traz um longa mais sóbrio, com uma história mais coesa, mesmo que simples, e que utiliza pouco para conseguir entregar muito em cenas que rendem de jump scare à muito sangue. Sem contar a beleza visual em algumas passagens, como a recriação da tempestade durante o furacão, ou quando a protagonista nada em um lago repleto de crocodilos.

E se tratando de visual, ao mesmo tempo que exagerado em performances, tamanhos e também em quantidade, os crocodilos do filme estão bastante verossímeis em questão de efeitos visuais. Assim como é elogiável o trabalho da cenografia, na criação de um cenário sujo (a ponto de nojento) no porão onde se passa grande parte do filme e no decorrer da história com a  reprodução da destruição dos ambientes a medida que a situação da tempestade se complica e a água sobe, enquanto a maquiagem ajuda o público a se contorcer de nervoso com os ferimentos dos personagens.

Foto: Divulgação/ Paramount Pictures

Por sua vez, o problema mais gritante do filme fica por conta da escolha do roteiro em repetir situações de riscos manjadas. Essas servem apenas para alongar a história e, apesar de renderem cenas visualmente agradáveis em determinados momentos, fica nítido que possuem a função de servir apenas  para enrolar o espectador. Quando o filme vai chegando mais para o final, o desenrolar das mesmas tornam-se ainda mais previsíveis. Outro ponto negativo, mas que não chega a atrapalhar a história e no fundo é necessário para a mesma, é o drama familiar (cliché clássico nesse tipo de longa). Ele se torna responsável por imprimir o sentimento em diálogos rasos e banais entre pai e filha, para causar alguma comoção no público, forçando o público a torcer por um desfecho feliz para ambos.

O dramalhão característico faz com que não se exija muito da atuação dos dois protagonistas, Kaya Scodelario (Haley Keller) e Barry Pepper (Dave Keller).  No geral, Kaya é quem mais se destaca no filme, tendo boas cenas, principalmente as de embates com os crocodilos – mas nada de extraórdinário. A direção contribui com a atriz por lidar bem com as cenas aquáticas, nas quais a mesma é mais utilizada. Nenhum dos coadjuvantes possuem algum destaque, e pouco aparecem no filme.

No final, sem economizar sangue e entregando animais realmente aterrorizantes – como se esperava de um filme que leva o título de “Predadores Assassinos” – o longa de Alexandre Aja consegue se superar principalmente quando trabalha o terror e a angústia. Não há medo em ferir os protagonistas, tão menos em mostrar sangue e cenas que beiram ao gore. Os exageros se tornam aceitáveis, principalmente dentro do gênero e do enredo da história, e existe um bom trabalho visual que grandes produções, de orçamentos exorbitantes, muitas vezes não conseguem entregar. Por isso, para quem quer uma boa diversão e tomar alguns sustinho, “Predadores Assassinos“, é uma ótima pedida.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Predadores Assassinos

Crítica (2): Predadores Assassinos
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