Crítica (2): Tomb Raider: A Origem

Quando se ouve falar que Hollywood pretende adaptar um jogo de vídeo game para as telas, os jogadores e os cinéfilos sentem um frio na espinha. Então, o que dizer quando é anunciado o reboot de uma adaptação de um jogo de vídeo game que tinha como protagonista uma das mais importantes atrizes da atualidade? Bem, é certo que “Lara Croft: Tomb Raider” e “Lara Croft – Tomb Raider: A Origem da Vida” com Angelina Jolie não foram unanimidades para os “entendidos” de games e cinema, mas agradaram o público em geral, se tornando sucessos de bilheteria. Substituir um ícone como Jolie em um recomeço de história era, no mínimo, um risco.

Dito isso, temos “Tomb Raider: A Origem” que, como o próprio título entrega, conta o início da carreira de Lara Croft (Alicia Vikander) como arqueóloga aventureira. Lara, desde a adolescência, treina lutas, arco e flechas e esportes radicais – além de adquirir conhecimento em arqueologia e história. Seu bilionário pai Richard Croft (Dominic West) é o influenciador da garota, sendo ele mesmo um grande arqueólogo. A trama gira em torno do desaparecimento de Richard depois que ele parte em busca do túmulo de uma suposta bruxa que guarda uma maldição e está enterrada em uma remota ilha na Ásia. Depois de um ano sem dar notícias, ele é dado como morto, deixando o grande império sem um líder.

O nascimento da heroína Lara Croft é quando ela aceita a morte do pai e decide tomar conta dos seus projetos arqueológicos escondidos em um porão, onde há muitas coisas, inclusive os dados históricos da tal bruxa. Claro que ela tentará desvendar o mistério que tomou a vida do único membro de sua família, apesar de não aceitar totalmente a sua morte. Como Indiana Jones, mas com muito mais charme e habilidades, ela enfrentará os perigos de uma selva desconhecida cercada pelo mar, onde há mercenários armados com equipamentos de guerra, que usam dezenas de escravos em trabalho de escavações. Em “Tomb Raider: A Origem”, Lara Croft sofre muito mais do que nos filmes anteriores, se machucando e sangrando em diversos momentos; transparecendo um ar de realidade nos seus gritos de horror quando cai com um paraquedas ou quando foge de uma caverna que desmorona.Para todas essas peripécias era de se pensar que uma atriz com experiência em filmes de ação fosse contratada. Não foi o que não aconteceu, já que a escolhida para o papel foi a ganhadora do Oscar e acostumada a produções dramáticas Alicia Vikander. Após passar  por um extenso treinamento antes das filmagens, Vikander consegue honrar sua antecessora ao executar cenas de lutas, perseguições e tiroteios com destreza. Seu carisma e boa atuação são pontos a favor, levando o espectador a se preocupar com cada queda ou soco que a personagem leva. Com certeza, já se trata de uma grande estrela mundial e fará por um bom tempo o papel de Lara Croft, isso dependendo do sucesso ou fracasso financeiro desse primeiro capítulo, evidentemente. Se a intérprete faz um bom trabalho, o mesmo não pode ser dito da produção e direção, pelo menos na maior parte da projeção. O cineasta norueguês Roar Uthaug não consegue imprimir ritmo em algumas sequências importantes, minimizando o impacto e diminuindo a emoção, principalmente quando elas se passam em cenários construídos em computador que parecem terem saído dos primeiros jogos da franquia.

Furos no roteiro deixam inverossímeis algumas ações de personagens importantes, como a do vilão Mathias Vogel (O sempre competente Walton Goggins) que diz a todo tempo que não vê os filhos há anos porque está preso na ilha até terminar o trabalho para o qual foi designado, no entanto, insiste em executar uma ordem que pode desencadear consequências mortais a eles. Também é curioso como os personagens se encontram por acaso em uma ilha com mata fechada e de enorme extensão. São pontos que poderiam ser mais bem cuidados, porém não atrapalham a experiência de quem só procura uma boa aventura sem precisar colocar as mãos em um joystique.

 

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