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Crítica

Crítica (3): Artista do Desastre

Excentricidade entre o real e o ficcional

Uma figura excêntrica e pouco conhecida nas terras tupiniquins é o Tommy Wiseau. De origem e idade desconhecida, o ator e cineasta polaco-americano, já deu muito o que falar. Ele foi o diretor do sitcom “The Neighbords (2015) e do documentário “Homeless in América” (2004). Porém foi em 2003 que ele alcançou a fama com uma ficção escrita, dirigida e produzida por ele: “The Room”.

O filme literalmente entrou para a história como uma dos piores filmes de todos os tempos. Mas se as coisas podem piorar, elas também podem melhorar. Tal status dado a produção, acabou rendendo exibições ao redor do mundo e hoje é considerado um longa cult. E tal façanha fez James Franco não se interessar somente pela figura de Tommy, mas pelo bastidores e a história da produção. Daí veio a proposta de “Artista do Desastre” (The Disaster Artist), onde Franco também atua, dirigi e produz.

O longa começa com depoimentos de atores e atrizes que ficaram famosos por papéis cômicos. Eles falam brevemente sobre o quanto gostariam de ter estado no set e o quão “confuso” e engraçado é esse capítulo na história do cinema. Porém sua narrativa começa em São Francisco, quando Greg Sestero (Dave Franco) se aproxima do excêntrico Tommy Wiseau (James Franco) após uma aula de atuação. Com o tempo eles desenvolvem uma amizade onde passam a compartilhar sonhos em comum. Entre eles, estava o de morar em Los Angeles e fazer sucesso como atores. É então que decidem largar tudo e dividirem um apartamento em Hollywood em busca de seus grandes momentos. Mas como todo mundo sabe, a vida de artista não é fácil e as coisas começam a complicar.

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Com inúmeros “não” recebidos pelos dois nas audições que participavam, Greg fala sobre produzir algo autoral. Ao ouvir isso, Tommy não pensa duas vezes e escreve um longa, “The Room“. Além do roteirista, ele também é o diretor, o produtor executivo, o produtor e casting e etc. É então, nessa narrativa que se encontra “Artista do Desastre”, mostrando as excentricidades e loucuras que aconteceram durante a produção desse marco audiovisual.

O roteiro escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber é baseado no livro “The Disaster Artist: My Life Inside The Room, the Greatest Bad Movie Ever Made” (O Artista Desastre: Minha Vida Dentro De “The Romm”, O Melhor Filme Ruim Já Feito – em tradução livre) escrito por Greg Sestero e Tom Bissell. A dupla busca dentro da trama o lado cômico de todo o processo. Embora tenha pontos dramáticos, foi buscando o lado bom das coisas que desenvolveram um roteiro dinâmico, com um humor acessível e natural. Embora, a figura protagonista não seja tão “natural” quanto se espera. Talvez, para ambos os casos, as produções se tornem tão únicas e divertidas, cada uma a sua maneira.

A direção de Franco é um dos pontos altos da trama. Não só por ele ter uma consciência como ator e como diretor, mas por saber extrair e, digamos, copiar o necessário. Nesse caso ele fez com que sua direção de elenco reproduzisse com o máximo de fidelidade as cenas do filme original. Tal proposta rendeu até uma sequência ao final do filme comparando ambas as produções e de fato ficou ótimo. Para suavizar ainda mais a trama, junto com a direção de fotografia de Brandon Trost, grande parte do filme é gravado com câmera na mão. Assim ele conseguiu trazer um aspecto dinâmico muito presente em sequências de primeira pessoa e documentários.

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Ao lado do irmão, Dave Franco, James protagoniza e rouba a cena. A produção tem diversas participações especiais como Zac Efron, Seth Rogen, Josh Hutcherson e Sharon Stone, quase irreconhecível. Dave até tem sua chance de se destacar, mas segue toda a trama com um mero “Ok”. Já Ari Graynor, soube aproveitar todas suas cenas como a atriz Julitte para chamar nossa atenção e se tornar a segunda melhor em cena. Sim, porque, como já afirmamos, o filme é literalmente de James Franco. Mas por uma ironia ou não do destino, também poderíamos dizer que essa se tornou um grande marco na carreira do mesmo. Se analisarmos de maneira geral, James que era uma grande promessa de Hollywood anos atras, acabou caindo no marasmo de filmes B/C pra baixo. Passou a ser uma figura controversa e por diversas vezes “negada” dentro da própria industria, não só com um comportamento supostamente questionável, mas também pela falta de critério artístico em inúmeros sentidos, nas produções que esteve presente.

Para bem, mais do que para o mal, “Artista do Desastre” é a chance de James Franco ser, ou voltar a ser, levado a sério. Ironicamente isso também se encaixa para Tommy Wiseau. A produção em si, não tem absolutamente nada de extraordinário, mas consegue encantar e entreter. Tal mérito vem exatamente da excentricidade cômica presente no que foi real e se tornou ficcional. Ao final, (spoiler alert) temos o encontro entre o Tommy ficcional e o real, dando ao filme outra oportunidade de engrandecer a narrativa e o trabalho de Franco. Ah, e antes que nos esqueçamos, a canção “The Rhythm Of The Night“, da Corona, faz parte da trilha sonora e ao tocar nos créditos finais, ela nunca mais sairá da sua mente.

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Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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