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CríticaFilmes

Crítica: A Noiva

Avatar de Mauro Machado
Mauro Machado
27 de outubro de 2017 3 Mins Read

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O gênero do terror parece em alta nos dias de hoje. Produções recentes e com muita qualidade como “Corra!” ou “A Bruxa” tem sido feitas, inclusive gerando bastante resposta do público e incitando debates sobre os mesmos, levando esse tipo de filme para além das salas onde são exibidos. Alguns até ganham fama de cult, beiram aquilo que é chamado, por vezes, de cinema de arte.

É dentro desse contexto que surge “A Noiva”. A produção russa, parte da antiga prática de fotos tiradas de cadáveres, arrumados e maquiados, em fins do século XIX e início do século XX. A ideia é explorar essa prática a partir de uma abordagem sobrenatural, envolta em mistério. O prólogo nos apresenta ao fotógrafo que tenta trazer de volta a alma de sua amada noiva. Ao fazer isso, acaba amaldiçoando gerações seguintes de sua família e o filme passa a se desenrolar no presente, partindo do casamento de um de seus descendentes com sua namorada. Seria um erro dizer que “A noiva” não cumpre seu papel de assustar, mas o faz pelos motivos errados.

O longa é fraquíssimo e entra na infindável lista de filmes esquecíveis e genéricos. Embora existam boas ideias e o material inicial parecesse bom, é nítido que os realizadores não souberam trabalhar com o que tinham. O problema vem, em sua maioria, do roteiro e da própria direção que incluem uma série de cenas sem propósito e que não levam nada para lugar nenhum. Existem várias conveniências no texto, como falta de desenvolvimento de personagens e de envolvimento emocional com eles, é tudo bem frio, além de sem sentido. Tudo é inundado pelos clichês, que não são necessariamente ruins, mas aplicados de forma terrível. Por muitas vezes é possível se pegar questionando as atitudes da protagonista, que segue por um caminho que nos deixa um pouco perdido. Por que alguém se casaria com outro que não conhece seus pais? Por quais motivos não convidaria ninguém de sua parte para a cerimônia de seu casamento ?

Essas problemáticas, aliás, trazem consigo sérios problemas de atuação. Tudo parece muito canastrão, tosco, ficando difícil acreditar nas personagens que estão em tela. A interação entre eles soa bastante artificial e não é nada crível. Aparentemente, tudo que o longa tem de errado funciona como bola de neve.

A Noiva

Ainda assim, salvam-se alguns quesitos técnicos. O visual está bem bonito e condizente com a atmosfera sombria e escura que se pretende, seja em maquiagem, figurino ou direção de arte. Perpassando esses tópicos, a fotografia prefere sempre tons de cinza e preto, quase como se houvesse uma névoa nos ambientes, mesmo dentro das locações fechadas. O som também cumpre bem seu papel, que praticamente não conta com trilha sonora. É recorrido a sonoridades dissonantes e sons diegéticos que, já clássicos, caem bem e de forma eficiente. Nesses sentidos, ainda temos um filme interessante, no máximo.

Em suma, “A Noiva” não traz nada de novo e nem de inovador. Recorre e cai em todos os lugares comuns de seus similares e os coloca em prática de forma precária, mesmo que um ou outro tópico ainda seja razoável. Seu maior mérito é, sem dúvidas, apresentar-nos um pouco do cinema russo contemporâneo. De forma ainda mais específica, do terror produzido no país. Isso permite apontarmos semelhanças e diferenças com o que estamos habituados em Hollywood. Consequentemente, a experiência de assistir a esse filme é, de algum modo, positiva, por pior que ele seja. Agora é esperar e torcer para que produções estrangeiras com qualidade possam chegar com ampla exibição em território brasileiro.

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5.5
4

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CinemaRússiaSuspenseTerror

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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