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CríticaFilmes

Crítica: Aladdin

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
22 de maio de 2019 3 Mins Read

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A Disney parece querer mostrar ao mundo que consegue sucessos de bilheteria sem depender das suas propriedades mais recentes. Ou seja, é preciso ser a grande Disney além da Marvel, da Pixar e da franquia Star Wars. O público não pode esquecer dos contos de fadas protagonizados por princesas e heróis sem capas e armaduras. É fácil constatar isso pelas várias produções que estão dando ou que darão as caras no cinema. No primeiro semestre de 2019 foi exibido “Dumbo” e agora “Aladdin”.  Até o fim desse ano e o início de 2020 ainda haverá “O Rei Leão”, “Malévola 2” e “Mulan”. Essa enxurrada de produções pretende ratificar o quase monopólio que o estúdio possui na indústria hollywoodiana recente. Claro que quantidade não significa qualidade e tombos serão frequentes. Pode-se dizer que “Aladdin” dá um leve tropeço, porém não chega a se espatifar completamente.

O início do longa dirigido por um irreconhecível Guy Ritchie já apresenta o personagem título interpretado por Mena Massoud em suas peripécias pela cidade. Ele perambula no meio das pessoas fazendo pequenos furtos para poder comprar comida. Com grande conhecimento dos becos e atalhos da cidade, suas habilidades acrobáticas e a ajuda do esperto macaco Abu, Aladdin consegue se sustentar. Em uma de suas ações, o jovem conhece a bela princesa Jasmine (Naomi Scott), que se disfarça para andar junto do povo e vivenciar seus sofrimentos. Jasmine se afeiçoa pela sinceridade e liberdade de Aladdin, no entanto, não pode contar a ele sobre seu título real. Naquele mundo, uma princesa só pode se relacionar com um príncipe.Há ali o começo de um amor que será desafiado por todo um reino e, principalmente, pelo vilão Ja’Far (Marwan Kenzari) que busca apenas poder. Ja’Far precisa de uma lâmpada mágica para tomar o reino do atual sultão (Navid Negahban), mas não consegue tirá-la de uma caverna onde há inúmeros outros tesouros. Apenas alguém de bom coração pode entrar nessa caverna sem cair na tentação de levar qualquer outra joia e ser enterrado vivo como consequência. Aladdin consegue entrar na caverna, enganar Ja’Far e ficar com a lâmpada. Agora ele terá a ajuda do gênio (Will Smith) para se tornar um príncipe e se casar com Jasmine. O gênio, aliás, é quem proporciona os melhores momentos da projeção com suas boas piadas e pelo carisma de Will Smith, apesar do CGI mal feito que transforma o ator em um boneco digital capenga. Pior que o CGI são os alguns momentos musicais sem inspiração. Não é correto chamar “Aladdin” de musical, já que as cenas onde os atores cantam são apenas de reflexão, como peças soltas do roteiro que não possuem grande importância para a trama e que não levam o protagonista do ponto A para o B. Os atores se esforçam, como na performance de empoderamento de Naomi Scott ou nas danças de Smith, porém, não é o suficiente para que o espectador saia do cinema com as músicas “grudadas na cabeça”.

Boa parte da culpa pelo desinteresse gerado é da direção, e quando dito acima que Guy Richie está irreconhecível, é por causa de sua atuação genérica nesse quesito. Não há nenhum vislumbre de seu estilo nas sequências de perseguição envolvendo o protagonista. Seus cortes rápidos, as câmeras inquietas e o seu sarcasmo não estão presentes. Alguns podem dizer que esses artifícios não caberiam em um filme feito para o público infanto-juvenil. Tudo bem, então porque ter Guy Richie e não qualquer diretor de encomenda disponível na indústria? Ocorre aqui o mesmo que aconteceu com Tim Burton em “Dumbo”: um diretor que vira uma marca de grife, apesar de Burton ainda conseguir incluir alguns elementos autorais em seu filme e de ser mais conhecido que Richie perante o grande público. No final, restam algumas boas piadas, um belo casal de atores e lindas paisagens feitas em computador dentro de um filme que é a cara da Disney, no melhor e no pior sentido.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Walt Disney Studio

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5

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Tags:

AladdinDisneyEstreiaRomanceWill Smith

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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