“Projeto Rosie” é o livro de estreia do australiano Graeme Simsion lançado em 2013. Nele, conhecemos Don Tillman, um professor universitário de genética. Com 39 anos, solteiro, bonito e extremamente inteligente, ele parece ser o homem perfeito, caso não tivesse uma particularidade: Apesar de ser quase um Rodrigo Hilbert, ele é péssimo quando o assunto são pessoas ou ter o mínimo de noção social. Isso traz problemas sérios para ele no campo do amor.
Na nossa opinião é isso o que torna o personagem tão envolvente, mas bem, há controvérsias. Ao menos para aqueles que convivem com Tillman.
Tillman tem a vida absolutamente toda regrada, organizada em horários definidos e uma rotina seguida a risca. Além disso, como a maioria das pessoas chegando aos 40, Don busca uma parceira. Uma tarefa que seria de certa forma fácil de resolver, se não fosse pelo seu comportamento peculiar. Pensando nisso, e usando os seus conhecimentos em genética e pesquisa, Don cria o Projeto Esposa.
O Projeto Esposa é um formulário com informações básicas e perguntas mais complexas que irão ajudá-lo a encontrar a parceira ideal. Ideal mesmo, nem quase perfeita ou menos, a mulher que acertasse o maior número de perguntas ou que respondesse certo àquelas que fossem realmente inegociáveis, seria a parceira certa para Don. Ou assim ele pensava.
Don acaba conhecendo Rosie, graças ao amigo Gene. No entanto, Rosie é, nos termos de Don, completamente inadequada. Sendo bastante pragmático, Don a corta do Projeto, mas decide manter a relação de amizade, pois acaba se comprometendo com uma tarefa que Rosie quer resolver e juntos criam o Projeto Pai. Nele, Don ajudará Rosie a descobrir quem é seu pai e os dois partem em uma busca, partindo de algumas informações que Rosie tem de sua falecida mãe.
Nós amamos esse livro! Mesmo. Don e Rosie são personagens incríveis cada um do seu jeito. Não é nem de longe uma história que vá te surpreender, mas é muito gostosa de ser lida e Simsion sabe conduzir muito bem as reviravoltas da história e desenvolvê-la mantendo a curiosidade do leitor.
O livro no caso é narrado em primeira pessoa por Don, o que chega a ser curioso. Muitas das atitudes de Don nós até chegamos a nos ver sendo aquela pessoa socialmente estranha, mas entender a cabeça de alguém que é tão meticuloso e cuidadoso com tudo o que faz na vida é realmente muito interessante!
Às vezes, Simsion entra um pouco mais profundamente em questões emocionais de Don, mas não é esse o foco do livro. Pelo que sentimos, ele queria mostrar um lado mais profundo e que talvez explicasse o motivo de Don ser do jeito que é, mas não queria pesar tanto o livro com esse tipo de assunto. Além disso, em nenhum momento o autor deixa explícito ou fala abertamente sobre a condição de Don, mas ele sofre da síndrome de Asperger: doença em que a pessoa não tem controle sob suas emoções, tendo grande dificuldade de interação social e afetivamente, diz o que lhe vem à mente e não tem consciência de que pode magoar alguém com seu modo de interpretar a vida.
Logo no início do livro, Don faz uma palestra sobre o assunto a pedido do amigo Gene, onde ele mesmo diz que a grande maioria dos adultos portadores de Asperger não tem conhecimento sobre isso. O livro, portanto, dá indícios de que ele possui a doença, mas não toca no assunto diretamente, o que na nossa opinião caiu super bem com o modo despreocupado e despojado que Simsion escreveu.
Estamos ansiosos para ler a continuação que já foi lançada e se chama “Efeito Rosie”. Para os que querem mais de Don e já leram o segundo livro, também há rumores de que um filme está sendo produzido, então vamos torcer para que ele saia logo.
Por Paula Arbex


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