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Crítica: Anne with an ‘E’

Na plataforma desde maio do ano passado, “Anne with an ‘E’” representa perfeitamente bem a ideia americana de “netflix and chill” – termo em que utilizam como uma de suas atividades preferidas, assistir a Netflix e relaxar. Com o ritmo mais tranquilo de cidade do interior, Anne, apesar de muitas vezes exagerada, envolve aos telespectadores por meio de sua visão otimista do mundo.

Baseada no livro “Anne of Green Gables”, de Lucy Maud Montgomery, a série traz a história da órfã Anne Shirley (Amybeth McNulty), no século XIX, em que, acidentalmente, foi adotada por um casal de irmãos no interior da ilha de Prince Edward, uma das províncias do Canadá. Anteriormente, Matthew e Marilla Cuthbert (R.H.Thomson e Geraldine James, respectivamente) procuravam por um menino para os ajudar na fazenda, visto que eles já estavam mais velhos.

Com toda a enrolação de ficar ou não com a menina, ambos se apegaram a adolescente de 13 anos, que muito havia vivido no orfanato e nas casas de família anteriores. Dessa forma, por estar sempre sozinha e vivenciando cenas terríveis de violência entre marido e mulher e até mesmo sendo torturada pelas outras garotas do orfanato, Anne desenvolveu um certo mundo paralelo, em que ela acredita ser a princesa Cordélia e tudo, em sua volta, é melhorado.

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Inicialmente, ela tem problemas com os colegas da escola local, por todos a considerarem esquisita e, principalmente, por não ter pais. Contudo, ao longo dos demais episódios, a ruivinha consegue conquistar alguns com sua alta criatividade e coragem para as situações que ocorrem na comunidade.

No geral, a narrativa é dividida em 3 partes: na primeira, é mais dramática, mostrando flashbacks da vida de Anne e, em praticamente todas as cenas, ela chorava escandalosamente por mínima que fosse a questão. Depois, no miolo dos capítulos, um tom mais leve foi implantado e fez com que todos os traumas do passado fossem esquecidos. Já no final, o drama retornou, mas de uma forma que não combina tanto com a série, visto que o mistério deixado como cliffhanger não bate com a vida monótona de todos os personagens.

Embora a trama relembre o lado bom de “Heartland”, mesmo que em alguns séculos atrás, há certos pontos que são exaustivos. Quando era mostrado, com frequência, a difícil trajetória de Anne, dava a entender que seria uma obra lacrimogênea e com certa reflexão. Contudo, após a desenvoltura dos demais minutos, essa ideia se perdeu e o produto da Netflix tornou-se apenas uma boa série para passar o tempo e que não precisa de muito raciocínio. Se passasse na Rede Globo, poderia roubar o lugar da “Sessão da Tarde” com facilidade.

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Além disso, o comportamento anormal da menina poderia ser explicado de forma até poética, caso soubéssemos mais das encrencas que ela precisou viver antes de chegar a Green Gables. A imaginação fértil, em muitas vezes, deixou de ser bonitinha para ser irritante e até preocupante, como se fosse algum problema mais grave.

Novamente, seria compreensível esse refúgio imaginário da menina, se houvesse uma explicação melhor de tudo o que ela sofreu e, não, simplesmente por gostar de sonhar – já que, assim com as outras meninas da escola consideravam Anne maluca, o telespectador pode ter a mesma opinião.

Agora, de resto, cada núcleo foi muito bem estruturado, tirando a inutilidade do personagem Jerry (Aymeric Jett Montaz), que se não tivesse sido criado, daria no mesmo. O empregado mirim dos Cuthbert só serviu mais no final, mas somente para deixar o mistério dos novos moradores da cidade. Quanto aos outros personagens, alguns poderiam ter tido um pouco mais de destaque, como, no caso de Gilbert (Lucas Jade Zumann), que, após a morte do pai, ficou órfão e essa questão não foi muito discutida.

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De fato, a distração é garantida e, dentro dos moldes prometidos da época e do gênero, “Anne with an ‘E’” atinge o objetivo de entreter e nos divertir. Com cenas bonitinhas para a idade, os laços de amizade e até sobre o primeiro amor, com certeza, conquistam e nos faz querer uma nova temporada – esta que só irá estrear no mês de abril deste ano.

Confira o trailer abaixo:

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Reader Rating2 Votes
10
7
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É da Cidade Sorriso e, sim, sorri de uma ponta a outra olhando para o Rio de Janeiro que, claro, continua lindo. Ama filmes de comédia romântica e suspense, chora em alguns - até porque chora, inclusive, em comercial de TV -, não curte nem um pouco terror e defende com unhas e dentes seus personagens preferidos das suas séries. Geminiana e... isso já diz tudo.

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