As Malditas é uma tragicomédia que trata de assuntos bastante densos como relações familiares conturbadas, poder e dependência, amor, ódio e tantos outros sentimentos tão humanos quanto essas duas personagens. Duas irmãs que se odeiam e vivem a contragosto uma relação de dependência mútua: uma, viúva, pobre e fanática religiosa, e outra deficiente física, professora universitária aposentada e apreciadora de música clássica. Encarnadas por Junior Dantas e Maykon Renan, dois atores que apenas com trabalho corporal e voz conseguem trazer a cena essas duas figuras inusitadas, sofridas e amargas.

Na produção não é utilizada nenhuma caracterização para trazer à tona Rosa e Margarida. Os atores contam apenas com seus corpos e com um figurino, assinado por Prateleira de Estilo e Vicentini, que cria a unidade estética entre eles. Sabe-sen desde o início da peça, que trata-se de teatro e a ilusão também é quebrada pela iluminação e cenografia minimalista proposta por Gustavo Valente, onde uma cadeira é ressignificada a todo instante pelos atores que também a movimentam nos focos de luz, que ora propõem recortes no palco, criando espaço-tempos diferentes, ora são mais gerais acentuando a atmosfera seca e dura dessas duas mulheres.as-malditas5A precisão de certos movimentos realizados durante a encenação demonstram uma preparação corporal que certamente bebe um pouco na dança, e potencializa a cena, e em muitos momentos, o movimento cômico. A fisicalidade propõe uma tensão constante dos corpos e a expressividade fica, em sua maior parte, a cargo do rosto e membros superiores bem como com o esgarçar das palavras ditas por cada um. O uso de repetição e distorções silábicas são os pontos altos do espetáculo que faz o público receber aos risos a condição humana precária em que se encontram essas irmãs. Uma forma bastante inteligente do dramaturgo Saulo Queiroz e do diretor Adrén Alves que conseguiram dar leveza cômica a uma temática tão pesada.

Vale a pena conferir esse comédia que segue em cartaz até dia 21 de Dezembro sempre as 21:00 horas no Teatro Cândido Mendes.

Crítica: As Malditas
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