Crítica: As Trapaceiras

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Uma atrapalhada golpista australiana resolve fazer uma aposta com uma sofisticada trapaceira britânica para descobrir quem é a mais habilidosa em aplicar um golpe em um jovem bilionário gênio da tecnologia.

Comédias de duplas costumam encontrar a sua força na dinâmica entre os seus, ou suas, protagonistas. Normalmente, é comum os personagens serem contrastantes a ponto de que o enredo passa a girar em torno dessa dicotomia para gerar momentos cômicos e, consequentemente, conduzir os altos e baixos da história. É só analisar a dupla de protagonista de “Os Safados”, de 1988, obra adaptada em 2019, agora protagonizada pela dupla de atrizes Rebel Wilson e Anne Hathaway.

Assim sendo, o longa “As Trapaceiras” procura apostar nessa receita ao apresentar a dupla de trambiqueiras com métodos e estilos completamente diferentes que eventualmente têm seus caminhos cruzados. Entretanto, a expectativa promissora que a premissa, até então simples, do projeto, e do filme de 1988, deixou para os espectadores é totalmente frustrada por uma comédia fraca, repleta de piadas terríveis enfiadas à exaustão em uma trama completamente sem foco.

À primeira vista, a direção de Chris Addison até parece ter uma certa inspiração na escolha de alguns planos, principalmente na cena do “saco de lixo” no início do filme. Entretanto, o trabalho do diretor acaba caindo na mesmice com outros enquadramentos que parecem ter saído de um videoclipe e constantes quebras de eixo que tiram qualquer lógica visual de uma simples cena de diálogo. Vale ressaltar que o termo eixo refere-se ao posicionamento das câmeras para que um plano e contraplano sigam uma lógica e o espectador não fique perdido na cena.

Porém, o maior problema do filme é roteiro de Stanley Shapiro, Paul Henning, Dale, Launer, Jac Schaeffer. As situações criadas para os golpes que apresentam o estilo das duas golpistas são até interessantes e criativas. Contudo, as demais são inverossímeis e esticadas desnecessariamente para que o filme possa avançar. Além de não saber criar situações críveis para o desenrolar da trama, a equipe de roteiristas parece não saber dividir os atos da história.

Considerando que a trama principal só se inicia na metade do filme, a impressão deixada é a de que o primeiro ato se estendeu muito além do necessário. O segundo, é extremamente corrido com idas e vindas que literalmente não levam o sentimento do espectador a lugar nenhum. Já o terceiro estabelece um conflito que até sugere alguma substância que realmente faça a história empolgar. Mesmo assim, o roteiro apenas deixa uma discussão piegas sobre princípios morais, e a resolve de maneira ridiculamente preguiçosa.

Apesar disso, a dinâmica entre as personagens é o único elemento que consegue oferecer alguma diversão para o público. Todavia, mesmo rendendo bons momentos, as atuações se dividem entre altos e baixos. De um lado, o exagero e a presença da personagem Rebel Wilson, conhecida pela franquia de “A Escolha Perfeita”, que interpreta sua mesma personagem de sempre, só que dessa vez com um sotaque australiano. Do outro a sutileza e a sofisticação de Anne Hathaway, que merece destaque por seu talento ao interpretar uma sedutora, porém experiente golpista britânica que consegue simular desde a ingenuidade de uma jovem americana à uma psiquiatra alemã com métodos nada ortodoxos.

“As Trapaceiras” é uma comédia fraca, repleta de piadas ruins que, apesar de se sustentar com a diversão gerada por suas protagonistas, não consegue escapar da sombra da mesmice.

O filme chega aos cinemas no dia 25 de Julho.


Imagem: Divulgação/Universal Pictures

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