Cinebiografia do rei do pop, “Michael” vai além de ser uma “homenagem aos fãs”
No dia 23 de abril, chegou aos cinemas “Michael”, a cinebiografia mais aguardada pelos fãs e admiradores do maior artista que o mundo já conheceu: Michael Jackson , entre os períodos da pré-produção, início, pós-produção e refilmagens todo o processo do filme durou cerca de 3 anos para ser finalizado.
Uma espera que valeu a pena quando vemos o resultado final.
Mais do que recriar performances icônicas, Michael mergulha na humanidade de Michael Jackson, revelando um artista que transformava as dores do mundo em música enquanto enfrentava julgamentos sobre sua aparência, limitações criativas e o peso de viver constantemente sob os olhos do público, em uma atuação intensa e sensível de Jaafar Jackson
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A parceria que mudou a história do Michael Jackson
A transição entre o Michael criança e o Michael adulto no filme Michael acontece de forma extremamente sensível, mostrando não apenas o amadurecimento do artista, mas também os conflitos emocionais que o acompanharam desde cedo. Em várias cenas, o filme deixa evidente o medo que Michael Jackson sentia do pai, Joseph Jackson, ao mesmo tempo em que revelava sua enorme vontade de seguir um caminho próprio.
Mesmo já sendo um fenômeno ao lado dos irmãos, Michael queria mais do que continuar dentro do grupo. Ele sonhava em criar sua própria identidade artística, experimentar novos sons, desenvolver performances grandiosas e levar a música pop para um nível que ninguém havia imaginado antes. O filme consegue transmitir bem essa inquietação artística, mostrando um artista que desejava liberdade para criar e expressar tudo aquilo que carregava dentro de si.
Ao mesmo tempo, a produção mostra como Joseph comandava a carreira dos filhos com mãos de ferro. Era ele quem decidia turnês, apresentações, entrevistas e compromissos, sempre tentando manter o grupo unido e sob controle. Muitas vezes, os filhos apenas obedeciam. Se Joe determinava algo, aquilo precisava ser feito.
Mas Michael já pensava muito além daquela estrutura. Ele tinha ideias para figurinos, conceitos visuais, coreografias e videoclipes que poderiam nunca sair do papel caso continuasse preso às limitações impostas pelo pai. E foi justamente nesse período que surgiu uma das parcerias mais importantes da história da música: seu encontro com Quincy Jones.
Quincy já era considerado um dos produtores mais respeitados da indústria musical. Trompetista, compositor, arranjador e produtor, ele trabalhou com artistas lendários como Frank Sinatra, Ray Charles e Aretha Franklin. Sua experiência misturando jazz, soul, pop e arranjos sofisticados fazia dele o parceiro perfeito para um artista tão visionário quanto Michael.
Quincy Jones foi fundamental na produção de três dos álbuns mais importantes de Michael Jackson:
- Off the Wall (1979)
- Thriller (1982)
- Bad (1987)
Quincy Jones foi essencial na carreira de Michael Jackson, mas o álbum que realmente o consagrou como artista solo e o fez ganhar autonomia foi “Thriller” (1982) que até hoje foi o álbum mais vendido do mundo, com mais de 100 milhões de cópias vendidas. Com esse trabalho, ele rompeu de vez com a imagem de ex-integrante dos Jackson 5 e seguiu seu próprio caminho, se tornando um fenômeno global da música pop.

Entre o vitiligo e as mudanças na imagem
Nesse período de ascensão, Michael passou por momentos difíceis em sua vida, entre eles um comercial realizado para a Pepsi, um trabalho que ele nunca quis fazer, já que desejava focar em sua própria turnê. Ainda assim, ele foi incentivado pelo pai a participar da campanha.
Em determinado momento do comercial, portões se abririam e Michael desceria as escadas cantando uma versão de “Billie Jean” adaptada para a marca. Porém, quando os portões foram abertos, um efeito pirotécnico foiacionado de forma inesperada. As chamas atingiram sua cabeça, causando queimaduras no couro cabeludo e afetando diretamente seu cabelo.
Esse episódio é interpretado de forma realista no filme Michael, sendo um dos momentos de maior impacto emocional da produção.
A partir desse acontecimento, Michael Jackson enfrentou diversas mudanças em sua aparência ao longo da vida, além de outros desafios de saúde. Após o acidente, ele passou a usar perucas, já que o couro cabeludo nunca se recuperou completamente. Ele também sentia dores constantes, o que o levou a depender de medicamentos para aliviar o desconforto e conseguir dormir, algo que se tornou difícil com o tempo.
Michael também tinha vitiligo, uma condição de pele em que ocorre a perda de pigmentação em algumas áreas do corpo, formando manchas mais claras. No caso dele, a condição foi se desenvolvendo ao longo dos anos, afetando sua aparência de forma progressiva. Para uniformizar o tom da pele, ele utilizava tratamentos dermatológicos, o que contribuiu para a mudança gradual da coloração ao longo do tempo.
Ele foi amplamente julgado por sua aparência, enfrentando ataques da mídia e do público, que muitas vezes afirmavam, de forma equivocada, que ele tinha vergonha de suas origens, o que não correspondia à realidade.
No filme, o vitiligo de Michael é abordado de maneira mais explicativa, buscando ajudar o público a compreender e desmistificar parte das narrativas criadas pela mídia sensacionalista em relação às mudanças em sua aparência.
Vemos também em Michael (filme) o quanto o julgamento de seu pai sobre sua aparência o afetava internamente e impactava sua autoestima. Michael deu início à sua primeira cirurgia no nariz, que inicialmente tinha como objetivo corrigir uma condição respiratória, mas o motivo ia além disso.
Ele não se sentia bem com o formato do próprio nariz e lidava com inseguranças relacionadas à sua imagem.
Seu pai o atacava com palavras pejorativas, como “narigudo”, e isso o marcou profundamente, criando feridas internas ao longo do tempo. No filme, a cirurgia é abordada de forma mais emocional, mostrando Michael falando sobre o desejo de ajustar o nariz por não considerar seu rosto simétrico em fotos. Já o contexto de uma lesão no nariz durante um ensaio de dança, que teria sido o motivo inicial da cirurgia na vida real, não é explorado na narrativa, sendo apresentado de forma mais simbólica e voltada à construção da sua imagem.

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O artista que elevou os clipes a um nível cinematográfico
Michael chega aos cinemas para mostrar, mais uma vez, a força que Michael Jackson tinha e o quanto ele revolucionou a forma de fazer música, dança e performances. Seus videoclipes foram transformados em verdadeiros curtas-metragens cinematográficos, com narrativas construídas antes mesmo das músicas começarem.
Antes de Michael, esse formato de videoclipe não era comum. Com ele, o cenário mudou, incorporando recursos cinematográficos e elevando o nível da produção audiovisual na música. Esse foi um dos grandes diferenciais que ele trouxe para a indústria.
Artistas que vieram depois passaram a ter , e ainda têm , suas obras como referência e inspiração para suas próprias carreiras.
No documentário “Thriller 40” (Paramount+, 2023), Michael Jackson explica, durante o processo de produção do curta-metragem de Thriller, o que o motivou a criar esse tipo de videoclipe:
“Estamos tentando trazer de volta os curtas-metragens, o que faremos com, uh… com Thriller. Muitos vídeos… odeio usar a palavra ‘vídeo’, porque gosto de pensar nisso como um filme, o que é… estamos fazendo um curta-metragem. Muitos deles são terríveis, e eu queria que Thriller e Beat It fossem estimulantes para as pessoas fazerem vídeos ou curtas-metragens melhores. Eu realmente gostei, porque, quero dizer, eu adoro a MTV, assistir, você sabe, eu acho ótimo, mas muitas coisas que eu vejo não me interessam muito.”
Michael Jackson
E essa visão e esse olhar do Michael Jackson conseguimos ver perfeitamente no longa.

Jaffar Jackson – o peso do sobrenome e a responsabilidade de interpretar o próprio o tio
Jaafar Jackson, filho de Jermaine Jackson, irmão de Michael Jackson, conquistou, por meio de muito trabalho, preparação e testes, a oportunidade de dar continuidade ao legado do tio nos cinemas. Jaafar também segue os passos do pai e do tio na música, tendo gravado, no Brasil, na favela do Vidigal, em 2019, o videoclipe de sua canção Got Me Singing.
A essência em cena: Jaafar Jackson não interpreta, ele se transforma em Michael Jackson
Jaafar Jackson entrega uma atuação que vai além da responsabilidade familiar. Longe de qualquer caricatura, ele constrói um retrato sensível e fiel, captando a essência de Michael em sua forma mais pura.
A forma de falar, os gestos e, principalmente, as performances são reproduzidos com precisão impressionante. Há um cuidado minucioso em cada detalhe, o que torna sua atuação não apenas convincente, mas emocionante, como se estivéssemos vendo o próprio Michael em cena.
Michael, em vida, era um ser humano de humanidade sem limites. Sentia as dores do mundo, suas falhas e problemas, e transmitia tudo isso em suas músicas como uma forma de alertar e conscientizar a humanidade a fazer melhor pela Terra. E isso Jaafar Jackson conseguiu levar para a tela com precisão, como se estivéssemos vendo o próprio Michael ali.
Em Michael, também conseguimos enxergar um lado muito intenso do perfeccionismo de Michael Jackson, não apenas nas performances, mas na maneira como ele imaginava quem queria ser. Cada detalhe de palco, figurino, dança e expressão parecia nascer primeiro na mente dele, como se Michael já visualizasse tudo pronto antes mesmo de acontecer. Existia nele uma necessidade quase obsessiva de transformar aquilo que sonhava em realidade.
O filme também mostra pequenos momentos em que Michael repetia em voz alta frases sobre si mesmo, dizendo que era bonito, que era lindo e que conseguiria fazer tudo o que quisesse. Isso transmite muito mais uma busca por autoconfiança e fortalecimento emocional, especialmente quando pensamos na infância difícil e na pressão constante que viveu dentro de casa. E é justamente nesse ponto que Jaafar Jackson surpreende ainda mais. Por ser sobrinho de Michael, ele parece compreender nuances muito íntimas do artista, conseguindo transmitir no olhar, nos gestos e até na sensibilidade emocional aquele conflito entre insegurança, genialidade e determinação. Em muitos momentos, não parece apenas uma atuação, mas uma conexão genuína com a essência humana de Michael.

Quando cada detalhe importa: a recriação impecável dos momentos que eternizaram Michael Jackson e a turnê Victory Tour do The Jackson 5
Um dos maiores acertos do filme está no cuidado minucioso da produção ao recriar momentos icônicos da carreira solo de Michael Jackson. De “Don’t Stop ’Til You Get Enough” a “Billie Jean”, passando pela histórica apresentação no especial “Motown 25: Yesterday, Today, Forever”, cada cena foi construída com precisão impressionante.
É nesse momento, inclusive, que vemos o marco que coroou Michael como rei do pop: o primeiro moonwalk. Jaafar Jackson capta o passo com maestria, respeitando não apenas a técnica, mas a energia e o impacto daquele instante histórico.
Outro momento marcante foi a recriação da última noite da Victory Tour dos The Jacksons 5 em 1984, em uma época em que Michael Jackson já era considerado um dos maiores artistas do mundo em sua carreira solo. Michael desejava seguir seu próprio caminho artístico, realizar sua própria turnê e se conectar diretamente com o público que havia conquistado sozinho. Enquanto isso, seu pai divulgava à imprensa que o grupo continuaria realizando shows ao redor do mundo.
Foi então que Michael tomou coragem e anunciou, no palco daquele último show, que aquela seria sua última noite cantando ao lado dos irmãos. Um ato de liberdade, ruptura e coragem, sem se preocupar com a possível reação de seu pai. No filme, esse momento é retratado com extrema sensibilidade e fidelidade ao episódio original. A produção cuidou minuciosamente de cada detalhe para transmitir ao público toda a tensão, emoção e impacto daquela cena final.
Mas houve outra recriação que merece atenção especial: Thriller. Foi nesse momento que o filme atingiu seu auge visual. A recriação do icônico curta-metragem evidencia o nível de detalhismo da produção, com cenários, figurinos e movimentos praticamente idênticos aos originais.
Grande parte dessa imersão também vem da atuação de Jaafar Jackson, que consegue reproduzir expressões, postura e presença de palco de maneira impressionante. Em determinados momentos, a sensação é tão real que parece que estamos assistindo ao próprio Michael Jackson em cena.

A caracterização impecável de Jaffar Jackson na era Bad
O filme termina com um gancho impecável para a era Bad Tour, um dos pontos mais marcantes da carreira de Michael Jackson. O que mais chama atenção, porém, é a caracterização minuciosa de Jaffar Jackson, desde os cabelos até as roupas, trazendo de volta a essência do Rei do Pop de forma impressionante. Em alguns momentos, a sensação é de estar vendo o próprio Michael em cena, tamanha a perfeição da caracterização e da presença transmitida por Jaffar.

Uma experiência feita para emocionar fãs de todas as gerações
O desfecho deixa uma sensação difícil de explicar, como se algo tivesse sido aberto e não completamente encerrado. Michael não é um filme para ser assistido apenas uma vez. Ele desperta novamente o encanto, a nostalgia e a emoção em cada cena, como se reacendesse memórias mesmo em quem não viveu aquela época. No fim, a sensação é de retorno, de reencontro com uma figura que ultrapassa o tempo e permanece viva na cultura. Um artista que marcou o mundo não apenas pela música, mas pela forma como transformou o palco em algo inesquecível.
Michael está nos cinemas em todo o Brasil.

Imagem Destacada: Divulgação/Universal Pictures

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