Crítica: Até que a sorte nos separe – A Falência Final

Raso, mas agradável

Todos sabem que um dos pontos fortes do cinema brasileiro é a comédia, devido a quantidade de filmes genéricos que vem saindo no mercado. Movido a caricaturas e estereótipos sociais, todos os meses somos surpreendidos por uma produção recheada com exagero televisivo, marcada pelos mesmos rostos que vemos no dia a dia. Não que os artistas estejam errados, pelo contrário, eles fazem muito bem o trabalho proposto. O grande problema aqui é a falta de diversificação do elenco pela produção e falha nas características cinematográficas, nesse caso deixando parecer mais uma esquete do que cinema em si.

Contudo, talvez o mesmo aconteça devido à bilheterias altíssimas que garantem a continuidade desses projetos. Em alguns momentos, funciona e temos uma história interessante. Já em outros, acaba sendo extremamente decepcionante na estreia ou, até mesmo, em suas continuações.

“Até que a sorte nos separe 3 – A Falência Final”, filme que estreia hoje nos cinemas nacionais, traz novamente Leandro Hassum na pele de Faustino, um cara que sempre consegue acabar com a própria sorte e das pessoas ao lado. Pela terceira vez, em menos de cinco anos, o filme invade as telonas com praticamente o mesmo discurso: uma família pobre que consegue dar uma virada na sorte, recebe uma chance de mudar de vida, mas acaba perdendo tudo por algum motivo. Dessa vez, a ideia é um pouco menos repetitiva que o segundo, mas ainda sim possui falhas consideradas em sua produção. Além de parecer que estamos sendo jogados diretamente em um programa de televisão, somos desafiados a esquecer os efeitos visuais de segunda categoria, como o Chroma Key de Brasília ou outros através do encontro “Sobrenatural/psicodélico” da personagem de Tino com um boneco.

O roteiro de Paulo Cursino é até interessante para o tipo de produto, talvez o melhor de tudo. Além de tentar diferenciar um pouco sobre o jeito que o dinheiro aparece na vida da personagem principal, colocando-o diante um certo “sofrimento”, o roteirista consegue ainda criar uma narrativa atual, utilizando-se oportunamente (leia-se com inteligência) do atual cenário econômico vivido pelo país. Sem contar as inserções de cultura pop e assimilações entre a família rica do filme e a vida de Eike Batista.A direção é em dose dupla e pertence aos amigos Roberto Santucci e Marcelo Antunez. Embora realizem um trabalho divertido, conseguem se perder em alguns momentos com planos que seriam melhores vistos na televisão. Entretanto, recuperam o fôlego com agilidade em outros pontos e realizam, em pouco tempo, um dos produtos mais interessantes da franquia.

Em relação ao elenco, não teria um melhor para compor o trabalho, uma vez que Camila Morgado já havia substituído Daniele Winits e fornecido muito mais ânimo a produção. A mescla de atores de comédia à outros acostumados com drama, fornece ao filme um certo equilíbrio, evitando que as cenas caiam no besteirol absoluto. Com destaque para excelente Camila, que mesmo não aparecendo muito no filme, consegue roubar momentos importantes. Leandro Hassum, por sua vez, interpreta muito bem o personagem que já está acostumado a fazer. Uma surpresa aqui é Bruno Gissoni que, embora interprete o mesmo tipo de personagem de sempre, consegue diferenciar-se um pouco dos outros trabalhos. E Silvia Pfeifer, belíssima e notória durante sua pequena participação.

Realizado em pouco tempo e com diversos erros técnicos, ao final de tudo, “Até que a sorte nos separe 3” é bom para quem deseja rir um pouco, sem parar para pensar. Merece essa continuação e, mesmo que os produtores tenham dito que seria o último, não duvido nada que outras continuações ou algo (enfim) para tv possam começar a surgir.

Crítica: Até que a sorte nos separe - A Falência Final
5Pontuação geral
Produção5
Roteiro6.5
Direção6
Fotografia5
Elenco6
Votação do leitor 0 Votos
0.0