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Crítica

Crítica: As aventuras de Paddington

Amiguinho urso

Convenhamos: não é todo dia que alguém leva um urso para casa. Ainda mais um urso que fala a língua dos humanos! Mas no delicioso filme “As aventuras de Paddington” isso é possível. Ele quer um lar e nós sabemos que no final tudo vai acabar bem – sem necessidade de spoilers – mas até esse momento chegar, é aproveitar a jornada do simpático ursinho que deixa seu habitat no “sombrio Peru” em busca de um lar na frenética Londres.

Um antigo documentário em preto e branco mostra a aventura do explorador Montgomery Clyde (Tim Downie) na floresta peruana onde conhece e faz uma inusitada amizade com um casal de ursos que nomeia Lucy e Pastuzo. Estes virão a ser os tios do nosso pequeno herói e Clyde garante que se um dia forem a Londres serão recebidos calorosamente. Mas é o jovem ursinho que precisa partir. Ao chegar na estação Paddington é acolhido pela família Brown e ganha um nome inglês.

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A vida na floresta é retratada em cores vivas e muitos movimentos de câmera mostrando a animada rotina dos ursos. A vegetação e o rio são mostrados numa tomada de cima, o que é uma constante no filme: em Londres, a cidade também é revelada do alto em diversos momentos. Outro recurso utilizado para mostrar Paddington atordoado com a correria das pessoas apressadas na estação é o movimento giratório da câmera partindo de um ângulo inferior e subindo cada vez mais, o que coloca o personagem numa posição indefesa e solitária.

De início, o Sr. Brown (Hugh Bonneville)  e sua filha Judy (Madeleine Harris) não se mostram muito animados com a presença do ursinho em casa. Sra. Brown (Sally Hawkins) e o filho Jonathan (Samuel Joslin) são mais receptivos. Interessante é notar a escolha da direção de arte e de figurino em relação às cores: Paddington usa um chapéu vermelho e, desde o começo, notamos tons de vermelho predominantes no vestuário da Sra. Brown – que aliás, é bem lúdico, talvez por ela ser uma ilustradora de livros infantis. Já a filha, que tem um comportamento mais hostil, e o pai, cético a respeito de tudo que Paddington diz, usam tons mais neutros, opacos. Tons de vermelho também estão presentes na decoração da casa – onde o ursinho já chega criando um certo caos, numa divertida cena ao usar “as instalações”, isto é, o banheiro.


Paddington quer encontrar Montgomery, o explorador. Nem suspeita que a filha deste – Millicent – é uma taxidermista que mal pode esperar para botar as mãos nele e empalhá-lo. Aqui, temos Nicole Kidman fazendo uma vilã no melhor estilo loura gelada, elegante e decidida a conseguir o que quer. Para isso, até finge aceitar as abordagens do esquisito vizinho dos Brown, o Sr. Currie (Peter Capaldi). Novamente, é perceptível o cuidadoso trabalho da direção de arte: figurino excêntrico e fora de moda, decoração da casa em tons de verde, antiquada e desleixada, em grande contraste com a elegância que Nicole transborda. Também bem elaborada é a ambientação da loja de antiguidades do Sr. Gruber (Jim Broadbent), amigo da Sra. Brown, a quem ela recorre em busca de alguma informação sobre o paradeiro do explorador.

O roteiro aborda detalhes curiosos a respeito de Londres: “londrinos têm 107 palavras para dizer que está chovendo” e “em Londres todos são diferentes e, por isso, qualquer um pode se ambientar”. Divertida é a reação dos guardas do Palácio de Buckingham quando Paddington se abriga da chuva. Quem já passou algum tempo na cidade certamente irá reconhecer alguns comportamentos britânicos; até mesmo Paddington parece ter a polidez de um inglês, ao falar de forma tão elaborada e educada. Um toque colorido ao filme é a participação da banda “D Lime” que aparece em vários momentos, tocando calipso – uma música popular entre os imigrantes no bairro de Notting Hill na época em que Michael Bond escreveu o livro no qual o filme se baseia.

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Leve, ágil e divertido, “As aventuras de Paddington” é um ótimo entretenimento para crianças e adultos.


Neuza Rodrigues

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9.2
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2 Comments

2 Comments

  1. Teresa Cristina Fazolo Freire

    8 de abril de 2017 at 18:34

    Bichos bagunceiros são garantia de boas risadas. Além da fofura congênita. Tivemos um “Paddington” esta semana em casa: um bebê gato resgatado na Cobal Humaitá. Não fala nossa língua, mas apronta como o ursinho do filme, ainda que os estragos sejam em menor escala.
    Nicole Kidman como versão blonde de Malvina Cruela é ótimo!

    • Neuza Rodrigues

      30 de maio de 2017 at 22:25

      Paddington Kitten! 🙂

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