Crítica: Baywatch

A série de TV “Baywatch” (no Brasil “S.O.S. Malibu”), original dos anos 1990, era sobre uma equipe de salva-vidas de Los Angeles lidando com situações extremas. A principal diferença do programa de TV para essa nova versão é que aqui se investe em uma comédia quase pastelão (algo que o diretor Seth Gordon tem grande prazer em cumprir no sentido mais literal, com várias cenas envolvendo genitálias masculinas), enquanto que na produção televisiva, havia discussões sérias se sobrepondo ao humor, mesmo parecendo brega o tempo todo.

O roteiro foi escrito a duas mãos por Damian Shannon e Mark Swift, cujos filmes anteriores incluem “Freddy vs. Jason” e o remake de “Sexta Feira 13”; filmes esses que realmente não possuem nada de humor, ou mesmo algo que valha a pena conferir. É difícil não comparar essa produção com “Anjos da Lei” de 2012, já que o sucesso de bilheteria do último foi, sem dúvida, um fator de decisão por trás da refilmagem de “Baywatch”. Ambas são séries de TV dramáticas nos originais, repaginadas como filmes de comédia. O problema é que “Baywatch” parece emular a história de “Anjos da Lei” quase inteiramente – desta vez são os salva-vidas tentando manter as drogas fora de suas praias em vez de policiais disfarçados que mantêm drogas fora das escolas. Tudo parece tão laboriosamente familiar e derivado que faz com que o espectador desista do filme já em seus momentos iniciais.

O elenco reúne pessoas ridiculamente atraentes e subutilizadas. Temos Zac Efron como o medalhista olímpico Matt Brody, se esforçando em vão com piadas saídas de um roteiro quase amador. Em comédias anteriores, como em “Os Vizinhos”, vimos Efron também mostrando seus atributos físicos, mas com um pouco mais de nuances, enquanto que aqui ele age exatamente como um estereótipo: é egoísta, impetuoso e acaba apenas sendo irritante.

Dwayne Johnson, como chefe dos salva-vidas Mitch Buchannon não se sai muito melhor, com a maioria de seus insultos proferidos ao personagem de Efron e com a pretensão de serem engraçados, soam mais gratuitos do que as piadas do Zorra Total. The Rock, no entanto, se redime minimamente na segunda metade do longa, com uma cena em que seu personagem é forçado a reavaliar sua vida.

Um destaque é Priyanka Chopra como a empreendedora nefasta Victoria Leeds. Chopra inequivocamente supera qualquer pessoa com quem contracena, já que é envolvente e interessante, sendo a única personagem com que o público pode sentir alguma afinidade, o que é estranho por se tratar de uma vilã. Desse fato vem a constatação da capacidade da atriz em construir uma personalidade com o mínimo de camadas contando com um material de trabalho tão pobre.

Parece também que muito do orçamento do filme foi gasto no elenco, porque algumas cenas de ação são de extremo mau gosto, fazendo feio se julgarmos que Hollywood é referência em filmes desse gênero; uma cena que envolve um incêndio em um barco é particularmente terrível, levando qualquer um a se perguntar se os cineastas fizeram com que ela parecesse propositalmente ruim em uma estranha homenagem aos orçamentos dos anos 90. Mas, provavelmente não.

Antes de ver “Baywatch” é possível sentir que o mesmo prometia alguma diversão, mas, infelizmente, isso está escondido por trás da estagnação de sua proposta de comédia, que nos foi vendida sob a aparência barata de algo usado há 25 anos. Os produtores parecem não ter entendido que “Anjo da Lei” funcionou porque não era apenas uma mudança de gênero inesperada, mas uma comédia satírica genuinamente divertida com performances consistentemente fortes e personagens agradáveis, mas “Baywatch” desperdiça seu elenco atraente em piadas cansadas e mais nada, não tendo nem mesmo o elemento de surpresa ao seu lado.

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