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CríticaFilmes

​Crítica: Chocante

Avatar de Aimée Borges
Aimée Borges
5 de outubro de 2017 3 Mins Read

​Chocante 8Cinema nacional do gênero comédia nem sempre é sinal de filme bom! Esse é um pensamento que, infelizmente, temos e teremos enquanto o mercado do audiovisual brasileiro não ganhar o devido respeito e ser mais diversificado. Mas a verdade é que hoje estamos mais acertando do que errando, e para que continuemos nesse caminho, precisamos ter a mente aberta e valorizar o que vem pela frente.

“Chocante” antes de qualquer coisa fala sobre nostalgia. Conta a história de uma boy band que explodiu nos anos 90 e por um “incidente” acabou do dia para a noite. Agora, eles tentam voltar, após um reencontro inesperado, mas descobrem que não é tão fácil assim.

O filme, que tem a direção de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, traz a comédia da melhor forma e sabe dosar o drama, equilibrando nos momentos certos as piadas e os choros sem transformar tudo em algo muito caricato. Além disso, várias referências são usadas como o Pintinho Amarelinho, Tv de tubo, Programa do Gugu e diversos outros.

A produção, mesmo que seja bem saudosista, colocando em evidência o passado no presente, ainda assim deixa claro a triste realidade dos personagens que vivem atualmente uma vida “pacata”. O longa não tende a dar muitas opções para os integrantes da banda, o que nos surpreende, pois poderia ser mais uma história de superação e, na verdade, fala mais sobre aceitação.

O roteiro escrito por Luciana Fregolente, Rosana Ferrão, Pedro Neschling e Bruno Mazzeo – sendo os dois últimos também atores da trama-, aponta uma narrativa que pode ser vista de forma positiva ou negativa, isso vai depender do envolvimento do espectador com a obra. O texto não desenvolve bem as sub-tramas e nesse ponto deixa alguns detalhes soltos, porém, foca no elemento principal que é a construção da história da boy band até chegar aos dias atuais de forma gradativa sem entregar todos os pontos necessários até o momento final. E isso, os roteiristas fazem muito bem, sempre nos deixando com vontade de saber o que está por vir em cada cena.

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Aos atores deixamos aqui nossos pontos positivos. A química entre Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, Marcus Majella, Bruno Garcia e até mesmo Pedro Neschling, que faz o substituto do 5º integrante perdido, supera expectativas. Vale também destacar Débora Lamm, que interpreta uma antiga fã do grupo apaixonada por eles até hoje. Todos os seis estão completamente confortáveis em seus personagens. E para agregar a trupe temos o antigo empresário Lessa, feito por Tony Ramos, que entra para uma pequena participação e acabamos sentindo falta dele no final. Para ficar mais chocante e divertido, Sônia Abrão, Anderson do Grupo Molejo e Nelson Motta fazem aparições históricas.

Com uma direção de arte e figurino impressionante e impecável, o filme nos transporta facilmente para os anos 90 com cenários e objetos que só quem viveu vai lembrar. A trilha sonora de Plínio Profeta é o que faz toda a transformação. A música “Choque de Amor” gruda que nem chiclete na sua mente de tanto tocar. O hit que é empolgante e dançante acaba por nos divertir ainda mais e é impossível não sair do cinema cantando.

“Chocante” é um filme que envolve o público de um jeito minucioso, com detalhes que te prendem a atenção e conseguem transpor toda a saudade de uma época nem tão distante assim, mas que comparada aos dias atuais, vemos muitas diferenças. É uma diversão baseada em uma realidade vivida por nós brasileiros que nos aproxima e nos aconchega com todo seu charme. Uma obra que apostamos numa possível continuação e precisa ser um sucesso de bilheteria, pois filmes assim são bem construtivos para o nosso mercado cinematográfico. Não é nada histórico, ou que vai mudar o mundo, mas mostra um trabalho que deve ter seu devido respeito.

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10
8.5

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CinemaComédiaDramaFilme Nacional

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Aimée Borges

Aimée Borges é diretora e cofundadora da Woo! Magazine, onde escreve sobre cultura pop, entretenimento e comportamento há mais de 11 anos. Bailarina, dançarina e produtora cultural, traz para o jornalismo um olhar sensível e criativo sobre a arte em todas as suas formas. Curiosa por natureza, transita com facilidade entre o cinema autoral e o mainstream, as séries de nicho e os grandes fenômenos das plataformas. Acredita que toda história bem contada tem o poder de mudar perspectivas e é com esse olhar que assina cada texto na Woo!.

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