Crítica: Entre Vinhos e Vinagre

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Um grupo de seis amigas que não se veem há um bom tempo se reúne para comemorar o aniversário de 50 anos de uma de suas integrantes. Para tornar a data ainda mais especial, elas viajam para o Vale de Napa, região vinícola californiana, onde elas passarão um final de semana tomando vinho e reanalisando seus relacionamentos e prioridades. Pela sinopse, “Entre Vinho e Vinagre” parece um filme descompromissado, daqueles para se assistir numa preguiçosa tarde de domingo; e de certa forma, é. Entretanto, considerando o pedigree de suas realizadoras, é certamente um longa decepcionante.

Estrelado, roteirizado e dirigido por veteranas do “Saturday Night Live”, o mais tradicional humorístico da TV estadunidense, “Entre Vinho e Vinagre” já peca pela falta de profundidade do roteiro. Escrito por Liz Cackowski e Emily Spivey, o texto apresenta um arco para cada uma das amigas, porém apenas dois são minimamente desenvolvidos: o de Abby (Amy Poehler), uma mulher recém-desempregada que usa a viagem como forma de retomar as rédeas de sua vida, e o de Val (Paula Pell), uma lésbica solteira que está à procura de uma nova companheira. Todos os outros não passam de meros rascunhos: o drama de Naomi (Maya Rudolph) envolvendo uma doença é terrivelmente previsível, a recusa de Rebecca (Rachel Dratch) em aceitar o fracasso de seu casamento se resolve de forma boba, a dúvida de Catherine (Ana Gasteyer) entre valorizar trabalho ou amizade gira em círculos e Jenny (Spivey) tem um arco tão pobre que ela é praticamente esquecida pelo filme.

Se como drama, “Entre Vinho e Vinagre” é superficial, como comédia, ele é curiosamente pouco engraçado. Cenas como aquelas em que as personagens dançam ao som de hits dos anos 1990 são divertidas na primeira, quiçá na segunda vez. Entretanto, periodicamente ocorre um momento desses, como se toda vez que as realizadoras não soubessem o que fazer com o filme, jogassem uma cena de dança “engraçada” como tapa-buraco. Há um problema de timing cômico também, sendo a sequência da colina um momento-chave. Na prática o clímax do filme, esse trecho parece que dura uma eternidade, aniquilando qualquer chance de ser engraçado ou emocionante pelo simples fato de, antes disso, se tornar tedioso. Porém, nada supera a sequência na galeria de arte, que até começa interessante, satirizando os critérios artísticos dos millennials, mas que, aos poucos, vai se tornando cada vez mais digna de vergonha alheia.

Todavia, aqui e ali há momentos inspirados. A gag recorrente envolvendo a paella que nunca fica pronta é sempre divertida e toda vez que Tina Fey entra em cena, como a dona da casa alugada pelas personagens principais, ela rouba o filme, trazendo aquele toque de humor nonsense em que ela é especialista. Entretanto, onde “Entre Vinho e Vinagre” mostra seu real potencial é quando subverte as expectativas acerca dos filmes de “mulheres que viajam juntas e fazem loucuras” (como os recentes “Viagem das Garotas” e “A Noite É Delas”).

Um momento exemplar é quando Catherine tenta convencer as amigas a tomar microdoses de ecstasy. Em primeiro lugar, todo o argumento da personagem acerca da microdose já vai de encontro às quantidades obscenas de drogas utilizadas nesses filmes. Em segundo, o fato de todas as amigas negarem a proposta, por medo do ecstasy não cair bem com os remédios que já tomam regularmente, apresenta não só uma subversão às fórmulas narrativas como também argumenta que essas mulheres não precisam se drogar já que elas diariamente vivem à base de drogas.

Com uma fotografia chapada e pouco criativa, cujo único objetivo é registrar as interações entre seu elenco, e poucos momentos que realmente atingem o equilíbrio ideal entre comédia e insight, “Entre Vinho e Vinagre” é uma estreia mediana de Amy Poehler na direção. Não chega a ser um filme tão ruim a ponto de levantar suspeitas de que tudo não passa de uma desculpa para as atrizes curtirem férias remuneradas, mas também é dificilmente um filme memorável e digno dos talentos envolvidos.

Crítica: Entre Vinhos e Vinagre
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