Quando “Deadpool” foi concebido, polêmicas surgiram em torno de como o herói seria representado. Será que todo aquele humor agressivo e adulto proferido pelo falastrão anti-herói estaria presente no filme? Uma classificação indicativa para maiores de idade não prejudicaria a bilheteria final? Mesmo correndo risco e em meio a tantos questionamentos, o primeiro filme do personagem seguiu fielmente o que era Deadpool nos quadrinhos e, como consequência, foi um sucesso de bilheteria. Tendo estreado o segundo ainda nesse ano, foi pensada também versão alternativa da sequência, que pudesse ser assistida também por públicos mais jovens. Foi dessa forma que “Era uma vez em Deadpool” surgiu, o que já mostraria frágil natureza de sua parte.

Não é que “Era uma vez em Deadpool” seja ruim, ele apenas é desnecessário. “Deadpool 2” por si só já não havia replicado a qualidade e o sucesso de seu antecessor, então qual o motivo de uma outra versão da mesma obra? É até difícil o exercício da crítica sobre o longa por se tratarem essencialmente do mesmo produto. O que os difere, em maior peso, são sequências em que Deadpool vai narrando os acontecimentos para o ator Fred Savage, que aparentemente foi sequestrado pelo mercenário protagonista.

Dessa forma, todos os problemas já existentes na versão original continuam aqui, todas as características que cansam ao estar presentes também. Deadpool é uma figura tão peculiar e cartunesca que é complicado produzir obras em que seja o protagonista e que isso seja feito em tão pouco tempo. Não existe, no que tange aos realizadores, esforço para que haja renovação e “Era uma vez em Deadpool” não apenas deixa isso bem claro como também reforça a ganância por trás da já lucratia franquia.

“Era uma vez em Deadpool” talvez não seja nem mesmo adequado para quem pretende atingir, já que muito do teor original do personagem e dos filmes continuam aqui. Por consequência, é bastante infeliz que o carismático personagem, de tão difícil adaptação, tenha trazido bons frutos na sua primeira versão para o cinema e que isso seja subvertido por agora. Infelizmente, ao ritmo da própria indústria hollywoodiana, era um destino praticamente inevitável.


Fotos e Vídeo: Divulgação/20th Century Fox

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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