Crítica: Deadpool 2

Na aparentemente inacabável onda de filmes de super-heróis que tem gerado alguns dos maiores blockbuster da história do cinema, certas produções são diferentes o suficiente para se destacarem mais que as outras. Esse foi o caso de Deadpool” (2016), a primeira adaptação (desconsiderando sua participação em “X-Men Origens: Wolverine”) do adorado personagem dos quadrinhos que, com seu humor negro e classificação restrita, se tornou um sucesso de crítica e bilheteria. É claro que, como qualquer produção que obtém seu lucro de volta na semana de lançamento, uma continuação foi logo planejada, e em 2018 chega aos cinemas Deadpool 2”, que consegue transcender os níveis estabelecidos pelo seu antecessor.

A nova aventura do “mercenário tagarela” se passa algum tempo após o final do seu longa de estreia. Deadpool (Ryan Reynolds) trabalha como um assassino de aluguel/justiceiro que, após um evento trágico que o leva a ter uma crise existencial, toma como sua obrigação proteger o mutante adolescente Russell (Julian Dennison) de um soldado cibernético do futuro, chamado Cable (Josh Brolin). Para conseguir fazer isso (e após suas desavenças com os X-Men), o protagonista decide criar o seu próprio time de super heróis, o que não resulta exatamente da maneira pretendida.

O maior diferencial de “Deadpool 2”, assim como o primeiro filme, não é uma história surpreendente ou original, mas sim o modo como ela é contada. Se aproveitando das características mais autoconscientes do seu material de origem, principalmente da quebra da quarta barreira, o roteiro, escrito por Rhett Reese, Paul Wenick e pelo próprio Ryan Reynolds, reconhece os seus clichês e é eficiente em transformá-los em uma comédia exagerada.

Começando pelo pôster, que proclama ser “dos mesmos produtores que mataram o Wolverine”, o longa é repleto de piadas sobre sua própria produção, seu estúdio e sobre outros filmes de super-heróis. Essa parte cômica, porém, não se limita apenas às referências, apresentando também diversas cenas de humor negro, nonsense e até mesmo uma comédia juvenil e besteirol (um pouco reduzida em comparação com o primeiro, mas ainda presente).

Esse humor também não é apenas mérito do script, já que a direção também aposta de forma certeira na comédia visual, desde o uso cínico de slow motions até as cenas na qual a câmera foca em um vilão fugindo enquanto Deadpool massacra seus capangas de maneiras esdrúxulas, desfocado no fundo. David Leitch já tinha se mostrado um diretor competente também para as cenas de ação em “John Wick – De Volta Ao Jogo” (2014), e em “Deadpool 2” se consolida com sólidas sequências de lutas que, apesar de frenéticas, nunca são confusas ou incompreensíveis.

Ainda na parte técnica, a produção aproveita de sua classificação para maiores de 18 anos para abusar do uso de gore e sangue, mas sem ser grotesco ou chocante, sendo mais de um modo exagerado e “cartunesco”. Os demais efeitos são competentes o suficiente, apesar de a computação gráfica parecer ter saído de um vídeo game em momentos, principalmente o personagem Colosso (Stefan Kapicic). Isso, porém, é perdoável devido a natureza do personagem e a franqueza do roteiro quando o próprio Deadpool comenta que “é hora da luta de CGI”.

Falando no protagonista, Ryan Reynolds se mostra perfeito para o papel novamente, exalando todo o deboche necessário. Ao mesmo tempo, Josh Brolin encarna Cable como o extremo oposto, ou seja, sério, grosso e curto, o que torna a interação entre os personagens, e a “química” entre os atores, bem divertida. O elenco de apoio também merece destaque, o que vai desde Julian Dennison e Zazie Beetz (como a sortuda Domino), a papéis menores e pontas de atores mais conhecidos.

“Deadpool 2” é uma sequência perfeita para o primeiro, tanto em questão de seu exagero cômico quanto pela história, que além de tudo, é gratificante por ser mais complexa que o “o vilão super poderoso que quer destruir o universo”. Com seu bom roteiro e competência técnica, o filme confirma que “Deadpool”  tem tudo para  se tornar uma das melhores franquias de super-herói dos últimos tempos.

Crítica: Deadpool 2
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