Que a Netflix vem tentando agradar seu público desde que se sentiu ameaçada por outros serviços de streaming, não é novidade para ninguém. Tanto em termos de séries quanto de filmes, a empresa busca cada vez mais a consolidação de conteúdo próprio e, para isso, priorizando muitas vezes a quantidade em detrimento da qualidade. “Fim do Mundo” parece, bem como vários desses lançamentos, ter sido escrito por algoritmos da plataforma que buscam incessantemente por aquilo que seus assinantes desejam.

Aliás, não é coincidência que “Stranger Things” também seja obra da Netflix, uma vez que ela é majoritariamente calcada em nostalgia e referência assim como “Fim do Mundo”. Temos os dois casos tratando de um grupo de crianças ou adolescentes que são amigos e que, por conta de uma ameaça muito maior que eles próprios, devem tentar salvar o mundo do jeito que podem. Isso, claro, recorrendo a vários clichês que acabam tornando esse tipo de produto audiovisual algo até comparável a um gênero por si mesmo. E que fique bem claro que isso não deve ser encarado de forma pejorativa, há modos bons e ruins de se criar conteúdo com base nesses pontos. Enquanto “Stranger Things” trouxe alguma originalidade e carisma vindo dos personagens, “Fim do Mundo” opta por situações e personagens convencionais que dão a impressão de que o espectador já viu aquilo outras vezes diante da tela da televisão. Em realidade, não seria mentiroso dizer que já viu mesmo.

No mais, é tudo bastante burocrático. O que pode ser dito é que a iluminação do filme, volta e meia, fica monocromática e isso se torna esteticamente interessante, mesmo sem muita função narrativa. A direção, figurino e toda a direção de arte parece copiados de outras obras, como se a Netflix praticasse plágio consigo mesma, de alguma forma. Em alguns aspectos, até somos remetidos a “Cloverfield: Paradoxo”, o que mostra que nem o material de onde a cópia é feita pode ser considerado razoável. Talvez seja um indício de que as fórmulas para produções de cinema e televisão já não servem tão bem como há pouco tempo acontecia e a necessidade de se reinventar aparece cada vez mais urgente.

“Fim do Mundo” não é um desastre completo quando comparamos com outras produções próprias de serviços de streaming, o que não exatamente o salva também. É mais uma das inúmeras evidências de que tais lançamentos dificilmente tem algo para dizer e que, quando geram retorno popular na internet, quase nunca é por um bom motivo. Mas é de grande dificuldade aproveitar de um longa sobre uma aventura vivida por jovens amigos sem que haja interesse nos protagonistas. Se eles não envolvem o público e não possuem química entre eles, não há muita base para que o resto possa existir. Repetir a fórmula que inclui bicicletas sendo usadas como meio de transporte por crianças não faz mágica, muito embora isso ocorra no “E.T – Extraterrestre” de Spielberg.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Netflix

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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