Crítica: Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2

“Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” possui grande trunfo na manga. Não é apenas uma animação protagonizada por animais de estimação que aposta em sua fofura, como poderia acabar acontecendo. Não é uma coletânea de adoráveis vídeos de bichos em redes sociais, é mais que isso. Claro que esse aspecto dos personagens aparece com frequência, mas é na aposta de um universo bem construído que reside a alma do filme, bem como naqueles que o compõe. Cada pet tem suas características próprias, personalidades bem determinadas que são refletidas por seu design e a forma com a qual agem, se movimentam e também falam. “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” também é fofo e encanta o espectador, mas possui solidez que vai para além disso, o que é muito bem-vindo dentro de um contexto em que produtos voltados para o público infantil podem acabar sendo dispensáveis.

Ademais, existe uma série de referências à cultura pop aqui, que se manifestam desde músicas tocadas ao fundo das cenas até conteúdo explícito presente nos diálogos dos personagens. São elementos que tornam a obra muito presente e muito verdadeira, que parece algo nem tão relevante assim, porém que conecta o público ao universo do filme no qual ele se imerge. Somando esse aspecto com o que já foi dito anteriormente sobre a construção dos personagens junto com o mundo em que habitam, “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” se faz muito eficiente no que diz respeito à propor o alternativo cenário em que animais de estimação possuem alta inteligência e conseguem ter paralela ao que mostram aos seus donos.

As cores, por outro lado, são sempre vivazes e cheias de alegria. É um mundo visto com muita inocência, ingenuidade e por isso sempre solar, o que também é muito por conta do público alvo. De certa forma, para além do ponto de vista dos animais, a ótica adotada aqui também é o das crianças, ainda que mais sutilmente. Não à toa, vemos o cão Max interagindo com seu dono na perspectiva dos dois, o que se mostra pela câmera longe dos personagens adultos. Não é importante, para a obra, aquele universo denso, complicado e muitas vezes chato do qual eles fazem parte. Nesse sentido, os animais do filme e seu mundo possuem tom lúdico e, de certa forma, são também crianças. Se relacionam e agem como tal, em alguma medida, mesmo que com adaptações dentro dessa proposta por motivos óbvios.

Assim, “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” acaba sendo divertida animação, que encanta adultos e crianças. Conquista ambos os públicos sem subestimar os mais novos e tampouco precisando do uso de piadas de duplo sentido para os mais velhos e conseguindo ser simpático mesmo assim. Em parte, é verdade que não falamos de um primor de roteiro e nem de direção mirabolante, mas o apresentado é exatamente o necessário. O que vale é a divertida jornada que, quando precisa, sabe ser inventiva e surpreender na medida do possível. Diversão garantida para crianças e, talvez, grata surpresa para os adultos.


Imagens e vídeo: Divulgação/Universal Pictures

Crítica: Pets - A Vida Secreta dos Bichos 2
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